OPINIÃO: Doenças só de homens!

José Ramos, 70 anos, Médico de Família

Explica Saúde

Hoje vamos abordar duas doenças que só aparecem nos homens – a prostatite e a epidemite. Em primeiro lugar, vamos tratar da próstata, que é uma das glândulas existentes no homem e que pode ser sede de vários tipos de patologias e uma das mais frequentes é a prostatite. O que é?

A prostatite é uma inflamação da próstata que provoca um aumento anormal da glândula, causando dor, desconforto que impede, muitas vezes, a saída da urina. A maioria dos casos de prostatite está associada a infeções bacterianas, mas também pode ser causada por vírus, fungos e outros agentes infecciosos.

Existem dois tipos principais de prostatite: a prostatite aguda (causada por uma infeção, na maior parte das vezes, bacteriana) e a prostatite crónica (que ocorre, naturalmente, com o aumento da idade, mas quase sempre associada a infeções).

De facto, a prostatite aguda pode ser causada por bactérias (E. Coli em cerca de 80%), clamídia, micoplasmas e ainda por outros agentes. Esta infeção pode ser causada iatrogenicamente por uma algaliação e pode ser caracterizada por febre alta, arrepios, disúria (dificuldade em urinar) e polaquiuria (urinar muitas vezes), imperiosidade/dificuldade em urinar e dores intensas a nível pélvico do períneo e ainda na região lombar.

A prostatite crónica é uma causa frequente de aparecimento de bactérias na urina (ou outros agentes) de forma recorrente no homem.

Estes doentes são frequentemente assintomáticos e o diagnóstico pode ser difícil. Normalmente, há febre baixa, dores lombares e mialgias.

Nos exames da urina, encontra-se urina infetada associada às queixas de polaquiuria e disúria.

Relativamente à epidemite, é uma inflamação do epidídimo, que é anatomicamente um tubo espiralado situado na  região posterior do testículo, responsável por armazenar e transportar o esperma. É caracterizado pelo aparecimento súbito de febre alta, dor, rubor e inchaço no escroto unilateral de desenvolvimento muito rápido. Pode aparecer um nódulo no testículo e verifica-se aumento dos gânglios linfáticos da virilha bem como hematúria (sangue na urina) e ainda sangue no sémen.

Na epidemite, há uma dor intensa na palpação do testículo que alivia com a elevação dos testículos mas que irradia para o cordão espermático. Na infeção aguda, pode haver corrimento purulento através do pénis.

Esta infeção pode atingir homens de todas as idades, sendo mais frequentes nos homens mais novos pela Clamídia Trachomatis, pela Neisseria Gonorreia e pelas micobactérias; nos homens mais velhos, mais frequentemente pelas pseudomonas aeruginosa (bactérias que podem ser encontradas nas fezes, no solo, na água e nos esgotos domésticos) e ainda pela E. Coli. Em todas as idades as doenças sexualmente transmissíveis (DST), como a gonorreia ou clamídia, são as infeções que mais ocasionam epidemite, atingindo os testículos, que são infetados, tornando-os duros, dolorosos e com grande aumento de volume e com evidentes sinais infecciosos a que chamamos sintomas de epidídimo-orquite que têm obrigatoriamente de ser tratados.

De facto, estas infeções podem ocasionar profundo mal-estar e ocasionar lesões muito graves em outros órgãos. No caso de a infeção ser causada pela Clamídia Trachomatis, há que ter maior atenção no tratamento devido à possibilidade de esta infeção ocasionar a cegueira.

Fazer a prevenção é fundamental:

Devem-se beber muitos líquidos, preferencialmente água, para evitar a desidratação, fazer uma dieta saudável, evitar ter relações sexuais desprotegidas usando preservativos, evitar o stress, praticar com regularidade exercício físico, ter bons hábitos de higiene, evitar o excesso de bebidas alcoólicas e efetuar exames de rotina.

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