OPINIÃO: Covid-19 – Uma Reflexão Geral ou um Desabafo Pessoal?

Francisco Lima, 22 anos, Licenciado em Direito pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique

A nossa vida entrou numa espiral, num turbilhão de sentimentos, numa polarização de emoções, entre o ‘vai ficar tudo bem’ e o ‘o que é que eu vou fazer da minha vida’. Não gosto de ser pessimista, mas neste ponto, este último estado de espírito é, a todos nós, mais constante.

A filosofia, reiterada por muitos dos chamados ‘life coaches’ das frases feitas, nunca foi tão reconhecida nem nunca teve tanto impacto e significado.

‘A vida muda tanto de um momento para outro’.

‘Não deixes para amanha o que podes fazer hoje’.

É bonito, mas infeliz e inconscientemente sabemos que quando toda esta situação pandémica passar, o ser humano, naturalmente preguiçoso como é, deixar-se-á ficar até ser abatido pela próxima pandemia mundial que, dadas as interações evasivas e descuidadas que temos tido com o meio ambiente, não tardará. Contudo todo este último tópico é demasiado complexo e merecedor de um artigo independente.

Como highlights deste período, marcado pela incerteza, temos as curas miraculosas criadas no seio das redes sociais (que como qualquer assunto impactante e atual, tem que ser forte e ‘cientificamente’ discutido neste tão importante meio), as projeções de novas vagas, vacinas e todo e qualquer tipo de notícias; desde as tão populares ‘fake news’, às mais coerentes e sensatas, por vezes incompatíveis umas com as outras. Não digo isto como crítica ao escritor que a redige, mas porque, e dada a tão atual e não definida situação, nunca sabemos mesmo o que esperar. Neste momento temos apenas uma certeza, que não há nenhuma certeza absoluta quanto ao tão conhecido Covid-19.

Desde que este ser enigmático surgiu – em e como, nem nós sabemos bem pois as teorias e conspirações quanto à sua génese também não ficam atrás das polémicas e curas milagrosas acima mencionadas – tem tido impactos gigantes nas nossas vidas e nas nossas nações, fecharam-se fronteiras, ficamos, mais do que nunca, restringidos ao ‘cada um por si’, tão, neste ponto, necessário e obrigatório, confinados em casa, sem os convívios com os amigos ou então o simples abraço quando nos cruzamos com alguém que já não vemos há muito tempo na rua. Pais a mostrar o lado forte aos filhos e filhos a mostrar o lado forte aos pais, todos com o lema motriz de que ‘vai ficar tudo bem’, com arco-íris desenhados nas janelas, mas todos eles sem saberem ao certo como se devem sentir. Aliás, não há uma forma correta de sentir neste momento, todos estamos a sentir, todos tentamos e reprimimos maus sentimentos, magnetizamos os bons, tentamos transparecer tranquilidade e encontrar a tão aclamada luz ao fim do túnel.

Vou tentar, da melhor forma que consigo, terminar a crónica com uma dessas formas positivas, deixar-vos um bom significado final. E cá vai.

Portugal tem-se portado, dentro dos possíveis, bem, temos que admitir. Já temos países a elogiar-nos, bem como a fazer declarações em nosso benefício, mas Portugal nunca foi só paisagem e foi pena que tivéssemos que ser arrebatados por isto para perceberem. Não é, nem nunca foi perfeito, mas também não é um simples país reduzido às suas praias.

Admito que, e apesar disto, o reconhecimento tardio já não é mau. Temos que agradecer à nossa DGS, bem como e, apesar que nos custe um bocado, aos nossos políticos, que têm agido da melhor forma que conseguem ‘debaixo de fogo’ (pelo menos desta vez). Mas principalmente agradecer a todos os que estão na linha da frente, constante e diariamente, desde qualquer elemento de um Hospital a qualquer funcionário que permitiu e possibilitou que as nossas vidas tomassem um rumo normal, mais uma vez, dentro do possível; bem como a todos os portugueses que, pondo os seus interesses pessoais de lado, ficaram em casa, protegeram alguém mais velho ou alguém de risco. A todos, obrigado! Agora temos que continuar e não rebaixar as medidas de segurança adotadas porque isto, muito infelizmente e apesar de termos tido uma postura reconhecível, ainda não acabou.

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