OPINIÃO: O Futuro da Educação

Manuel Ramos, 57 anos, Professor

Educação 4.0: O amigo leitor já ouviu falar disto?

Se o leitor não é um estudioso das últimas tendências mundiais em termos de educação, possivelmente, nunca terá ouvido falar nesse termo.

Em Portugal, é a Lei de Bases do Sistema Educativo que cria os fundamentos para o funcionamento da educação. Por exemplo, o artigo 3.º da referida lei prevê que o sistema educativo deve preparar os seus jovens para a sua entrada no mundo do trabalho ao referir na sua alínea “e)” que o mesmo deve estar organizado de forma a “desenvolver a capacidade para o trabalho e proporcionar, com base numa sólida formação geral, uma formação específica para a ocupação de um justo lugar na vida ativa que permita ao indivíduo prestar o seu contributo ao progresso da sociedade em consonância com os seus interesses, capacidades e vocação”.

Mas, como determinar qual será a formação geral e específica necessária para os nossos alunos quando estes saírem da escola? Aliás, como será este mundo? Será que as profissões serão as mesmas? Será que as habilidades que desenvolvemos hoje vão suprir as necessidades destes futuros profissionais?

Para saber as respostas a estas perguntas precisamos avaliar a situação em termos profissionais: Neste momento, vivemos uma fase de incertezas e estamos a passar por uma série de mudanças provocadas por um progresso marcante a nível da informática, nomeadamente, ao nível da linguagem computacional, da internet das coisas, da inteligência artificial, do emprego de robôs e de muitas outras tecnologias, que se somam e complementam para dinamizar cada vez mais os processos da nossa vida atual.

Podemos verificar que a velocidade da inovação nos dias de hoje é cada vez maior, assim como a necessidade de habilidades e conhecimentos a nível profissional.

A satisfação dessa demanda exige facilidades no acesso ao conhecimento, uma conectividade global alargada e pessoas mais criativas, que dominem as STEM (áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e que tenham empatia suficiente para conseguir colaborar em grupos multidisciplinares na solução de problemas.

Dado que a facilidade de acesso ao conhecimento e a conectividade global já são uma realidade (que pode ser evidenciada pelas melhorias sentidas nos últimos anos em termos de linguagem computacional, inteligência artificial, Internet das coisas, os novos “media” e o “Big Data”), a única dificuldade aparente é a formação de pessoas pelo sistema educativo com as características referidas.

Aqui entra o termo que referi acima, o “Educação 4.0”!

Esse termo faz-nos pensar na evolução necessária da educação para enfrentar o desafio das necessidades educacionais das novas gerações! Ele remete para uma educação que começa a responder às necessidades do nosso futuro, onde a linguagem computacional, a Internet das Coisas, a Inteligência Artificial, os robôs e muitas outras tecnologias se complementarão para dinamizar os processos mais comuns da nossa vida.

Nesse desafio, devemos ter em mente que o cidadão do futuro, longe de precisar de saber “tudo” sobre “todos os assuntos”, precisará apenas de ser capaz de lidar com as mudanças, ou seja: Precisará ser alguém que quando necessitar de algo, de um determinado conhecimento ou de alguma habilidade, consiga o que deseja rapidamente, nem que tenha que aprender nessa ocasião.

Para isso, na “Educação 4.0”, a escola deverá deixar de ser um espaço onde os conteúdos são simplesmente transmitidos aos alunos, para ser um local onde o aluno é confrontado com desafios e projetos, preferencialmente em grupo. Dessa forma, a “Educação 4.0” promove o desenvolvimento de competências a nível da criatividade, da inovação, da invenção, da resolução de problemas, da programação, de relacionamento e de colaboração.

Claro que tudo isso, fortemente associado ao desenvolvimento das habilidades relacionadas às áreas da STEM.

Neste conceito, o “aprender fazendo” é a tónica! A aquisição de conhecimentos por si só, perde importância, uma vez que este, no futuro, poderá ser facilmente encontrado. O conhecimento é apenas uma ferramenta e é mais importante que o aluno perceba a utilidade desse conhecimento do que saber reproduzi-lo.

O que pensa o leitor deste conceito?

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