ESTÁDIOS DE ALMA: Paciência de xadrez em noite de tempestade

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Eduardo Carvalho, 28 anos, Analista de estratégia em futebol

O Estádios de Alma desta semana resistiu à intempérie que se abateu sobre o país para se deslocar ao Estádio do Bessa e acompanhar a recepção dos axadrezados aos estorilistas.

O Boavista, a jogar em casa, tomou, desde o começo, a iniciativa, procurando uma posse segura (embora lenta) no início de construção e passes em profundidade, sobretudo para o flanco direito do ataque.

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Foto: Eduardo Carvalho

Renato Santos, recém-recuperado de lesão, tem reassumido o papel de destaque nesta equipa, desequilibrando com a sua inteligência e capacidade de cruzamento. Embora a ficha de jogo indiciasse o contrário, Jorge Simão optou por colocar Mateus no eixo do ataque e o agitador Yusupha no flanco esquerdo. Ambos estiveram, contudo, complicativos e desinspirados no momento da definição ofensiva. O Estoril, num bloco defensivo médio/baixo, privilegiava a solidez defensiva, procurando contrariar o estatuto de pior defesa da liga.

Com Dankler cada vez mais entrosado com Halliche e dois laterais direitos no onze – Mano fechou à esquerda -, era o duplo-pivô Gonçalo Santos – Pedro Rodrigues a liderar a estratégia pragmática de Ivo Vieira, filtrando grande parte do processo criativo da equipa da casa e saindo pela certa para o ataque. Lucas Evangelista era instrumental neste último momento pela qualidade técnica em condução de bola e visão de jogo superlativas.

A entrada de Eduardo para o lugar do lesionado Victor Andrade retirou verticalidade à ala direita do ataque canarinho, mesmo que o treinador procurasse melhor relação do flanco com o espaço interior. O primeiro tempo termina com os visitados a reclamarem golo num lance em que o angolano Mateus colocou a bola na baliza da equipa de Linha de Cascais, mas a equipa de arbitragem assinalou fora-de-jogo.

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Foto: Eduardo Carvalho

Os anfitriões entraram para a etapa complementar mais objectivos e rematadores, mas continuavam a pecar quer neste parâmetro, quer no último passe. A circulação de bola continuava previsível, aproveitando o Estoril para ensaiar alguns ataques rápidos, mas o perigo que criavam não era materializado em golos.

Em posição tranquila no campeonato, o Boavista fez valer o seu ADN para reassumir o controlo do jogo, adoptando uma postura mais de combate e agressividade táctica. Numa matriz mais física, as panteras impunham-se nos duelos e levavam o jogo para a sua zona de conforto.

Os forasteiros sentiam a pressão de segurar o empate e Dankler cometeu uma (única) falha, derrubando Yusupha e proporcionando uma abençoada grande penalidade à equipa da casa.

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Foto: Eduardo Carvalho

Da marca dos 11 metros, David Simão não perdoou e fez funcionar o marcador. A partir daí, os axadrezados praticamente não deixaram o adversário reagir, pressionando alto e juntando as linhas para segurar a vitória.

O Boavista elevou a sua série de vitórias caseiras para números muito próximos aos do ano do título e aproximou-se dos lugares “europeus”. O Estoril, por seu turno, continua a sua surpreendente campanha na cauda da tabela da Liga NOS, mas o plantel vale muito mais do que o desempenho global da equipa até ao momento.

 

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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