OPINIÃO: O futuro não é convencional

Pedro Ferreirinha, 24 anos, Consultor Fiscal

Participei recentemente, a convite da Iuris FDUP Junior, numa sessão com os alunos da Faculdade de Direito do Porto, onde partilhei abertamente a minha experiência e deixei conselhos relativamente ao ingresso no mundo laboral.

Da sessão, surgiram inúmeras perguntas, uma das quais, ainda que facilmente respondida, continuou a ecoar no meu pensamento até aos dias de hoje: “Vale a pena apostar num percurso profissional em áreas não convencionais?”.

Primeiro, é importante referir que o nosso sistema de ensino prepara os jovens para profissões específicas e não para a resolução de problemas. Tendo em conta que 65% dos alunos que estão hoje a entrar para o ensino primário provavelmente irão trabalhar em profissões que ainda não existem (segundo estudo do World Economic Forum), significa isto que estamos, infelizmente, a preparar os jovens para o passado e não para o futuro.

Segundo, sendo o direito uma ciência clássica, parece, à partida, absurda a aposta em áreas pouco usuais. Todavia, é errado este pensamento.

Vivemos numa época onde as tecnologias, aliadas ao fenómeno da globalização, estão a alterar radicalmente os comportamentos das pessoas e das empresas, levando ao aparecimento de novos modelos de negócio, novos paradigmas, novos playing fields e, por isso, também novos desafios jurídicos. Obterá, por isso, melhores resultados, aquele profissional que esteja dotado de um leque de valências não convencionais.

Terceiro, é comum encontrar hoje inúmeros colegas frustrados. Seja por não se conseguirem destacar profissionalmente, seja por dificuldades de adaptação face ao constante frenesim legislativo, ou por trabalharem em temas que não gostam, num permanente loop, que poderá ser equiparado a uma escravatura moderna.

Por fim, numa altura em que existem cerca de 66 mil jovens licenciados à procura de trabalho (dados do jornal Observador), devemos pensar seriamente no caminho menos percorrido.

Perante uma realidade de massas, em que anualmente se formam centenas de profissionais, devemos hoje, mais do que nunca e sem medo, apostar em novos caminhos, os quais acarretam mais riscos, mas também mais oportunidades.

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