OPINIÃO: E deixo-me ir…

Ana Marques, 20 anos, estudante de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Caro (ou barato, é como queira, não há cá discriminações hoje em dia) leitor da minha humilde informação desinteressante (a minha primeira crónica começou assim, já sinto a nostalgia deambular freneticamente em mim),

sabe o que lhe digo? Dá gosto observar esta secretária repleta de papelada escrita. Apesar da confusão, transmite-me paz. Isto, porque significa que fiz (neste caso, escrevi) sobre pessoas, sentimentos, assuntos que ninguém quer saber, mas que a mim talvez me digam alguma coisa. Às vezes, tem destes dias, e há que desfrutar ao máximo. Se fosse uma secretária a abarrotar de papelada de contas para pagar, tenho a certeza que a conversa seria outra e eu estaria aqui a lamuriar e a querer suicidar-me e a despedir-me de todos vocês – e seria tarde a salvação.

Tenho páginas escritas a vermelho, outras a um azul, outras com anotações para novas crónicas a lápis. Há de tudo, quando a necessidade de transpor para o papel continuar a ser maior que a rigorosa intensidade da beleza estética.

Quando a fonte começa a dar sinais de seca, está aí o caldo entornado, disso posso crer (que raio de mescla fui eu concretizar; pode ser que desse lado não esteja taciturno e me dê este desconto). Quando tal sucede – e alarmo para uma quantidade de vezes que não nos está ao alcance de travar – entra-se num beco que julgamos não haver saída; perde-se, em determinadas alturas, a confiança; e a motivação, por vezes, escapa-nos por entre os dedos sem a conseguirmos agarrar.

Problemas secundários? Quiçá, com exceção daqueles que ganham o seu através dessa fonte. Se bem que, quem é que hoje ainda consegue sustentar-se a si e aos seus, apenas dedicando a sua vida à Literatura? Escassas pessoas, realmente. Só os melhores – e os bimbos, porque eles existem cada vez mais, e vão escorregando aí pelos nichos desesperados pela atenção que os demais não lhes dão.

Agora, fora de alarmismos, ela costuma regressar, vem sorrateiramente ou como um trovão, fugaz e rispidamente sem que lhe queiramos desejar o pior dos males por nos ter abandonado. Nós, inocentes e débeis, bebemo-la de tal forma, que a ânsia de a saciar nos transforma em crentes moribundos, utópicos iludidos. Não que a minha experiência seja aglomerada, excêntrica, enfim, antes fosse!; apenas me debato interiormente, aquando a quando, com estes problemas de seca extrema, de maneiras que uma vez provado esse gosto, daí adiante eu vou querer (e quis) conhecer, instigar e explorar mais deste mundo. Se calhar, sem o paladar autêntico endeusado, sem a capacidade ainda suficiente para tal, mas com a livre vontade de me emaranhar nestas andanças. E deixo-me ir…

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta