OPINIÃO: Meia dúzia de temas

Herman José Ribeiro
  1. Não sei se vos acontece, mas todas as vezes que alguém me fala em tomates vem-me sempre à cabeça o fruto do tomateiro.
  2. Foram descobertos, no Egito, mais de 14 sarcófagos na necrópole de Saqqara com cerca de 2500 anos. É uma ótima notícia para o PSD que poderá muito bem conseguir, para as presidenciais de 2021, um candidato como deve de ser ao nível do partido. Depois da “múmia paralítica”, Cavaco Silva, como lhe chamou Ana Gomes, pode ser agora que um qualquer faraó, das pirâmides do planalto de Gizé, se junte aos demais candidatos. Parece que nestas eleições vale tudo.
  3. Em meados deste mês notou-se uma acentuada subida nos números de casos de infeção por coronavírus e o José Rodrigues dos Santos lançou o seu mais recente livro. Não há maneira de nos vermos livres deste vírus. Já a infeção por covid-19 é sempre chata.
    O livro chama-se “O Mágico de Auschwitz” que pelo título dá logo a entender que a história se passa no Barreiro. Tenho vindo a reparar que há uma certa tendência no uso de “Auschwitz” em nomes de títulos de livros, cito alguns: “O Rapaz de Auschwitz”, “A Rapariga de Auschwitz”, “A Bailarina de Auschwitz”. O Primo Levi deve andar às voltas na sepultura com estes títulos. Fazem parecer Auschwitz uma academia de bailado. Nem quero imaginar como ficaria alguém vestido de tutu em Auschwitz. É o equivalente a ir à broadway vestido de pijama às riscas.
    Com isto tudo, até eu já comecei a escrever o meu primeiro livro: vai chamar-se “50 Sombras de Auschwitz”. É um ensaio sobre a síndrome de Estocolmo na era vitoriana.
  4. Não há uma sem duas: como se não chegasse, Aníbal Cavaco Silva lança também o seu novo livro “Uma Experiência de Social-Democracia Moderna” daqui a uma semana. Nota-se que arriscou no título: “Social-Democracia Moderna”. A única coisa que o Aníbal tem de moderno é não ser moderno. O Cavaco, na sua essência, tem mais de dois mil anos, e já nem estou a contar com a adolescência. É tão antigo que a primeira versão do livro “Uma Experiência de Social-Democracia Moderna” foi escrito em contos.
    O Aníbal considera que “os factos e os dados objetivos” apresentados no livro “demonstram bem que a única experiência governativa portuguesa de aplicação de um conjunto coerente de princípios da social-democracia que até hoje existiu foi altamente benéfica para Portugal e para os portugueses”. Para mim, o cavaquismo foi das melhores coisas que aconteceram a Portugal. O cavaquismo, o salazarismo e a poliomielite.
    A capa do livro tem uma ilustração, em tons de laranja, de um astrolábio. Claramente uma homenagem aos colegas de infância que brincavam com o Aníbal em Boliqueime: o Euclides, Ptolomeu e Hiparco de Niceia, só para nomear os mais malucos. No prefácio fica claro o propósito de Cavaco regressar às origens. Deve andar com saudades da missa em latim. O tempo perfeito para o Aníbal era quando comunicava por gestos e caçava com pauzinhos.
  5. De acordo com o DN, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, está a ser alvo de críticas por ter afirmado que os bairros sociais de Almada têm o privilégio de ter uma “vista maravilhosa” e que ela própria se mudaria “amanhã” para um desses bairros. A Inês de Medeiros tem de perceber que não se pode pôr uma paisagem numa panela. A única pessoa do Bairro a dar atenção à vista sobre o Tejo foi certamente a Inês de Medeiros. Se a tia Inês fosse do Chega, ao invés de apreciar a paisagem, optava por construir muros. Menos mal.
  6. O jornalista Cláudio França fez história este sábado, 26 de setembro, ao estrear-se como pivô negro, com rastas, na SIC Notícias. Com jeitinho o Chega ainda o vai acusar de apropriação cultural. Que maravilha de pivô. Foi tão bom de se ver. Infelizmente, no século XXI em Portugal, isto é “fazer história”. Mesmo assim, é uma grande vitória para nós portugueses. Só temos que estar orgulhos e aplaudir de pé.

Nótula em jeito de recomendação:

Este livro: Vício, de Paulo José Miranda

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