ESTÁDIOS DE ALMA: Salgueiros em série invicta empata luta pela subida amarantina

Foto: Ana Regina Ramos
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Eduardo Carvalho, 28 anos, Analista de estratégia em futebol

O Estádios de Alma desta semana voltou a Castêlo da Maia, casa emprestada do SC Salgueiros para a recepção ao Amarante FC, em jogo a contar para a jornada 26 do Campeonato de Portugal. O Estádio Municipal Dr. Costa Lima estava bem composto para um jogo que se previa equilibrado, entre a equipa que tem origem na freguesia de Paranhos – com ligeira vantagem no histórico de confrontos – e a turma que se deslocou do limite nordeste do distrito do Porto, muito acima na tabela classificativa.

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Foto: Eduardo Carvalho

O equilíbrio foi, precisamente, a nota dominante na partida, cuja toada competitiva era típica do terceiro escalão do futebol português. A diferença estava no último terço do terreno, ao nível do esclarecimento na definição, com clara vantagem para a equipa da casa.

Na tentativa de salvar-se da descida de divisão – trilho que tem sido bem sucedido desde a chegada do novo treinador – os comandados de Manuel Monteiro apresentaram-se com Daniel Denot e Dedê nos lugares de Augustin Malandjou e Dinghao Yan. E foram os sul-americanos a fabricar o primeiro golo do jogo, aos 17 minutos, com excelente jogada individual do brasileiro, a flectir da direita deixando dois adversários para trás, antes de entregar para Denot: o argentino rematou forte e colocado, à entrada da área, para abrir o activo.

Já os amarantinos, que optaram por um onze mais conservador, deixando no banco um elemento ofensivo como Hélder Pedro e acrescentando um defensivo – Carlos Silva, a lateral-direito – deslocando Tiago Silva para a posição seis, reagiram de imediato, mas apenas Kingsley parecia verdadeiramente inconformado na tentativa de carrilar jogo com intensidade e servir Paul Ayongo, demasiado desapoiado na frente de ataque.

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Foto: Eduardo Carvalho

Forçados a uma substituição ainda antes da meia hora – Nuninho entrou pelo lesionado Edivândio -, os visitados continuavam mais perigosos, com transições rápidas e passes longos bem medidos.

Ao intervalo, o treinador visitante procurou dar tracção ofensiva à equipa, promovendo a entrada de Hélder Pedro a para o lugar do lateral Carlos Silva, regressando Tiago à sua posição habitual. Os comandados de Pedro Pinto entraram decididos a tomar as rédeas da segunda parte, mas foi a equipa da casa que quase ampliou vantagem – por duas vezes na mesma jogada -, valendo o guarda-redes Paulo Jorge, primeiro, a fechar o ângulo da sua baliza e a sua linha defensiva, depois, a aliviar o esférico para canto.

Do lado contrário, o chinês Yeerjieti tentava organizar a sua defesa – por vezes, excessivamente adiantada – gritando-lhe com constantes correcções. Parecia adivinhar o que se seguia, pois não tardou o golo do empate, numa jogada em que Marquinhos conseguiu, com alguma sorte, passar por Raúl Martins e cruzar atrasado, com um primeiro remate a ser bloqueado pela defesa salgueirista, mas o esférico ficou perdido na pequena área, onde o matador Ayongo surgiu oportuno a encostar.

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Foto: Eduardo Carvalho

Na bancada, a alma salgueirista procurava reerguer a equipa, entoando cânticos de apoio durante todo o jogo.

A partida voltou a equilibrar-se, perdendo fluidez e tornando-se cada vez mais incaracterística. Defensivamente, as equipas encaixaram completamente uma na outra,
com blocos defensivos médio-altos.

O treinador salgueirista parecia mais insatisfeito com o resultado, arriscando esgotar as substituições quando ainda faltavam 25 minutos para os 90 regulamentares: o marfinense Kokora e o chinês Dinghao entraram para o lugar dos “fabricantes” do golo inaugural. A mensagem passou para os seus jogadores, que se acercaram da baliza adversária, aumentando a intensidade e logrando um par de ataques prometedores,
materializados em dois remates perigosos, mas primeiro a defesa amarantina conseguiu o alívio e depois o guardião Nené foi ao chão para suster um remate fortíssimo, à entrada da área, e fazer a defesa da tarde.

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Foto: Eduardo Carvalho

No extremo oposto, o ponta-de-lança Ayongo procurava fugir à marcação, caindo no flanco esquerdo à procura de espaço para as suas arrancadas explosivas.

A velocidade do ganês era um quebra-cabeças e quase originava um auto-golo dos vermelhos, numa jogada em que explorou, novamente, o adiantamento da defesa visitada, mas o guardião do Salgueiros controlou a trajectória da bola – que o havia sobrevoado – com o golpe de vista.

O técnico alvi-negro ainda fez entrar as habituais armas-secretas Nélson Monteiro e Luís Henrique, mas sem efeitos práticos.

Quase ao cair do pano, Raúl foi expulso por uma alegada agressão a Hélder Pedro. O jogo terminou com a equipa da casa a procurar atacar mais com o coração do que com a cabeça, e os forasteiros a preferirem gerir o resultado, controlando bem as investidas adversárias e congelando o jogo com uma posse de contenção.

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Foto: Eduardo Carvalho

O empate final mantém intactas as aspirações de ambos os conjuntos, com a turma da casa a aumentar a série invicta para sete jogos, havendo potencial para a curto-médio prazo, como preconizam os seus adeptos, voltar aos tempos de glória do Velho Salgueiral.

O Amarante continua na apertada corrida pela subida de divisão, alavancados pelo talento do máximo goleador da Série B do Campeonato de Portugal.

 

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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