OPINIÃO: Crónico ou Anacrónico?

Márcio Luís Lima, 22 anos, Estudante de mestrado em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Crónicas Avulso

Semana atarefada a nível pessoal – felizmente não me esqueci de respirar porque não creio que isso seja possível, ainda que tantas vezes me sinta a sufocar. Desde o ano passado até agora (ainda decorrendo), há um certo clima estranho que paira sobre todos os acontecimentos. Não posso afirmar que isto tenha sido resultado de alguma patologia psicológica, mas parece-me, por outro lado, que há uma enorme mudança a gerar-se de dia para dia.

Uma nébula conspira contra as memórias a curto prazo e, simultaneamente, um vento terno traz à tona velhos pensamentos que julgávamos esgotados do nosso cérebro. Sinto-me num limbo resiliente em que o passado me alcança no presente e o próprio presente não me quer alcançar. A mobilidade diminuída constitui um entrave face à criação de novas memórias, assim sendo, uma das mudanças que se pode suceder será a da própria interpretação da realidade.

Quando olho para a semana que passou suspiro, de cansaço, mas pensando objetivamente há uma lacuna de acontecimentos: como é que saltei de lá para cá? Algum lapso de tempo? Certamente não porque me recordo da dolorosa passagem das horas. O que não me recordo fora o seu preenchimento, como se o ponteiro dos relógios carecesse de ponteiro de segundos e os minutos saltassem de lugar – sem mecanismo, antes uma metamorfose do tempo.

Recordo-me da leitura de “Se isto é um Homem” de Primo Levi, e de “O Homem em Busca de um Sentido” de Viktor Frankl, principiar o “Para além de Bem e Mal” de Friedrich Nietzsche; assistir aos filmes “The Hunt” (2012) e “Trainspotting” (1996) e “T2 Trainspotting” (2017); descobrir o álbum “Violet Bent Backwards over the Grass” da Lana del Rey; vibrar com os jogos de Portugal (inclusive o jogo dos sub-21). E certamente mais coisas que me escapam – somando tudo até pode parecer muito para uma semana, mas sinto que falta alguma coisa, uma certa “cola” ou um “cimento” que junte os blocos num certo tempo cronológico, no entanto, tudo me parece anacrónico, solto…

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