ESTÁDIOS DE ALMA: Rio Ave “de autor” ganha batalha ao “novo grande” Braga

Imagem: Ana Regina Ramos
Eduardo Carvalho, 28 anos, Analista de estratégia em futebol

A rubrica Estádios de Alma fechou a temporada com um duelo entre duas das melhores equipas da Liga NOS: o Rio Ave, que impressionou pela fidelidade a uma ideia de jogo arrojada, recebeu o Sporting de Braga, que elevou o nível da sua equipa ao ponto de lutar pelo pódio até à última jornada!

Para este encontro da 34ª e última jornada da Liga NOS, o garantidamente quinto classificado do campeonato recebia o quarto, com este ainda a aspirar o último lugar do pódio.

Foto: Eduardo Carvalho

Ambos os treinadores apresentaram as equipas que têm sido habituais, com excepção – nos vilacondenses – de Nadjack no lugar do indisponível Lionn. Recorde-se que os bracarenses não contavam com os lesionados de longa duração Marafona, Rosic, Ricardo Ferreira, Mauro e Fransérgio.

O jogo iniciou-se com um grande equilíbrio na iniciativa de jogo, algo raro no escalão máximo do futebol português. Após um início intenso, o ritmo acabaria por baixar ao ponto de se temer alguma descompressão competitiva. Não só isso não se confirmou, como o nível técnico-táctico se manteve, não defraudando os 7452 espectadores que se deslocaram ao Estádio dos Arcos.

Os comandados de Miguel Cardoso exibiam a habitual superioridade na circulação de bola, mas demonstravam uma especial preocupação em não arriscar na posse de bola em zona defensiva.

Aos 20 minutos, um lançamento de Nadjack proporcionou a incursão de Tarantini pela direita, cruzando rasteiro e atrasado, com o esférico a sobrar para Diego Lopes, que falha o remate e, na sobra, Guedes permite a mancha a Matheus.

Foto: Eduardo Carvalho

A finalização não é um ponto muito forte do seu jogo – esta foi a sua melhor época neste particular, com 12 golos -, algo que logrou compensar, conjugando uma boa presença física com a qualidade no jogo de apoios, sobretudo de costas para a baliza.

Os forasteiros reagiram de imediato, procurando acercar-se com perigo da baliza de Cássio, algo que conseguiriam por intermédio de uma parceria entre irmãos: André serviu Ricardo Horta, com o extremo a dominar de pé esquerdo e a rematar de direito, por cima da trave.

Após uma fase de ligeiro ascendente arsenalista, com mais um par de lances de relativo perigo, acabariam por ser os anfitriões a abrir o activo, na sequência de uma abertura de Nélson Monte em Nadjack, o lateral endossou para Geraldes, este combinou com João Novais e assistiu Tarantini, com o capitão a executar uma grande recepção orientada e a rematar com classe, junto ao poste direito da baliza adversária.

O intervalo antevia uma reacção mais enérgica por parte dos forasteiros, mas seriam os rioavistas a entrar melhor, definindo melhor as zonas de pressão – Geraldes e Novais numa linha mais adiantada, Pelé e Tarantini a comandar uma segunda, à entrada do seu meio-campo.

Foto: Eduardo Carvalho

Com bola, a equipa da casa explorava nesta fase o ataque rápido, com João Novais a emergir na etapa complementar. O 17 evidenciava a habitual mobilidade e simplicidade de processos, gerindo o ritmo de jogo com mestria.

Aos 58 minutos, o médio cruza na perfeição para Marcelo, que cabeceia com estrondo à barra da baliza de Matheus. O controlo do Rio Ave era total, engolindo por completo o miolo bracarense, que vivia exclusivamente dos esticões de André Horta.

Abel Ferreira identificou isso mesmo, lançando Danilo Silva para o lugar de Vukcevic e, pouco depois, Dyego Sousa substituiu Paulinho.

Os visitantes cresceram e, numa incursão ofensiva de Jefferson, o lateral tabelou com Dyego Sousa, que ficaria na cara de Cássio, mas o avançado brasileiro falhou redondamente, atirando muito por cima.

O flanco esquerdo era o corredor preferencial dos bracarenses na tentativa de criar desequilíbrios, explorando o momento de forma de Ricardo Horta e a menor rodagem competitiva do lateral adversário.

A recta final da partida ficou marcada pela incapacidade dos minhotos em ultrapassar o bloco defensivo dos visitados, que controlaram tacticamente até final.

Imagem: Ana Regina Ramos

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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