ESTÁDIOS DE ALMA: Leixões e Arouca sem medo do Mar da subida

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Eduardo Carvalho, 28 anos, Analista de estratégia em futebol

O Estádios de Alma, do Jornal Referência, voltou a Matosinhos para acompanhar o duelo entre Leixões Sport Clube e Futebol Clube de Arouca, a contar para a jornada 35 da Ledman LigaPro.

A tarja “Em terra de pescadores, quem tem medo não vai ao Mar” que se via na bancada do Estádio do Mar aplicava-se na perfeição à importância deste confronto para ambos os conjuntos, captando o interesse presencial de muitos adeptos.

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Foto: Eduardo Carvalho

O Arouca apresentava-se num sistema 3-5-2 versátil, com a titularidade de Ericson, em detrimento de Benny a dar azo ao recuo de Nuno Coelho para central, Vargas e Vítor Costa percorriam os corredores e fechando na defesa em processo defensivo; mais à frente, Palocevic alternava entre a posição 10 e o descaimento numa das faixas, onde se escondia e fazia o esquema táctico oscilar para 3-4-3, em transição ofensiva.

O Leixões apresentava-se no habitual sistema, com Bruno China a central e laterais assimétricos – Derick Poloni mais ofensivo do  que Jorge Silva -, o organizador Breitner a relacionar o flanco direito com o corredor central e avançados móveis na frente – Kukula foi titular no lugar do castigado Medarious.

A equipa visitante chegou à vantagem ainda antes dos 10 minutos, na sequência de um cruzamento aparentemente ao alcance do guarda-redes Tony, mas este desentendeu-se com Ricardo Alves e a bola sobrou para Roberto que assistiu, com um toque de classe, Bukia: este rematou à boca da baliza para abrir o activo.

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Foto: Eduardo Carvalho

Os Bebés do Mar foram atrás do resultado e impondo o seu jogo, fazendo uso de um futebol objectivo e uma excelente reacção à perda da bola.

O empate chegou aos 32 minutos, numa incursão de Luís Silva – que se vinha destacando pela assertividade no passe – pelo flanco esquerdo, cruzando a preceito para Ricardo Barros, que aguentou fisicamente a pressão do central adversário e atrasou para Breitner, com o brasileiro-venezuelano a fuzilar à entrada da área, de primeira.

A resposta surgiu logo na jogada seguinte, com Vargas a irromper pela asa direita e a puxar para o pé esquerdo antes de centrar para Bukia, o ganês assistiu Roberto que, com um “passe” colocado para a baliza, repôs a vantagem forasteira.

Apesar do ascendente territorial dos visitados, os arouquenses demonstravam um nível de jogo colectivo superior e, a vencer, estavam mais tranquilos em campo.

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Foto: Eduardo Carvalho

Os últimos minutos da primeira parte foram completamente controlados pelos canarinhos, graças a um excelente jogo posicional e fluidez na circulação de bola.

Ao intervalo, Francisco Chaló operou uma substituição, com a troca de Kukula por Jaques Haman, que se revelaria frutífera, mercê da mobilidade e capacidade de desequilíbrio que injectaria à equipa.

Tal como em boa parte da etapa inicial, os matosinhenses entraram na segunda parte por cima no jogo. Os níveis de agressividade táctica estavam, contudo, mais elevados,
com a equipa mais rápida e perigosa.

O Leixões acabaria mesmo por igualar o marcador, na sequência de um canto do entretanto entrado Bruno Lamas, em arco, com Bruno China a assistir Evandro Brandão que, em frente à baliza, não vacilou e restabeleceu o empate. Os comandados de Miguel Leal procuravam reaver o controlo da partida – como na fase final do primeiro tempo -,
sendo que o empate não era um resultado muito negativo, sobretudo num estádio em que os visitados apenas contavam uma (!) derrota esta época.

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Foto: Eduardo Carvalho

Todavia, desta feita, a turma da casa não se deixou “adormecer”, mantendo o ritmo do jogo numa intensidade elevada. O Arouca praticamente deixou de sair com perigo para o ataque, com excepção de uma aceleração individual do suplente utilizado Nuno Valente.

Apesar da capacidade de improviso dos atacantes matosinhenses, a equipa revelava alguma “desinspiração” criativa na tomada de decisão e pouca eficácia na finalização, não mais conseguindo fazer funcionar o marcador.

O empate final mantém, matematicamente, intactas as aspirações leixonenses e faz cair os arouquenses para fora da zona de subida, mas ambas as equipas têm argumentos para sonhar ultrapassar o segundo classificado em cima da meta e subir à Liga NOS.

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

 

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