OPINIÃO: sndhwisbsk$<_#

Herman José Ribeiro

Ol+àas,ceew223osmoooo3stã9??SJ”(De#es00%&”G43ghf%”cu. Queiram desculpar-me, mas nem reparei que estava a escrever de máscara. Ando tão maluco com isto da covid que já faço tudo com ela. Infelizmente as máscaras vieram para ficar. As máscaras tornaram-se as cuecas do rosto. Até já me sinto mal quando não estou a usá-las. Fico com aquela sensação de estar a fazer nudismo em locais que não devo. Tenho sempre medo que apareçam crianças. Para mim ver caras sem máscara começa a ser o equivalente a ter conta no Tinder. Começo logo com suores esquisitos quando vejo um nariz todo empinado ou um queixo cheio de personalidade. Quem diria que iriamos chegar ao ponto de vestir a nossa cara. Aposto que a Bershka já começou a vender máscaras à boca de sino e uns decotes para as narinas.

Dito isto, há sempre quem não esteja preparado para enfrentar os novos tempos. Exato, o Lobo Antunes. Mas há mais: pessoas que demoram muito a mudar de máscara. São capazes de andar com as máscaras durante quinze filmes do Manoel de Oliveira. Fartam-se de aleijar as máscaras. Estes tipos são uns verdugos. Até eu que sou um insensível aos sentimentos das máscaras já me começa a incomodar essa atrocidade toda. Estão as máscaras ali à nossa frente a gritar por ajuda e a única coisa que podemos fazer é lamentar. É um sentimento de impotência. Essas pessoas são a Rosa Grilo das máscaras cirúrgicas. Aposto que só mudam de meias quando vão fazer Pilates.

Tenho reparado também que há uma certa fração de indivíduos que penduram as máscaras numa das orelhas. Não percebo o receio delas. É como se estivessem a pôr uma trela na orelha para ela não fugir. Fica ali a máscara a guardar a orelha. E depois quando fazem um movimento mais brusco parecem uns meninos especiais a fazer um número de funambulismo com a máscara.

Outros há que usam as máscaras cinco números acima. Ficam com a cara toda tapada. Dá a sensação que há uma máscara com corpo de humano. De repente surge o humano por detrás da máscara a tentar recompô-la e só se vê umas macacadas com meia cara, que mais parece que estão a meio de um AVC no párpado.

Existem também aqueles energúmenos que parece mesmo que sabem mais da doença do que os outros. São aqueles barrotes que baixam a máscara para falar. Não me digam que também tiram os óculos para piscar o olho. E o chato é que começa a ser comum ver este tipo de insensatez. Cá para mim são as máscaras que se sentem incomodadas quando o energúmeno quer falar.

Tenho uma teoria: sinto verdadeiramente que as máscaras estão a usar as pessoas para se protegerem, e nós nem topamos com esta sobranceria maluca de quem é humano.


Nótula em jeito de recomendação:

Este livro: Vício, de Paulo José Miranda

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