“Venham +5”: A somar para o futuro profissional

“Venham +5” é o nome de uma iniciativa de carácter educativo, direcionada para estudantes do ensino superior, secundário e encarregados de educação. Para já, as portas do projeto ainda são online, mas o objetivo é ter um local físico na zona do Porto. O Jornal Referência esteve à conversa com Soraia Rodrigues, a fundadora do projeto.

Ajudar os jovens no percurso académico

Ser jovem não é tarefa fácil. São muito mais de cinco as mudanças e decisões a tomar… e muitas delas têm a ver com a vida profissional, começando logo no ensino secundário, na escolha de um curso da faculdade. Já na universidade, a preocupação é a entrada no mercado de trabalho, elaboração de currículos e muito mais que tira horas de sono a qualquer finalista.

Soraia Rodrigues, mestre em Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Aconselhamento, apercebeu-se, no seu último ano de faculdade, que tinha de se envolver em seminários, formações, voluntariado, entre outro tipo de projetos, para poder valorizar-se como profissional. No entanto, Soraia acredita que “os jovens não são sensibilizados para isso desde cedo”. “Às vezes, os alunos chegam a um sítio completamente novo, sozinhos e começam a perceber que as notas são completamente diferentes daquilo que conseguiam até então e há jovens que têm muita dificuldade em lidar com isso”, explica.

Por este motivo, a psicóloga criou, em janeiro deste ano, o “Venham +5 – Segredos de Estudante”, uma “ferramenta de apoio” que não pretende substituir os gabinetes de estudante, mas, sim, “ser um complemento a esses serviços”. “Em vez de ter um gabinete para milhares de alunos, se calhar, se tivermos dois, até conseguimos dividir mais ou menos as coisas e chegar a mais pessoas”, acredita Soraia Rodrigues.

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Foto: Soraia Rodrigues

Os textos escritos no blogue são da autoria da criadora do projeto e resultado da sua experiência pessoal na área e alguma pesquisa, mas Soraia quer ir além da figura de uma psicóloga, porque acha que se tiver essa referência, “espanta as pessoas”. “Se as pessoas souberem que está uma psicóloga à frente do projeto, quem precisar ou sentir que precisa vai me perguntar se eu dou consultas, por isso, a minha lógica é tentar ser mais positiva, do género: tu tens pontos fortes, vamos pegar neles e desenvolver isso, em vez de olhar para o resto”, explica. A coordenadora do projeto quer que seja “um apoio individual a todos os níveis” e que os estudantes “estejam à vontade para pedir ajuda”.

Mas “Venham +5” o quê?

“Venham mais cinco exames, que eu faço, venham mais cinco cadeiras que eu faço tudo e sou capaz de tudo”, explica Soraia o nome do projeto.

O “Venham +5” pretende englobar um:

  • Apoio individual (psicologia);
  • Aconselhamento de carreira e apoio à elaboração de CV;
  • Apoio específico a estudantes de Erasmus, como a integração na cidade por estudantes voluntários ou guias da cidade traduzidos em inglês ou francês;
  • Formação relativa a temáticas como gestão de tempo, métodos de estudo, elaboração de CV ou concentração;
  • Espaço disponibilizado para que os estudantes se apoiem mutuamente no estudo de matérias onde se constatem maiores dificuldades.

Para os estudantes do ensino superior, o projeto serve como uma ajuda no processo de entrada no mercado de trabalho, em relação, por exemplo, à construção de cv’s, recibos verdes, contratos e inscrição no centro de emprego.

Já em relação aos mais novos, do ensino secundário, Soraia sente que existe uma “falta de orientação vocacional, porque há, numa escola, um psicólogo para milhares de alunos e é impossível chegar a todos”. A indecisão surge, na opinião da jovem empreendedora, da “falta de informação”, por isso, o ideal seria “tentar que os jovens construam uma ideia de acordo com aquilo que lhes é possível concretizar, sem criar expectativas irreais”, através, por exemplo, da conjugação de testes de “interesses vocacionais” com a análise das notas.

Para os pais, o objetivo é a sensibilização e “desmistificar coisas”, como por exemplo, que “hoje há uma profissão que tem mais saída ou prestígio, mas amanhã pode já não ter”, adverte. “É tentar confrontar os pais com esta questão: o quê que preferem? Ter um filho feliz e que faça aquilo que gosta, dentro das condições possíveis e imaginárias e que faça as suas próprias escolhas, ou ter um filho que faça uma escolha que os pais querem?”, exemplifica.

Para Soraia, a “única regra é que as pessoas participem no projeto”. A ideia é estar com a pessoa e conversar sobre o que pode ser alterado, sendo que é a própria que escreve, de acordo com as indicações que vai tendo.

O Porto como lugar de eleição

Em 2016, segundo dados da PORDATA, a cidade do Porto apresentava cerca de 42 mil alunos matriculados no ensino superior universitário, à frente de Coimbra, que tinha quase 24 mil. Esta “crescente afluência” de estudantes no ensino superior, motivou Soraia a escolher a cidade para começar o projeto. “Eu estudei em Coimbra, é muito bom”, mas “corre o risco de parar no tempo”, acredita. A fundadora do “Venham +5” sublinha ainda que o Porto está “cada vez mais «na berra», tanto aqui, como lá fora e a nível de universidade, está a colocar-se cada vez mais entre as melhores e tem tendência a melhorar”.

Venham mais cinco dedos para apertar a mão e fechar uma parceria

Neste momento, o projeto encontra-se na fase inicial de lançamento online – já há um blogue e página no Facebook, mas está também a ser criado um site até ao final deste mês -, para tentar alcançar mais pessoas. Soraia já fez também alguns apoios à elaboração de currículo e a recetividade tem sido positiva, mas, curiosamente, as pessoas que mais a contactaram  foram adultos desempregados.

 

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Foto: Soraia Rodrigues

Fazendo as contas por cada formação ou consulta, ultrapassam os 5 euros, é verdade, mas Soraia quer cobrar apenas um “valor simbólico”. Consciente que o público é estudante e, por isso, com pouca elasticidade na carteira, os preços por cada formação estarão entre os 10 e os 20 euros, com direito a certificado. No caso de um estudante querer apoio individualizado “é diferente”, mas Soraia tem noção que este projeto “é mais uma causa social, do que propriamente uma empresa com fins lucrativos”.

Como tentar não custa, a psicóloga experimentou o crowdfunding para financiar o aluguer de um espaço de coworking, localizado na cidade do Porto, onde todos os jovens possam recorrer para iniciar a intervenção prática e divulgar o projeto em locais mais próximos dos estudantes.

Este formato de financiamento não deu resultado, mas Soraia não baixou os braços e está ciente que o processo é lento. “Tenho noção que, se tivesse dinheiro, as coisas seriam muito mais rápidas, mas prefiro ir devagar”, conta.

Setembro vai ser para somar ainda mais

Por agora, a jovem empreendedora é a única no projeto e tem apostado nas publicações no Facebook, em artigos no blogue e já espalhou flyers pelas faculdades do Polo Universitário.

Depois do site estar pronto, o próximo passo é apostar tudo na divulgação para conseguir “o máximo de parcerias possível, sejam associações de estudantes ou de pais, sejam empresas que, efetivamente, queiram contribuir de alguma forma”, principalmente, para se deslocar para fazer as formações e para que seja possível a inauguração de um espaço físico junto de instituições de ensino superior, acessível a todos. Até hoje, já conseguiu uma empresa para elaborar o site e outra para as formações a nível financeiro. “Ao mesmo tempo, publicitam os serviços, publicitam as suas empresas e temos aqui benefícios para ambos os lados”, afirma.

Soraia Rodrigues espera começar o ano letivo “em grande”, primeiro, a ir a escolas secundárias dar a conhecer a iniciativa e, só depois, às faculdades, que “é outro sistema e talvez um pouco mais fácil”, acredita. “A ideia será, quando o ano letivo começar, tentar inserir estas sessões nos programas das escolas”, explica.

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