ESTÁDIOS DE ALMA: Tondela em teste de ADN no laboratório do Bessa

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Eduardo Carvalho, 28 anos, Analista de estratégia em futebol

O Estádios de Alma desta semana regressou ao Estádio do Bessa, para um duelo entre Boavista FC e CD Tondela, a contar para a jornada 28 da Liga NOS.

Tratava-se de um confronto de “clones”, pela semelhança na identidade de jogo entre ambos os conjuntos, que primam pela simplicidade de processos e pela agressividade técnico-táctica na abordagem aos lances.

Jorge Simão promoveu a entrada de Gilson Costa para o lugar de David Simão e de Leonardo Ruiz no que vinha sendo ocupado por Yusupha – ambas as ausências forçadas por lesão -, deslocando Mateus para o flanco esquerdo, para que o colombiano pudesse evoluir no eixo atacante axadrezado. Já Pepa surpreendeu com a titularidade de Joca, em vez do habitual Pedro Nuno, fazendo ainda entrar Claude Gonçalves por troca com Hélder Tavares.

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Foto: Eduardo Carvalho

O encontro começou equilibrado, mas cedo o Tondela conseguiu algum ascendente táctico, mercê da superioridade nos duelos e no encurtamento dos espaços a meio-campo. Os visitantes, com um sector intermédio mais homogéneo, revelavam maior objectividade no desdobramento ofensivo, condicionando a construção mais curta e elaborada da equipa da casa.

Esta partida ficou marcada pela quantidade e qualidade em lances de bola parada, de parte a parte, mas os forasteiros seriam mais eficazes, aproveitando sequências de pontapés de canto para sacudir a pressão dos visitados e prolongar o balanceamento ofensivo.

À passagem da meia hora de jogo, Rossi faz um grande passe em profundidade a solicitar a excelente desmarcação de Fábio Espinho que, à saída de Cláudio Ramos, tenta contornar o guarda-redes tondelense, mas este não perdeu a posição e tapou-lhe o caminho, com o médio a tocar inteligentemente de calcanhar para Leonardo Ruiz, este remata contra Jorge Fernandes, mas na recarga fez balançar as redes adversárias.

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Foto: Eduardo Carvalho

O Tondela procurou reagir e, após um par de lances de perigo, acabaria mesmo por igualar a contenda, na sequência de um canto perfeito de Miguel Cardoso, com Vagner a ficar entre os postes e Tomané a desferir um cabeceamento em balão, que bate na trave antes de entrar na baliza.

A segunda parte começa com o Boavista a tentar pegar no jogo, procurando trocar a bola desde a sua defesa até encontrar brechas para fazer passes a rasgar a defensiva visitante.

O posicionamento de Joca, que no papel jogava nas costas, mas, na prática, aparecia ao lado de Tomané, era instrumental para pressionar o excesso de risco nessa troca de bolas em zona defensiva, perigando, muitas vezes, a posse axadrezada e expondo Vagner – não é especialista no jogo de pés – a lances como o que havia dado o segundo golo ao FC Porto na jornada anterior.

Em novo pontapé de canto bem executado por Miguel Cardoso, Jorge Fernandes desvia de cabeça e Tomané coloca novamente a bola na baliza contrária, mas o árbitro anula o lance por alegado fora-de-jogo, decisão confirmada pelo VAR.

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Foto: Eduardo Carvalho

O Boavista voltou a empurrar o adversário para as imediações da sua área, mas a equipa que se deslocou da zona centro do país era veloz e objectiva sempre que conseguia recuperar a posse da bola e iniciar transições defesa-ataque.

O técnico visitado retirou o apagado Gilson Costa e fez entrar o mais ofensivo Rochinha, na tentativa de acrescentar a criatividade que faltava na organização do ataque posicional. Os anfitriões empurravam os beirões para o seu último reduto, mas Cláudio Ramos e a sua defesa fecharam as portas de todas as formas, recorrendo a uma enorme entreajuda e não inferior capacidade de “dobrar” os companheiros.

Aos 71 minutos, grande lance individual de Rochinha, passando a bola por cima de um opositor e tabelando com Ruiz, mas o esférico sobrou para o seu pé menos efectivo – o esquerdo – e o remate foi interceptado para canto por David Bruno. Pepa retirou Joca e fez entrar Juan Delgado, mas sentia-se que era o meio-campo que precisava de ser fortalecido, uma vez que o jogo alternava entre momentos em que estava “partido” com outros de domínio axadrezado.

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Foto: Eduardo Carvalho

Aos 80 minutos, mais um brilhante slalom de Rochinha, passando por dois defensores e rematando de ângulo apertado, mas Ricardo Costa salvou a equipa e aliviou pela linha de fundo. Jorge Simão voltou a ler bem o jogo e retirou o “desinspirado” Mateus, fazendo entrar em campo o agitador Kuca.

Nesta segunda parte, Fábio Espinho recuava muitas vezes para pensar o jogo da equipa da casa, mas o adiantamento de Rochinha – praticamente para o lado de Ruiz – criava um fosso na zona intermédia, prejudicando a fluidez na construção de jogo da equipa.

Do lado beirão, a zona intermédia conseguiu voltar a “respirar” graças à disciplina táctica dos alas, que fechavam “por dentro”, juntando-se aos médios interiores. Já em tempo de descontos, quase Tomané fazia um golo de antologia, com o remate-surpresa a sair pouco ao lado do poste esquerdo de Vagner. Os forasteiros acabaram por controlar todo o tempo de compensação, levando o jogo para o meio-campo adversário para congelar o empate.

O empate final deixa ambas as equipas bem posicionadas para atingir os seus objectivos, com o Boavista a continuar o seu campeonato tranquilo e a sua longa maratona para reerguer o velho “Boavistão”; já o Tondela prossegue a sua caminhada rumo à manutenção, procurando fugir à aflição das últimas duas épocas.

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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