EXPLICA SAÚDE: Ir ao mar – Ir e voltar – Parte II

José Ramos, 70 anos, Médico de Família

De facto, começamos a desconfinar e todos nós estamos mortinhos para apanhar um bom banho de mar e, claro, também do nosso sol deveras maravilhoso.

No artigo anterior falamos da especial atenção que devemos ter com as nossas crianças: Nunca forçá-las a entrar na água, não deixá-las sozinhas, mesmo quando estiverem na água a brincar com colchões de água, e jamais deixá-las brincar em águas poluídas e contaminadas, nomeadamente perto da saída de esgotos.

Também é muito importante evitar zonas não protegidas e praias isoladas sem o nadador salvador.

Não obstante utilizar o protetor solar, é importante saber que, se tiver sensação de queimadura na pele, não se deve utilizar sabão ou sabonete quando tomar o duche, deve-se lavar apenas com água tépida.

No final do dia de praia, nunca deixe de tomar um confortável banho para retirar o sal e a areia que estão agarrados ao seu corpo e, a seguir, aplique creme ou leite hidratante.

Utilizar sempre os contentores para colocar o lixo e, caso não haja próximo, recolha o lixo e coloque-o num saco (preferencialmente de papel), colocando-o, de seguida, no contentor.

Infelizmente, podem acontecer diversos casos mórbidos e temos de saber minimamente o que fazer, nomeadamente, nos seguintes casos:

  • Casos de golpe de calor – É uma queimadura provocada pela exposição prolongada ao sol. A pele está extremamente vermelha, dolorosa, com sensação extremamente desagradável e não raramente há sintomas de febre, dores de cabeça e vómitos. A maior parte destes doentes, quando questionados, referiram não ter utilizado protetor solar.
  • Casos de insolação – Manifesta-se por profundo mal-estar, que se produz, geralmente pela exposição prolongada ao sol, sobretudo a nível da cabeça. Aparecem dores de cabeça, vómitos, desmaio, rubor facial e sede intensa. Nesses casos, devemos colocar compressas muito frias na testa, beber água fresca ligeiramente açucarada com uma pitada de sal, ficar a sombra semideitado em lugar calmo, em ambiente de tranquilidade.
  • Casos de desidratação – Manifesta-se por sede intensa devido à água perdida pela sudorese. Deve-se beber água e sumos de fruta naturais em abundância e permanecer a descansar na sombra.
  • Casos de hidrocução – É uma paragem súbita da circulação produzida pela entrada brusca na água fria. Manifesta-se por desmaio e paragem cardiorrespiratória. Devemos retirar a vítima da água e fazer reanimação (ver os cuidados a ter com os doentes em paragem cardiorrespiratória nos artigos anteriores publicados no Jornal Referência), nomeadamente respiração boca a boca e massagem cardíaca. Ligar o 112 e levar ao hospital.
  • Casos de afogamento – nesses casos, antes de a pessoa se afogar, geralmente debate-se, engole água e acaba por sufocar devido às vias respiratórias estarem inundadas. Devemos retirar a vítima da água e tentar reanimá-la com a técnica boca a boca (não esquecer de tapar o nariz), aquecer o/a afogado e chamar com urgência o 112.

A todos/as muito boa praia!

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