OPINIÃO: Nós, Pessoas com Opinião

Francisco Lima, 22 anos, Licenciado em Direito pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique

Vivemos em comunidade, existimos de uns para os outros. Somos constantemente postos à prova pelos nossos, pelas diferentes circunstâncias dos diferentes meios onde nos encontramos em cada momento das nossas vidas. Conhecemos e desconhecemos pessoas. Criamos e terminamos relações. Sabemos, por isto e muito mais, que o ser humano é natural e intrinsecamente social, chegando mesmo a ser dependente disso, e o que é de mais é erro.

Somos mesmo estranhos. Sempre fomos, desde os primórdios e das antiguidades, e sempre o soubemos, apesar de agora, por nos armarmos em intelectuais e termos mais informação, constatarmos isso mais fácil e frequentemente. Mesmo quando não temos nada que dizer, gostamos de colmatar uma conversa informal com o clássico ‘a sociedade é mesmo doente’, mas a verdade é que pouco fazemos para a mudar. Contudo, mudamos de opinião, de discurso, a forma de estar e como nos sentimos, e isto acontece consoante o grupo onde estamos, consoante a forma de ver o mundo de quem nos rodeia num dado minuto.

Não menosprezo a importância de evoluir e mudar, isto é algo positivo, concordo, apesar de ainda haver muito que mudar. Como dizem ‘só quem é burro é que não muda’ (apesar de muitos burros mudarem). A verdade é que somos meios que vendidos, mesmo quando nos gabamos por sermos independentes, quando proferimos algo como ‘sou uma pessoa autónoma’ ou – este é boa – ‘tenho uma forte opinião’ – portanto, e segundo o ‘opiniotímetro’, a opinião fraca vai do 1 ao 3, a média do 4 ou 6 e a forte vai do 7 ou 10, cientificamente comprovado, atenção, podem encontrar os vossos aparelhos no supermercado mais próximo.

A verdade é que tudo à nossa volta nos impõe que temos que ter uma opinião, que alguém sem opinião é alguém sem personalidade, e que quanto mais vincada e assertiva a mesma for, melhor. Até aqui acho que tudo bem. A confusão surge quando confundimos o ter com o querer ou conseguir expressar a mesma. E expressar a opinião não tem nada a ver com ter ou não personalidade, apesar da linha ser muito ténue e muitos de nós confundirmos.

Na minha mais forte opinião, medida e comprovada no ‘opiniotímetro’, toda a perceção sobre nós próprios, da nossa personalidade e aparência, advém dos fatores e opiniões circundantes e externos. Criamos a nossa imagem à luz de como os outros nos vêm e daí a perceção de nós próprios moldar-se consoante as diferentes fases da nossa vida. Mesmo quando reconhecemos, como supra previsto, que somos pessoas relativamente autónomas, independentes e confiantes, estas ideias só nos chegam por feedbacks exteriores. Achamo-nos independentes porque a sociedade nos define um padrão do que é ser-se independente, porque os outros nos dizem que o somos. E isto aplica-se a qualquer uma das qualidades com a qual nos definimos e identificamos.

Todos nós precisamos de validação social, de aceitação por parte de grupos e massas, e é por essa aceitação que andamos constantemente a correr, de forma mesmo inconscientemente. É por ela que queremos conhecer novas pessoas, novas culturas e novas realidades; todas estas são sim formas de nos sentirmos integrados num meio. A integração é como uma necessidade básica do ser humano.

Gostava de ser mais independente, por favor digam-me que o sou mais vezes. Obrigado!

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