Desportivo das Aves: Do fim ao início

Foto: Frantzou Fleurine /Unsplash

Depois de vários acontecimentos entre o clube e a SAD, a formação de Vila das Aves, pertencente ao concelho de Santo Tirso, mudou de nome para Desportivo das Aves 1930. O clube regressa aos jogos oficiais já este domingo com um plantel e equipa técnica em que o que impera é a mística e o legado de quase 90 anos de história. O objetivo é devolver o clube ao patamar a que está habituado, etapa a etapa.

Os últimos meses do Desportivo das Aves foram caracterizados por tremendas transformações. Do topo ao fundo numa questão de meses, o emblema que ganhara a Taça de Portugal há dois anos, contra o Sporting, e que, na última temporada 2019/2020, terminou em último lugar na tabela classificativa, na qual foi despromovido.

O Aves SAD reprovou, em julho, os requisitos de licenciamento nas provas profissionais de 2020/21 junto da Liga de clubes e dispensou o recurso para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, indica a comunicação social, na sequência de, segundo o clube, “processos interpostos por antigos jogadores e outros clubes, relacionados com a falta de pagamentos laborais e de direitos de formação” e de uma temporada culminada com a descida no relvado à II Liga.

Já a entidade fundadora, presidida por António Freitas e responsável por ações de destituição e despejo dos órgãos sociais da SAD no Tribunal da Comarca de Santo Tirso, refere a mesma fonte, inscreveu uma equipa sénior na II Divisão Distrital da Associação de Futebol do Porto.

No dia 3 de agosto, a FIFA proibiu o ainda Desportivo das Aves de inscrever novos futebolistas, devido às dívidas da SAD avense a três clubes avaliadas em 37,5 mil euros, divulgou a comunicação social. Mais tarde, a 13 de outubro, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol – Secção Profissional condenou o Clube Desportivo das Aves – Futebol, SAD, à subtração de três pontos.

O Desportivo das Aves SAD desistiu da participação no Campeonato de Portugal após ter falhado as negociações com o Perafita para utilizar as instalações do clube de Matosinhos. Nenhum jogador foi inscrito devido a essas mesmas alegadas dívidas.

O clube falhou o encontro com o Berço, jogo a contar para a primeira jornada do Campeonato de Portugal.

No dia 8 de outubro, o Desportivo das Aves assina a escritura da refundação das secções de futebol e futsal. Ambas passam a representar um novo clube: o Clube Desportivo das Aves 1930. Esta criação permitirá que todas as equipas destas duas modalidades possam competir esta temporada 2020/2021, tendo em conta os regulamentos da Associação de Futebol (AF) do Porto. Contudo, o voleibol irá continuar a jogar com a identidade tradicional do Desportivo das Aves, uma vez que pertence a uma federação diferente.

Inicia-se agora um processo de renascimento para o Clube Desportivo das Aves 1930, a partir da mais baixa divisão distrital da AF Porto. Com caras que, na sua maioria, são conhecidas, cânticos que não lhe são estranhos e um emblema que tão bem envergam.

Marco Pinto, guarda-redes, que integrou esta equipa vencedora da Taça de Portugal, regressa ao clube onde criou raízes. Pedro Grosso está neste clube, desde os escalões de formação e que representou o emblema oito temporadas enquanto senior. Este jogador tinha-se despedido faz cinco anos, aquando das mudanças para a SAD. João Pedroso, com 17 anos de idade, representa os avenses desde os quatro, uma vez que percorreu todos os escalões de formação com o símbolo ao peito. Do plantel fazem parte também: Kevinn Douglas, Daniel Alves, Leandro Ferreira, Carlão, Tiago Gouveia, Francisco Carneiro, Bruno Mota, Capela, Rêgo, Bruno Machado, Ruca, Duda, Luís Carlos, Dário Torres, Hugo Dias, Jojo.

Bruno Alves irá comandar a equipa neste novo ciclo do Desportivo das Aves 1930. Frequentou as camadas jovens como jogador e, em França, iniciou o seu percurso como treinador.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta