Dança é o “refúgio” de duas jovens de Gondomar em pleno confinamento

Foto: DR

Lara Ribeiro e Gisela Fernandes, duas jovens de Gondomar com 19 anos, descobriram muito cedo a sua paixão pela dança. Devido ao confinamento imposto pela pandemia da Covid-19, várias escolas de dança, coreógrafos e bailarinos de todo o país estão a tentar adaptar a modalidade ao mundo virtual, o que se adequa a ambas as dançarinas e às respetivas academias das quais fazem parte.

A jovem Lara, da freguesia de Rio Tinto, Gondomar, é dançarina de hip hop no grupo “New Dance Project” e considera que a sua modalidade se adaptou bem ao ensino online, visto que “é um estilo livre que se carateriza pela sua versatilidade, sendo que não é necessário muito espaço em casa para se realizar uma boa coreografia”.

Apesar de alguns “problemas de conexão à rede e de som”, a sua maior dificuldade centrou-se na “câmara invertida”, ou seja, em “ver os movimentos do professor de forma oposta”. Ainda assim, não acha que tenha saído da sua zona de conforto com este método de aprendizagem, pois “o método de ensino à distância só redobra a atenção relativamente a esses pormenores”, conta.

Foto: DR

Por outro lado, Gisela Fernandes, da freguesia de Baguim do Monte, Gondomar, é dançarina de contemporâneo na academia de dança “Bodhi Place” e optou por não realizar as aulas online, visto que se sentiu muito triste pela falta que “as correções, as coreografias em grupo e a adrenalina em ensaiar para alcançar um objetivo” lhe suscitaram. Além disso, considera que o contemporâneo não se adapta tão bem ao ensino online, uma vez que “é uma modalidade que exige muito sentimento, espaço para realizar os movimentos, muita união de grupo e não fazia sentido dançar algo que é em grupo e estar cada um em sua casa”, mas Gisela juntamente com as suas amigas aguardam “ansiosamente” para voltarem “a dançar todas juntas e mais fortes”.

Apesar de não frequentar as aulas online, a jovem de Baguim do Monte não parou de dançar porque sente que esta atividade a faz “descontrair”, então, sempre que tem oportunidade para fazê-lo, põe “um bocadinho de música” e tenta “fazer alguns movimentos”: “sempre tive esta febre da dança desde muito nova e quem dança uma vez e sabe o quão bom é dançar, nunca irá parar de dançar na vida”.

Foto: DR

Em declarações ao Jornal Referência, Lara admitiu que, durante os dois confinamentos, teve “muitos picos, altos e baixos”. Relativamente ao confinamento de março 2020, ocupava os seus dias a dançar: “era um refúgio, uma forma de expressão daquilo que sentia, transferia toda a minha energia para a dança”. No entanto, a partir do confinamento de janeiro 2021, sentiu-se mais desmotivada, pois encontra-se a ter aulas do ensino superior, o que “mudou” a sua “rotina”, mas o facto de “pensar” que se irá “divertir, estar com os seus amigos e professora virtualmente, que vão dançar e expressar o que sentem, acaba por ser uma grande motivação”, principalmente por fazerem “imensos trabalhos” e expressarem aquilo que estão “a viver”.

Ao longo do primeiro confinamento, a dançarina de hip hop sentia que a sua resistência tinha “aumentado bastante”, porque se dedicava “à dança praticamente todos os dias” e toda a sua “energia estava depositada na dança”, enquanto mais recentemente as suas responsabilidades são diferentes – principalmente devido às aulas da faculdade – e, assim, acaba por ter falta de uma “rotina diária e de atividade física e, portanto, a resistência acaba por não ser a mesma”.

Gisela Fernandes sentiu que “a resistência, massa muscular e flexibilidade” sofreram alterações, mas salienta que “é a dança que consegue recuperar as forças” e que estar na academia juntamente com as suas amigas “é das coisas mais gratificantes” que tem na vida.

A dançarina de contemporâneo considera que esta atividade tem vários benefícios para a saúde mental e que ajuda as pessoas a esquecerem-se dos seus problemas: “a dança é a linguagem da alma e, portanto, eu acho que conseguimos transmitir a raiva e a frustração de estarmos em casa e, além disso, conseguimos libertar todas as nossas emoções”.

Lara Ribeiro também acha que a dança ajudou bastante as pessoas a ultrapassar o confinamento, que contribui para o bem-estar e saúde mental de cada um e quer acreditar “que esta fase de pandemia tenha trazido à dança mais adeptos, mais pessoas a querer experimentar aulas de dança, nem que seja somente por entretenimento”, porque: “acaba por ser um refúgio, um momento só nosso em que podemos expressar aquilo que sentimos sem precisarmos de palavras”.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta