OPINIÃO: AbStRaTo

Romão Rodrigues, 20 anos, Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

A dança. O solo. As marcas em tom de verde que dele brotam. A acalmia. As brisas, os sopros, os assobios atmosféricos. A plena organização aquando de uma observação superficial. As cinesias (não) deliberadas, as melodias compostas e inscritas na própria invisibilidade. As epifanias compostas pelo autóctone e orgânico. A densidade, o contentamento, o olvidar de uma (diminuta) parte de éden azul. À descrição – contemplação, com argamassa de palavras – devemos este e outro universo.

Por vezes, enleia-se o desembaraço de um simples avistar com o devido processo de transladação. Quem diria que da ambiência rural se realizaria uma interpretação análoga à (in)expressão?

Ainda não mencionei o abstrato. Nem sei como classificá-lo. Plausível ou redutora (a preocupação)? Imaterial, imóvel, metafísico, vago, impreciso, especulativo (o nome comum)? Dissertar sobre a exclusividade que reside neste parágrafo não é moroso, creio; tarefa mais hercúlea é recarregar a arma do diálogo com as suas munições, creio. Depende de pessoa para ser humano, creio. Ou pode, simplesmente, estar já erigida uma das duas tendências, creio.

(Perdi o momento anterior. Quer dizer, não perdi. Encarcerei-o numa redoma distinta. Não abracei a continuidade nem grudei a ideia inicial e mentalmente concebida. Concebida não. Refletida, cogitada. É possível que a arte da conceção se tenha ilhado).

Acredita-se, vezes sem conta, naquilo que nos impinge à análise e ao ato de esmiuçar. Porque acreditar… Ai, acreditar! Acreditar é abstrato? Talvez seja. Firmo aí o meu credo.

(Ainda há espaço – ou tempo – para mais uma associação? Espaço ou tempo? Numerei erroneamente as indagações? Creio que não. Permanecemos no domínio do impalpável? Perfuramos o espetro antónimo? Esta última entra para a contagem? E esta? Se as questões adentrarem pelo ritmo visível, perfila-se o traçar de uma circunferência. Como saio daqui?).

Voltemos ao hula da grama terrestre e aérea. Afinal, é uma forma de expressão.

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