OPINIÃO: uma carta a Coimbra

Márcio Luís Lima, 21 anos, Estudante de mestrado em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

A Coimbra, dos doutores e dos amores,

Uma marisqueira que me leva a memória e recorda os retratos escassos que ainda cá sobejam. Maço de Português à mão de semear e uma revelia quanto às regras de ventilação. Meio dia nas trezes horas, contas mal feitas e o almoço devidamente anotado. Não cronometrado, mas apinhado.

A caloirada soube recentemente das colocações, desejadas ou indesejadas, que a muito custo lá vieram a baile. O frenesim regressa estrondosamente sem espanto, mas com muita novidade ao barulho.

É que o ruído ensurdeceu como uma lavagem aos ossos que estremecem nos berros de crias com cio. Mas o prego no prato, com batata frita e ovo a cavalo vem galopante na mesma.

O molho tresanda a alho, em pedaços, e a álcool. O fino ainda impera na mão direita desatenta, loira e firme, dizimando a peste do calor abafado, tropical em que Portugal se tornou, soltando as amarras da máscara social e/ou higiénica.

Por fim peço a conta e um café, cheio, e tiro um “português” do maço, que me ura para os pequenos goles de contraste de temperatura na língua do paraíso. É um ritual. Sazonal que acontece meramente no instante da nostalgia, ainda assim um ritual.

Certo que cairei em mim, mas o encanto dá-se na distância abismal da saudade, despedidas sem fim e precocemente expelidas da boca pra fora, abrindo um eco surdo que, assim que acontece já se esquece.

Há um tudo que se sucede tão rápido que não permite o café cheio ou o bife de vaca mal passado a galope – há nadas que requerem apenas clichés tabagistas e cerveja barata – nadas que tão rápido se dão em tudo, como um entrega cega, tudo o que foi e é, memória de despedida silenciada.

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