Celorico de Basto: Jovem realizador no pódio do “Straight 8”

Foto: DR

Um ex-aluno da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e técnico do Núcleo de Tecnologias Educativas da UP viu a sua curta-metragem chegar ao top das 25 melhores do “Straight 8”.

Alberto Seixas, licenciado em Ciências da Comunicação, é um amante da sétima arte. Em 2015, já não realizado a trabalhar em jornalismo, iniciou a sua nova carreira no cinema, mais propriamente através de curtas-metragens. Segundo o artista, esta é uma história um pouco longa para ser contada em poucas palavras, mas “o vício de contar histórias e de construir narrativas” começou precisamente com a sua licenciatura, que foi onde começou a aprofundar o seu interesse pelo audiovisual.

“O cinema e a área audiovisual também permitiam este trabalho de construir narrativas e, melhor ainda, de uma forma totalmente livre, ou seja, sem obedecer a uma agenda de assuntos”, referiu Alberto sobre a sua decisão de mudar o seu rumo profissional. Para ele, trabalhar nesta arte traz-lhe liberdade, a liberdade de poder pegar numa câmara e num microfone e criar algo segundo a sua visão e critério artísticos, o que faz desta arte realmente entusiasmante aos seus olhos.

A mudança que marcou a sua carreira

Após o abandono do jornalismo e com os olhos postos neste mundo do cinema, Alberto Seixas criou, em 2018, a sua primeira curta-metragem, “Um Homem Não é Um Homem Só”, como projeto final do seu Mestrado em Comunicação Audiovisual, na especialização de Cinema Documental, no Instituto Politécnico do Porto. Esta curta, em particular, teve algum impacto para o artista de Celorico de Basto, visto que lhe trouxe o seu primeiro prémio, “numa altura em que ainda colocava muitas reticências”, como melhor curta-metragem, nos Prémios Sophia Estudante, atribuído pela Academia Portuguesa de Cinema.

Contudo, esta sua obra não se ficou por menos e conquistou, ainda, o prémio de melhor documentário no “3in1 Film Fest Festival” e levou com uma honrosa nomeação para Melhor Primeira Obra no “Shortcutz Ovar”.

A este sucesso juntaram-se outros ao longo destes dois anos, nomeadamente, do seu papel enquanto diretor de fotografia de “Bom Caminho” (2017) e “Hunting Day” (2020), bem como o de assistente de som em “Invisible Other” (2016), “Traversings” (2017) e “On N’Est Pas Près D’Être Des Super Héros” e “Vento de Sal”, ambos em 2019.

Em paralelo, trabalhou ainda com alguns realizadores de renome, como é o caso de Steve Harrison, Morag Brennan, Eddy Joseph e Ana Luísa Oliveira.

Apesar de já contar com algumas nomeações a prémios, tendo chegado a conquistar alguns (mencionados anteriormente), o realizador afirma ter ainda “uma carreira muito curta para que isso signifique alguma coisa. Os prémios e as nomeações ajudam a que os filmes cheguem às pessoas e isso é o mais interessante”.

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A grande nomeação

Já em 2020, Alberto Seixas concorre, com a sua obra “Hunting Day”, ao famoso concurso internacional “Straight 8“, que premeia, há vinte anos, os melhores filmes do mundo gravados nesse formato.

Na edição deste ano, que reuniu mais de cem concorrentes de 26 países, o filme do realizador nortenho, considerado um “drama que aborda um dia no percurso de sobrevivência de um homem errante”, segundo o Notícias Universidade do Porto, atingiu o pódio das 25 melhores curtas-metragens.

Questionado sobre o assunto, Alberto revela que foi “como o cumprir de um objetivo, colocado numa fasquia alta”. Tendo ainda acrescentado que, quando o filme estava a ser feito, “o objetivo era mesmo estar nos 25 selecionados e daí para a frente pensar em como poder fazer para que o filme chegue a mais pessoas”.

O artista revela que nunca faltou confiança dentro da equipa, mesmo estando ansiosos por não saberem em que estado iriam as imagens chegar a Londres, uma vez que a película super 8 é bastante sensível.

Visto este ser o último de já alguns sucessos ao longo da sua curta carreira no cinema e no mundo do audiovisual, foi irresistível perguntar-lhe sobre a sua inspiração e de onde a retira. Contudo, esta foi fácil para o realizador: “a inspiração está em todo o lado”. “Normalmente inspiro-me em coisas próximas de mim, da minha realidade. Coisas que vivi ou que me lembro de outros terem vivido. Outras vezes, em pormenores da vida quotidiana”, acrescentou Alberto.

O futuro

Fechado este capítulo tão positivo, Alberto já começou a trabalhar em novos projetos, alegando que, para ele, “a escrita e a preparação de projetos é o que acaba por ser mais fácil, porque é um trabalho que pode ser mais solitário e feito com poucos recursos”.

Não se imaginando a trabalhar noutra área que não no mundo do audiovisual, Alberto Seixas gostava de ter a oportunidade de fazer os filmes que tem idealizados, dentro dos próximos anos, mantendo em mente e acreditando que o cinema é uma arte com um grande futuro.

A pedido do Jornal Referência, o realizador resumiu o seu trabalho em algumas palavras: “crio histórias com uma câmara que tenta ver com os meus olhos. Felizmente, o cinema deixa-me falar em mais de uma frase e, às vezes, só em imagens, que são discursos completos”.

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