Nuno & Nagyla: A dupla nortenha que enfeitiçou no Got Talent Portugal

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Juntos na dança há onze anos, Nuno e Nagyla foram o par de bailarinos que encantaram o país com as suas coreografias, o seu profissionalismo e talento no programa de televisão “Got Talent Portugal”, onde chegaram à final.

A dançar juntos desde 2009, como dupla integrante do Grupo de Desporto Escolar da Escola Secundária de Águas Santas, na Maia, iniciaram a sua jornada nesta arte muito antes de terem conhecimento um do outro. Para Nagyla, pensar no seu início remete-a até ao Brasil e à salsa, estilo em que se estreou; já Nuno pensou imediatamente no teatro, onde aprendeu as suas bases. Segundo o bailarino, era “interessante poder dançar com uma pessoa que não conhecia de lado nenhum e simplesmente comunicar com o corpo, ter uma conversa através do corpo, e como isso é uma droga”.

Já como dupla, começaram a ter aulas com um professor de Educação Física, começando, nessa altura, a entrar no mundo das competições, nas provas interescolares. Olhando para trás, Nuno admite ter pensado que “a dança era apenas uma diversão, um hobby”, e foi aí que começaram a entrar em competições e “a conhecer pessoas da área e a entender que é possível viver disto, de um sonho”.

Um ano após a sua inauguração neste mundo enquanto dupla, sagraram-se vitoriosos no Campeonato Internacional de Kizomba, “ÁfricaAdançar”. Posteriormente, juntaram-se à companhia de dança Afrolatin Connection, onde aprimoraram o seu conhecimento artístico, não só pelos ritmos africanos, mas também pelos ritmos latinos, ballet e dança contemporânea. Esta experiência ajudou-os a trazer mais criatividade, musicalidade e melhor conexão para o seus shows

Se o início desta dupla já estava a trazer vários frutos, os anos seguintes vieram reforçar o seu sucesso e reafirmá-los no mundo do espetáculo. Nuno e Nagyla sagraram-se campeões nacionais de salsa, ao representar Portugal no “World Salsa Open”, em Porto Rico, dois anos consecutivos (2013 e 2014); os prémios continuaram a chegar e, em 2015, celebram a vitória no Campeonato Mundial de Kizomba – “Kizomba Open” -, em Madrid. Em 2016, venceram o título de melhor coreografia, na gala anual do “The Dance Awards”, em Lisboa, e, em 2018, chegaram à semifinal do “Got Talent Espanha” e foram premiados como “Best Kizomba Dancers” e “Best Show”, pelo “World Kizomba Awards”, sendo que este último celebraram novamente no ano seguinte.

Entretanto, têm vindo a integrar vários painéis de jurados em diversas competições de dança, como foi o caso do Campeonato Internacional de Kizomba.

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Viver da dança dá frutos?

A pedido do Jornal Referência, esta dupla de bailarinos fez quase que uma retrospetiva da sua carreira e admite que, embora já viessem com muito gosto pela dança e muitas bases técnicas, cresceram juntos e todos os dias foram construindo a sua “individualidade”.

Para eles, a dança já sofreu uma boa evolução nos últimos anos, mas não deixam de realçar que continua a ser bastante menosprezada pela sociedade. Para os artistas ainda é difícil viverem desta arte e conseguirem uma boa remuneração ou até mesmo espaço nos principais palcos. Segundo eles, “o panorama melhorou, mas ainda não é o suficiente”. Contudo, nunca se arrependeram de ter enveredado por esta área, porque “dançar sempre foi um sonho”. “Chegarmos onde chegámos é, ainda hoje, inacreditável. Nunca julgamos possível viver do sonho, mas eis que aqui estamos e resta apenas agradecer a todos aqueles que nos acompanharam e que nos permitem viver desta arte que tantos nos realiza”, referem os bailarinos.

Porém, “nem tudo é um mar de rosas”, como se diz na gíria popular; e, neste caso, fala-se dos mais próximos. Devido ao trabalho, Nuno e Nagyla admitem perder alguns eventos e momentos importantes com a família e amigos, muito derivado à incompatibilidade de horários. Ao fim de semana, que é quando a grande maioria das pessoas aproveita para se juntar e desfrutar, estão eles em viagens ou shows. “Obviamente que é custoso, mas qualquer caminho profissional implica os seus sacrifícios e o nosso não é exceção”, afirmam.

Os bailarinos relembraram, ainda, o seu primeiro prémio, em resposta ao pedido para escolherem o seu favorito. Afirmam ser injusto escolher apenas um, porque todos foram importantes e especiais para eles; mas a sua escolha baseou-se no facto de, nessa conquista, terem apresentado a primeira coreografia, como uma brincadeira, criada por eles enquanto dupla – “dois jovens que partilham o amor pela dança”. Nesta apresentação, ambos levaram para cima do palco o amor que têm pela dança.

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Um show na televisão portuguesa

Este ano, surgiu a Nuno e Nagyla uma nova oportunidade de mostrar a sua arte e a paixão que têm por aquilo que praticam: a possibilidade de participarem no programa televisivo “Got Talent Portugal”. Segundo o que disse a dupla ao Jornal Referência, o convite surgiu e foi aceite, tendo em mente que “há um espaço para conquistar para esta arte” e eles querem “fazer parte deste movimento”, visto que a televisão é “uma montra magnífica” onde podem expor o seu trabalho.

Com o término do programa, relembram a sua participação com orgulho e com o sentimento de objetivo cumprido, mesmo que não tenham saído vencedores. Os bailarinos da Maia chegam a afirmar que atingiram os objetivos a que se propuseram e agradecem a todos os que se deixaram emocionar pelo seu trabalho, que “fizeram valer a pena todo este percurso”.

Em conversa com o Jornal Referência, admitem que a exigência foi aumentando com a aproximação à final, tendo a necessidade de, nesse momento, saírem da sua zona de conforto. Quiseram apresentar algo de novo e diferente para a sua última apresentação, o que lhes exigiu cinco horas de ensaios por dia, muito esforço e dedicação. Estava na “hora de arriscar e mostrar mais da sua arte”.

Devido a toda a situação atual do país (Covid-19), o programa sofreu uma paragem, mesmo antes da gala final e, questionados sobre o assunto, a dupla afirma que considerou esta uma pausa necessária para eles, tendo-os ajudado a entender o que realmente queriam fazer dali em diante; e, uma vez que não tinham shows, conseguiram dedicar-se ao programa a 100%.

Agora que acabou, começam a preparar-se para o futuro e para os próximos projetos que possam estar por vir, nomeadamente novas competições e a elaboração de um curso online.

“Parar de dançar é impensável”

Como não poderia deixar de ser, Nuno e Nagyla foram também questionados sobre como se imaginavam num futuro mais distante e a resposta foi bastante simples. Para esta dupla, embora haja a consciência de que o dia em que deixarão de subir a um palco chegará, há também a certeza de que a dança permanecerá para sempre nas suas vidas. “A dança é uma paixão que vem desde sempre e que nos acompanhará no resto dos nossos percursos, sejamos nós bailarinos, professores, coreógrafos… a certeza é só uma e é indubitável – o amor pela dança não morre”, concluem.

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