OPINIÃO: O King dos Queen

Ana Marques, 20 anos, estudante de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

De uma melodia sublime, algures perdida pela minha playlist, algo até insólito na panóplia que acompanha aquela banda icónica, ressoa-me aquele piano, lentamente, buscando pelo meu ser inferior nesta madrugada gélida. Ao acompanhar, um outro instrumento, uma flauta, um som arrepiante, que me tremelica a espinha da pele.

(Ui…

Dizei-me, que estais a ouvir? Que escutais com tanta compaixão, com tanto ardor, tanta atenção, sem vos importardes quem vos veja, nesse cerrar de olhos tremendamente aliciante e convidativo?)

E eu escuto novamente, para saber dar resposta a tal indagação urgente. Tão urgente quanto o impacto que sinto, que sai de mim por ínfimas partículas sofredoras.

(Sofrereis com ele? Com o autor, os autores, que deambulam nas suas vozes letras trémulas de fazer entornar os choros mais longos dos olhos?)

A voz, suave, toda ela envolvente, busca-me por toda uma vida que não vivi e anseio viver. Recorda-me um passado que me fora roubado, desperdiçado por quem não soubera outrora desfrutar de um século memorável. O restante coro junta-se, estimulam o enredo musical que acompanha o mote inicial, e abre-se-me um paraíso no peito. Solto me, largo os dedos que compõem estas palavras e sorrio ao som de um “How I still love you” que, languidamente, me perturbam na alma (se é que ela existe, se é que ela existe). Oh, quero deixar-me levar por todo este sentimento e sentir-me mais perto de ti, Freddie. De rompante, em oportunidade incrédula, em êxtase impenetrável por quem não te escuta apenas, eu sobrevoo nesse teu planalto inconcebível.

De um momento enternecido, as partes impactantes e mais fortes surgem, mas a voz, aquele ser mísero que viveu o pouco que lhe foi possível, transporta-me a um local desconhecido, lúgubre, cético, embora apaixonante. O conjunto maior e mais cheio transforma-me numa leveza, fazendo-me cambalear por cada nota, cada palavra, cada sentimento.

E, em voz baixa, sem parecer sequer existir, canto sozinha:

Love of my life you’ve hurt me,
You’ve broken my heart and now you leave me
Love of my life, can’t you see…
Bring it back, bring it back…

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