OPINIÃO: Jogos Perniciosos

Mónica Pinto, 55 anos, Locutora de rádio

Esta semana, para escrever o artigo de opinião sobre um assunto que a todos deve preocupar, procurei ajuda junto de um especialista em informática.

Falo acerca de certos jogos que aparecem online e que têm provocado suicídios e furto de dados pessoais e ameaças de violência a crianças e jovens.

Interroguei o informático acerca das vantagens e desvantagens da Internet que antes demais falou da origem daquela.

A Internet surgiu nos Estados Unidos da América durante a Guerra Fria e o objetivo era criar um sistema que permitisse a troca de informações entre computadores, de forma que nunca houvesse interrupção de dados importantes, mesmo que um dos computadores fosse desligado ou destruído ou que uma das ligações entre computadores fosse interrompida.

Nos anos 90, a Internet encontrava-se já privatizada e a sua ligação à rede podia ser efetuada em qualquer rede informática a partir de qualquer ponto do planeta. A WWW estava disponível para funcionar com qualquer software à disposição dos utilizadores.

Como se depreende, a evolução da Internet foi bastante penosa, tendo o seu “boom” no final dos anos 90.

Ao longo da década de 90, a Internet era usada por bancos, escolas, grandes empresas e estruturas do Estado. Primeiramente, apenas foram criadas páginas básicas onde as empresas se apresentavam ao público, sendo uma espécie de cartão de visita. Em paralelo, as páginas domésticas também foram aparecendo com o objetivo de criar um cartão de visita.

Rapidamente as empresas foram percebendo os potenciais da Internet, desde a necessidade de as pessoas comunicarem entre si, conhecerem-se usando aplicações como MIRC, que de certa forma foi o início das nossas redes sociais.

As empresas passaram a apresentar e a vender os seus produtos pela Internet, aparecendo plataformas como a Amazon ou até a pequena loja de comércio local.

O divertimento também tem um papel fundamental, em que empresas como o YouTube, crescem à custa de vídeos colocados na sua página por utilizadores procurando fama.

Em contrapartida, a Internet tem o seu lado negro, onde todo o tipo de informação é contrabandeado: Filmes, música, aplicações, dados bancários, entre outros.

Na opinião deste informático, que assistiu ao nascimento da Internet e à sua evolução, aquela é uma ferramenta e, salienta, uma ferramenta, que permite, de uma certa forma, ter o mundo na palma da mão, tendo em conta as potencialidades, a quantidade de conhecimento disponível, a possibilidade de comprar um ou mais artigos que se encontra(m) a milhares de quilómetros e recebê-lo em casa, aceder à conta bancária e fazer várias operações sem sair de casa, entre outras milhares de operações que se podem realizar.

Pode-se dizer que a Internet é um organismo em constante evolução e crescimento, um novo universo de possibilidades. Contudo, este novo universo é também uma caixa de Pandora, onde utilizadores mal-intencionados podem furtar-nos dados pessoais e /ou empresariais através de um e-mail ou link, numa página ou download.

A Internet já não pode ser desligada, precisamos dela. Cabe-nos utilizá-la de forma coerente, supervisionando os nossos filhos, pois o fantástico universo da Internet não é um brinquedo.

Sobre os jogos que levam adolescentes a cometer loucuras: Indaguei o técnico informático, para que desse alguma sugestão para acabar com esse tipo de situações. A resposta dele foi perentória: Primeiramente, na sua opinião, não se trata de jogo, porque um jogo é algo divertido, o que não é o caso.

Este desafio grotesco tem por objetivo explorar as mentes mais sensíveis, na tentativa de furtar dados, extorquir e obter os vídeos destes jovens a cometer todo o tipo de atrocidades, para serem vendidos na Internet.

O primeiro caso conhecido é o “SlenderMan”, que data de 2009. Jovens tentaram assassinar amigos e familiares para provarem a existência deste personagem cadavérico de corpo delgado, sem face e vestido com um fato fúnebre.

Em 2013, aparece o segundo caso, a “Baleia Azul”, criado pelo russo Filipp Budeykin. Este aliciava jovens e adolescentes para grupos de suicídio, com a intenção de fazer uma “limpeza na sociedade”.

Em 2018, aparece o terceiro caso, “Momo”. Baseado na escultura de uma “mulher-pássaro”, com aparência demoníaca, esta habita as redes sociais, atormentando com imagens horríveis e respondendo com ameaças a quem lhe envia mensagens.

Estas personagens não são mais que as bruxas, os vampiros, os lobisomens, entre outras menos conhecidas criaturas, que atormentam os nossos antepassados. Os nossos antepassados também cometeram barbaridades em nome destas criaturas.

Porque é que os jovens e adolescentes as receiam ao ponto de aderirem a estes desafios? Desde o início deste século, têm vindo a aparecer nas telas do cinema e dos nossos televisores filmes de grande violência. Filmes como “Saw” e “Hostel” baseiam-se em jogos sangrentos. Pode-se dizer-se que estas ameaças que atormentam os internautas, de certa forma, se assemelham a estes filmes.

Será que os jovens e adolescentes relacionam estas ameaças com filmes deste género e preferem sofrer as imposições receando pela sua vida e/ou de familiares?

Para evitar estes tipos de situações, os pais deveriam estar mais presentes na vida de seus filhos, acompanhando-os nas atividades na Internet, indicando os potenciais riscos.

Os cursos de Informática direcionados para a Internet poderão ser uma forma de consciencializá-los sobre os riscos que esta oferece.

As redes sociais também têm a obrigação de monitorizar os conteúdos e, caso apresentem risco, eliminá-las, evitando assim a sua disseminação.

As autoridades também têm um papel importante no combate a estas ameaças, por isso, devem ser informadas, pois, só assim, poderão localizar a origem destas ameaças e eliminá-las.

Prestem atenção às atividades dos vossos filhos na Internet. Deixem os dispositivos eletrónicos e dialoguem com os vossos filhos. Saiam de casa e promovam os passeios, as brincadeiras ao ar livre, os jogos tradicionais.

Parem de falar com a ponta dos dedos e olhem-se, olhos nos olhos, e conversem com pessoas que estão a centímetros de vós. Não se amarrem ao virtual. Olhem à vossa volta e saboreiem as maravilhas que a vida oferece.

Sejam felizes.

(Este artigo teve a preciosa colaboração de Inácio Moreira – Técnico Informático)

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