Pedro Chagas Freitas em Penafiel

A inauguração do Continente em Penafiel, na semana passada (dia 30 de julho), trouxe a Penafiel, o escritor Pedro Chagas Freitas que apadrinhou uma das lojas do estabelecimento, a loja “Note!” e deu uma sessão de autógrafos, promovendo o seu mais recente livro: “Queres casar comigo todos os dias, Bárbara?”.

Perante dezenas de pessoas que entravam apenas para irem às compras, existiam também aquelas que comentavam a vinda do escritor Pedro Chagas Freitas a Penafiel. Cerca de 30 pessoas, entre crianças, idosos e adultos, formavam a fila que dava direito a um autógrafo, um pouco de conversa e um cumprimento ao autor de “Prometo Falhar”.

Pedro Chagas Freitas esteve também à conversa com o Jornal Referência e explicou que em tudo o que fez, faz e pensa vir a fazer, a escrita tem de estar sempre presente, sendo esta uma necessidade que o ajuda na busca pela felicidade. Pedro afirma também que vive na Lamecholândia “para dizer que os homens não são brutos nenhuns, os homens também têm sentimentos, também sentem e, muitas vezes, têm dificuldade em demonstrar esses sentimentos, mas eles estão lá. Portanto, ser um homem a escrever estas obras é muito mais desconcertante do que se fosse uma mulher.”

Estava a contar com o sucesso que tem tido com as suas publicações?

Sim. Antes do “Prometo Falhar” já tinha, julgo eu, 50 000 pessoas a seguir-me… já seria de esperar, mas com tanta força, se calhar, não! Foi ali uma espécie de explosão… e teve tanto de esperado com de inesperado. Portanto, isso, se calhar, deu-me oportunidade, ou deu-me a possibilidade de gerir melhor o que estava a acontecer. Se não estivesse nada à espera, era mais difícil. Assim, já esperava, ao mesmo tempo que não esperava, no sentido, que, com tanta força, se calhar, não.

Porque é que acha que isso aconteceu?

Aconteceu por um somatório de razões, desde logo, porque os livros anteriores tinham muita procura, mas tinham pouca oferta, isto é, os livros não chegavam à livraria e, como não chega à livraria, é mais difícil de vender, como é evidente… as pessoas tinham que encomendar online e era muito mais complicado. Essa é logo a primeira razão.

Com o “Prometo Falhar”, a distribuição é muito melhor, é muito maior, o livro está em todo o lado, em todas as superfícies e isso faz com que, evidentemente, tenha mais sucesso em termos de números.

E, depois, também o tal número grande de pessoas que já me seguiam, seria quase incontornável acontecer isto. Portanto, se há muitas pessoas, imagine, se há 150 pessoas que seguem-me, é natural que, pelo menos, sei lá, 10%, se comprarem o livro, já são 15 mil, que era algo que eu imaginava que pudesse acontecer, mas, como disse, com tanta força não. Mas a grande razão entre os anteriores e o “Prometo Falhar” é, sobretudo, a distribuição.

Há outra coisa também importante, que julgo que não referi, que é a temática. As pessoas gostam muito de temáticas relacionadas com o amor, identificam-se muito. Dizem que “isto até podia ser a minha vida também” e isso cria uma identificação que permite, ou que faz com que as pessoas se envolvam com o livro e, no fundo, a arte, seja ela qual for, música, pintura é aquilo que nos envolve. Se oiço uma música, é uma música que me envolve, que me interessa. E o “Prometo Falhar” permitiu isso de forma clara, parece-me evidente.

De onde vêm as suas inspirações?

Vêm de tudo. Eu gosto de olhar à volta, gosto de ver as pessoas, o que elas dizem, o quê que elas pensam… portanto, por exemplo, aqui este local público é um local de grande inspiração, porque tem aqui centenas de vidas e é muito interessante perceber como é que estas vidas se cruzam e o que é que estas vidas querem e o que é que estas vidas sentem e, no fundo, é isto que me alimenta… é andar no mundo e perceber, ouvir aqui e ali algumas frases; essa frase pode levar a muitos lados, olhar e perceber a forma como as pessoas se olham, a forma como as pessoas sorriem… portanto, tudo isso é interessante porque a mim interessa-me mais esta realidade dos nossos dias, a realidade pequenina, muito mais do que a realidade grande, os grandes feitos, da pessoa que vai à lua… interessa-me muito mais esta realidade, se calhar, mais normal, porque eu acho que o extraordinário é isto, é nós estarmos aqui a fazer aquilo que toda a gente pode fazer e, no entanto, cada um sente de maneira diferente aquilo que está a viver neste momento… cada uma das pessoas está a viver uma realidade diferente, apesar de estarmos todos na mesma realidade e isso é que me fascina!

Para além da escrita, a que é que se dedica?

Neste momento, tudo o que faço é relacionado com a escrita. Escrevo para jornais, escrevo para anúncios de publicidade, são coisas que eu sempre fiz, sempre escrevi. Dou aulas de escrita criativa… portanto, tudo o que eu faço, neste momento, é relacionado com a escrita e isso é uma felicidade tremenda, é o que eu sempre quis fazer, estava 100% direcionado para a escrita, entretanto, fiz 1001 coisas e, lá está, permitiram-me ter alimento para a escrita. Mas, neste momento, tudo o que faço é relacionado com a escrita e é uma felicidade!

Se não trabalhasse com a escrita, a que outra área é que gostaria de se dedicar?

Não faço ideia! Eu já fui 1001 coisas. eu já fui jogador de futebol, eu já fui barman, estive na porta de uma discoteca, decidia quem é que entrava, aquela coisa horrível. Portanto, eu já fiz tanta coisa, já fui nadador-salvador e, se calhar, ainda vou fazer muito mais coisas, não faço ideia. Sei que, no meio disto tudo, seja lá o que for que eu vier a fazer, vou estar sempre a escrever! Eu nunca deixei de escrever, fizesse o que fizesse e nunca vou deixar de escrever, faça o que fizer! A escrita há de estar sempre presente, daí, eu dizer às pessoas, às vezes, quando dizem: “Ah! Eu não tenho tempo! Não tenho tempo para escrever!”; arranja-se sempre tempo para tudo! Acordamos meia hora mais cedo, ou deitamos meia hora mais tarde. Conseguimos arranjar aquele espacinho para escrever e, em meia hora, nem que eu escreva meia dúzia de linhas, ao fim de um ano, já tenho muito texto e tenho uma obra que pode ser interessante! Está tudo nas nossas mãos! Eu já fiz 1001 coisas, continuei a escrever e vou continuar sempre!

O que é que significa a escrita, para si?

A escrita é aquilo que eu sou e, ao mesmo tempo, não é nada daquilo que eu sou. E isto, às vezes, as pessoas ficam um bocado confusas, mas é muito simples de perceber: eu acredito que o génio é aquele gajo que sabe viver, não é aquele gajo que sabe escrever ou aquele gajo que sabe pintar… esse não é génio nenhum se ele só fizer aquilo, se perder o viver por causa disso. Portanto, a mim, interessa, acima de tudo, viver bem, ser feliz, depois, a escrita vem um bocadinho na sequência dessa minha procura da felicidade, porque eu, quando escrevo, está a ajudar-me muito a gerir enquanto pessoa. A escrita é uma necessidade para mim, portanto, se eu quero ir à procura do que me realiza, do que me faz feliz, de viver bem, eu tenho de escrever também.

Agora, as pessoas, às vezes, dizem: “Escrever é a minha vida!”… é, mas, ao mesmo tempo, não é nada! Interessa-me viver muito mais do que escrever!

Porque é que diz que pertence à Lamecholândia?

Quando eu digo a Lamecholândia é a vertente mais emocional que todos nós temos e que algumas pessoas têm medo em assumir, sobretudo, os homens. Têm muito pudor em dizer que se emocionam, que se emocionam com um livro, com um abraço… é muito mais difícil para um homem assumir o seu lado emocional. E, quando eu digo isso, é para derrotar um bocadinho isso, é para dizer que os homens não são brutos nenhuns, os homens também têm sentimentos, também sentem e, muitas vezes, têm dificuldade em demonstrar esses sentimentos, mas eles estão lá.

Portanto, ser um homem a escrever estas obras é muito mais desconcertante do que se fosse uma mulher. Uma mulher nós já esperamos que ela tenha essa capacidade de expor o que sente. É normal nós vermos à saída dos cinemas de uma comédia romântica uma mulher que pode vir a chorar… é normal, emocionou-se! Mas o homem já é muito raro ter essa coragem e eu devo ter a coragem de assumir esse lado lamechas e dizer que vivo na Lamecholândia, o que não quer dizer que seja só lamechas, porque senão também é uma seca! Ter um lado lamechas é importante, mas também temos de ter outros lados com mais adrenalina com mais agressividade positiva até… não tem mal nenhum!

Pedro Chagas Freitas em Penafiel - agosto 2015

Ana Regina Ramos e Hugo Pinto

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