Do Porto à Polónia, Helena ajuda a “colocar um sorriso no rosto das crianças”

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Durante doze meses, Helena Caniço, uma jovem portuense, irá realizar um projeto de voluntariado internacional que pretende promover valores como respeito, liberdade, democracia, igualdade e solidariedade.

Helena Caniço, luso-brasileira de 22 anos e natural da cidade do Porto, é voluntária no projeto “Volunteering is Solidarity vol. 2”, do ESC (European Solidarity Corps), na cidade de Wroclaw (Breslávia), na Polónia.

O voluntariado sempre foi algo que quis fazer, mas nunca surgiu a época certa para tal, até que, durante a quarentena, começou a sentir-se “um pouco desmotivada em relação à faculdade e ao mundo” e decidiu que “queria sentir que estava a fazer algo com importância”, pois achava-se “sem rumo”, explica.

Esta aventura internacional também se deveu ao facto de querer “um desafio” e de ter a “possibilidade de falar Inglês 24 horas por dia”, com o objetivo de ganhar alguma “independência”. Além da Polónia, a jovem candidatou-se a vários países, como Itália, França, Suécia, Alemanha e Áustria e, após ter recebido várias propostas, percebeu que o projeto apresentado pela Polónia foi o que a fez pensar que, “finalmente”, tinha encontrado “o desafio” que queria.

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Em declarações ao Jornal Referência, Helena explicou que o processo de candidatura pode ser realizado de duas formas: através do site da European Solidarity Corps, que consiste na realização de um perfil próprio; e diretamente no site da European Voluntary Service, que possui várias opções de áreas específicas e, após a seleção das mesmas, surgirão diferentes alternativas consoante as preferências do candidato. De um modo geral, as associações pedem o curriculum e uma descrição sobre a pessoa e apresentam um questionário em formato Word.

Relativamente à organização Tratwa, que pertence ao projeto em que está a jovem, também pediram uma carta de recomendação em Inglês. A entrevista realizou-se através do Skype e durou cerca de uma hora, sendo que a mesma se focou na diferenciação entre voluntariado e trabalho, nas várias informações sobre o projeto, quais as condições agregadas e qual o funcionamento do mesmo.

Os principais objetivos da organização consistem no desenvolvimento e profissionalização do terceiro setor, no apoio de qualidade a jovens em risco de exclusão através de métodos de educação não formal, a promoção do voluntariado, da consciência intercultural e interjecional, e do respeito mútuo.

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Tratwa é dividido em dois lugares: Czasoprzestrzeń e Legnicka, sendo que em Czaso ajudam o local a florescer e a organizar todo o tipo de eventos, sociais e promocionais, uma espécie de “centro cultural com vários espaços”. O seu escritório está aqui situado e é o local onde elaboram projetos individuais e pessoais, como o projeto da banda, em que estão a produzir faixas, com o “objetivo de construir um EP”, conta a jovem.

A 21 de novembro comemora-se na Polónia o “Dia Nacional da Bondade”, que tem como objetivo: estabelecer um fio comum para o “bem que nos une”, destacando as boas ações da comunidade. Conforme Helena referiu, “a bondade é uma parte fundamental da condição humana que quebra a divisão entre raça, religião, política, género e CEPs”. Este ano, devido à pandemia, os voluntários decidiram realizar um concerto no exterior de um hospital oncológico de crianças, através de um altifalante e de uma grande coluna de som, “aconteceu tudo ao ar livre, com distância de segurança, máscaras e muita boa energia”. Além disso, os voluntários fizeram bolhas ao som de uma trilha sonora, enquanto percorriam o hospital, para que todas as crianças conseguissem ver através das janelas.

A jovem admitiu que este foi um dos melhores dias da sua vida e que ficou muito emocionada, pois “apenas com 10 minutos” teve a capacidade, juntamente com os seus colegas voluntários, “de colocar um sorriso no rosto das crianças que, muitas vezes, não têm oportunidade de interação humana e de ir a um concerto porque se encontram fechadas no hospital”.

Também em Czaco estão a preparar um projeto de Natal, designado de “Caixa Criativa”, que consiste numa caixa dividida em quatro secções: ambiente, criatividade, ciência e vídeos, com ferramentas específicas para cada um destes compartimentos, que será entregue em orfanatos, “para as crianças conseguirem ter uma interação social, de um melhor modo possível” e sentirem que “são especiais para a sociedade e que alguém está feliz ao fazer algo por eles”, salienta.

Em Legnicka, trabalham com idosos e adolescentes, dando-lhes um vislumbre da educação não formal e informal, ajudando também os que estão em risco de exclusão social. As suas atividades semanais incluem aulas de idiomas: francês, italiano, espanhol e inglês, sendo que Helena Caniço leciona inglês avançado; e Language Cafe na quarta-feira à tarde, que é um intercâmbio entre pessoas e línguas.

Como ONG (organização não governamental), a Tratwa tem um papel muito importante na comunidade de Wroclaw, uma vez que, recentemente no âmbito da pandemia da Covid-19, com o auxílio dos voluntários, costuraram máscaras para pessoas necessitadas, que não as podiam pagar e ofereceram suprimentos de comida às que não podiam sair de casa. Também devido ao coronavírus, realizaram um projeto em parceria com a associação Cáritas, no Verão, que se baseava na recolha de comida, para os sem abrigo e pessoas afetadas pela pandemia. Devido à forte adesão a esse mesmo projeto, decidiram implementá-lo novamente no Natal, para esse mesmo grupo de pessoas e com a ajuda do exército, sendo que consistiu em duas mil caixas.

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O projeto “Volunteering is Solidarity”, em que Helena está inserida, é composto por doze voluntários, de cinco países diferentes: Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha, sendo que a jovem foi a única portuguesa escolhida e sente-se “orgulhosa por representar o seu país, mesmo de um modo pequeno”. A portuense contou que encontrou uma loja que vende produtos portugueses, como tremoços e pasteis de nata e que os comprou para dar a conhecer aos colegas algumas tradições do seu país.

Segundo a jovem, a adaptação não foi difícil, visto que possui uma “boa rede de segurança”, na medida em que não está sozinha. No entanto, considera que o mais complicado é a língua, visto que a maioria das pessoas fala Polaco, e que teve uma espécie de “choque cultural” porque a Polónia é um país cristão, sendo que é proibido o aborto, e há cidades, em que é proibido haver comunidades LGBT.

Helena Caniço admite que gosta de ser a única portuguesa porque, quando conquista alguma coisa, sente que o “faz por Portugal”. O seu objetivo é conseguir aproveitar esta experiência ao máximo e criar algo “incrível e mágico”, visto que acredita que “o céu é o limite” e mal pode esperar para “lá chegar com todas essas pessoas incríveis”.

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