OPINIÃO: Consciência ajuda ao respeito

Márcio Luís Lima, 22 anos, Estudante de mestrado em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Crónicas Avulso

Como perceber se uma determinada pessoa carece de respeito e educação? Nas pequenas coisas, como por exemplo: a maneira como trata os empregados do café enquanto cliente, no simples ato de retribuir o “bom dia” ou “boa tarde” antes do pedido. Na forma como trata os filhos, ou os pais, ou o marido/mulher/namorada(o) em público. Outra das formas, que particularmente me enerva, são aquelas pessoas que nunca respeitam os horários das lojas. Não me refiro a clientes esporádicos que nunca entraram num determinado sítio, desconhecendo o horário (ainda que por vezes seja demasiado óbvio, como por exemplo a hora de almoço ou a hora do fecho, que agora mais do que nunca com as novas regras de confinamento, está vincado e de conhecimento geral). Refiro-me aos clientes regulares que fazem questão de entrar loja adentro com o mínimo de respeito, observando cortinas cerradas, luzes apagadas e o empregado claramente a sair pela porta e perguntam em tom solene: “já vai fechar?”

Na maioria dos casos o empregado não consegue simplesmente responder sarcasticamente ou mandar “dar uma volta” … especialmente porque são clientes frequentes. Então, o empregado vê-se moralmente obrigado a voltar a ligar as luzes, atender a “senhorita” com cara de atum estragado e sorrir-lhe, escondendo as verdadeiras intenções de a estrangular ali mesmo. Entretanto a cliente solta um “não sabia que fechavam agora” como quem diz “então tu, ò simplória empregadita, vais-me dizer que também almoças? Só faltava dizer que também tens uma casa e família, que descaramento! Eu achava que vivias debaixo das caixas no armazém e que foste criada para me satisfazer as necessidades.” Não, minha cara abécula, tu é que sofres de um problema conhecido por “falta de respeito”, “ignorância”, “imbecilidade”, “estupidez” ou simplesmente “néscio”.

Se o leitor sofre deste problema é capaz de se sentir ofendido com esta crónica e ainda bem! Espero genuinamente que bata com o pé contra uma parede e levante a unha do dedo grande, mas só o suficiente para ter de ir ao hospital arrancar o resto… é deveras triste observar tanta gente com a arrogância de “o cliente tem sempre razão, por isso serve-me”.

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