ESPECIAL EM TELA: Dia Mundial do Cinema

Imagem: Ana Regina Ramos

Dia 5 de novembro é uma data importante para todos aqueles que são apaixonados pela sétima arte. Esta quinta-feira celebra-se o Dia Mundial do Cinema e foi nesse sentido que o “Em Tela” decidiu aventurar-se e procurar algumas informações sobre o estado atual do mercado de trabalho do setor cinematográfico. Foram entrevistados dois alunos da Escola Superior Artística do Porto que contaram a sua experiência no mundo do cinema revelando também a sua opinião e perspetiva sobre o futuro do cinema português.

Foto: DR

Foi desde cedo que Cátia Barbosa se sentiu fascinada pelo mundo das artes. Estudou música e praticou dança, mas o vídeo foi algo que sempre ocupou um lugar importante na sua vida. A estudante vê o cinema como a arte mais completa de todas as artes, visto que exige a junção de vários profissionais de diversas áreas artísticas.

Qual a tua opinião sobre o mercado de trabalho na área do cinema em Portugal?

Em Portugal, não há realmente muita saída nesta área. O ICA (Instituto de Cinema e Audiovisual) tem bastante dinheiro mas na minha perspetiva é mal aproveitado e distribuído. O mercado cinematográfico em Portugal não é fácil, mas, normalmente, os professores incentivam-nos a enviar os nossos trabalhos para o ICA para tentar que eles invistam neles. No entanto, nós (alunos) temos a consciência de que é raro financiarem um projeto. Pessoalmente, sempre investi do meu bolso para os concretizar.

Sinto que o curso de Cinema e Audiovisual é um curso desvalorizado no nosso país e acho que as pessoas, no geral, não têm noção do trabalho e da importância que o cinema tem culturalmente na sociedade.

Houve recentemente um protesto estudantil junto ao Parlamento, devido a uma proposta de lei sobre o audiovisual. Qual a tua opinião acerca deste protesto?

Quem me dera ter estado presente. Faz-me confusão o cinema ser cada vez menos visto como uma arte. Aqui na faculdade temos de estudar o modelo de cinema português, mas, ao mesmo tempo, quando fazemos algo dentro disso, dizem-nos que não é comercial o suficiente para ser vendido.

Acho que não tenho de me restringir ao modelo do cinema português, até porque não me identifico com esse modelo. Hoje em dia, o cinema é visto como um produto para entreter e vender e isso não exige potencial artístico. É triste. O cinema não é uma arte, mas sim um produto e isso é mau. O cinema tem de fazer pensar, tem de ter teor artístico e isso está em falta.

Como futura profissional da área, quais as tuas perspetivas para o futuro?

Continuar a fazer os meus projetos e tentar subir dessa forma. Quero que apostem em mim e que vejam o meu valor artístico. Senão, vou ter de dar aulas, ou dedicar-me ao audiovisual. Mas não é essa a minha primeira opção. Estou a ponderar estudar lá fora depois de terminar a licenciatura. Quero sentir-me realizada e se para isso tiver de ir para fora do país, vou. Depende das oportunidades que surjam.

Cátia Barbosa, 21 anos, Escola Superior Artística do Porto.

Foto: DR

Para Eduardo Cruz o vídeo também sempre fez sentido. Desde cedo que adorava filmar com os amigos, mas foi ao longo do tempo que percebeu que esse hobbie era o seu desejo profissionalmente.

Os apoios que existem para o cinema em Portugal são suficientes?

O apoio que o cinema recebe em Portugal, comparado a outros países, é mau porque não há o apoio que devia de haver. A cultura em geral sofre e não há dinheiro suficiente. Não há tantos filmes a serem feitos como deveriam.

A meu ver, o cinema é das áreas que mais precisa de dinheiro, porque para fazer um filme é necessário muito investimento. Por vezes, alguns artistas fazem-no por gosto e nem recebem. Os profissionais desta área acabam por se dedicar ao audiovisual e publicidade quando não é isso que ambicionam.

Quais as tuas perspetivas de trabalho em Portugal?

Para mim são nulas essas perspetivas, muito menos em Portugal. São poucos os que se imaginam a fazer cinema em Portugal e não é por ser uma escolha, são obrigados a ir procurar propostas lá fora. Para realizar os nossos sonhos temos de sair do nosso país e mesmo lá fora nem sempre é fácil.

Eduardo Cruz, 21 anos, Escola Superior Artística do Porto.

 

Novidades Cinematográficas:

  • O Cineclube do Porto fez 75 anos e continua com uma programação especial até maio de 2021.
  • Até ao próximo sábado decorre o Ymotion – Festival de Cinema Jovem de Famalicão.
  • De 20 a 29 de novembro decorre no Porto o Porto/Post/Doc: Film & Media Festival.
  • Em Espinho, da próxima segunda-feira a 15 de novembro, acontece o 44.º Festival Internacional de Cinema de Animação.

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