OPINIÃO: A eterna luta pela liberdade

Na semana em que Angola pede o resgate ao Fundo Monetário Internacional (FMI), é de relembrar os 17 ativistas presos e condenados por atos de rebelião a 28 de março deste ano. Distribuídos por cinco prisões, sem as mínimas condições à sobrevivência humana, é acrescido o facto de Nuno Dala, um dos ativistas presos, estar em greve de fome há praticamente um mês. O chumbo do Parlamento Português à condenação destes ativistas, revela a imensa hipocrisia que surge por parte de determinados partidos políticos portugueses (o que não aconteceu no caso do Parlamento Europeu, em que foi aprovada por larga maioria a resolução que condena a constante violação dos direitos humanos por parte do estado angolano). O Partido Comunista Português, por exemplo, justifica o chumbo à proposta feita pelo Bloco de Esquerda, devido à soberania judicial angolana e como esta proposta poderá fragilizar algumas relações diplomáticas entre os dois países.

José Eduardo dos Santos está no poder desde 1979, e lutou com o Movimento Popular de Libertação de Angola pelo fim da dominação de Portugal sobre a Angola; faz agora o inverso, fechando as portas à liberdade de expressão e tentando silenciar quem expressa uma opinião diferente da sua. É de notar que o único crime cometido por Luaty Beirão e os restantes ativistas foi, de facto, ajudarem a expor a corrupção e a ditadura envolvidos no monopólio financeiro da família de José Eduardo dos Santos.

Este segundo apoio do FMI a Angola no espaço de sete anos pode pôr a descoberto todas as jogadas de “Zé Du”, ou simplesmente tapar ainda mais buracos financeiros (segundo declarações do ministro das finanças angolano, terá apenas o envolvimento do extended found facility, que envolverá mais dinheiro durante um maior espaço de tempo, não sendo, portanto, um resgate do FMI). É tempo de analisar como o regime de Eduardo dos Santos o porquê deste pedido, não esquecendo, no entanto, que em cinco prisões angolanas estão detidos pela sua suposta livre opinião 17 seres humanos, algo que, em Portugal, é consagrado como direito deste a primeira constituição pós-25 de Abril.

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