ESTÁDIOS DE ALMA: “Quem vai ao Mar, perde o lugar”

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Eduardo Carvalho, Analista de estratégia em futebol

Domingo, 15 de Outubro de 2017,

O Estádio do Mar excita-se com a visita de um primodivisionário. É dia de Taça de Portugal!

O Leixões SC o CD Tondela, uma das zonas mais fustigadas pelos incêndios fora de época.

Nesta tarde abafada, o futebol serve de escape aos cerca de 1200 espectadores que se deslocam a Matosinhos!

O jogo começa com uma oportunidade para os da casa, mas rapidamente os visitantes procuram “pegar” no jogo e fazer mossa na baliza adversária: o golo chega ainda antes de cumprido o primeiro quarto de hora: canto em balão, o bloco tondelense arrasta a muralha defensiva do Leixões, deixando Pedro Nuno – médio emprestado pelo Benfica – sem marcação, resultando num remate de primeira, que só parou nas redes de Ricardo Janota. A partir daí, os matosinhenses passaram a dominar a partida.

Kukula foi um dos mais inconformados, com desmarcações desconcertantes que causaram aflição no eixo defensivo do Tondela. O cabo-verdiano, depois de um “aviso”, acaba mesmo por fazer balançar as redes de Janota, mas o lance foi invalidado por alegado fora-de-jogo.

Apesar disso, os visitantes não deixaram de procurar a baliza defendida por Yeerzati, com o expoente máximo disso mesmo a acontecer aos 35′, com uma excelente combinação colectiva a ser travada pelo guarda-redes chinês e completada por um defensor leixonense, à “boca” da baliza.

A etapa complementar inicia-se, novamente, com golo dos beirões: o batalhador Tomané aproveita o adiantamento da defesa matosinhense, cruzando rasteiro para Murilo Freitas – muito oportuno – finalizar ao segundo poste. O brasileiro de 22 anos é um avançado que parece destinado a patamares mais elevados!

Inesperada e desnecessariamente, o capitão Ricardo Costa – ex-internacional português, que fez parte de uma era dourada do FC Porto – deixa a equipa em desvantagem numérica, aos 52 minutos de jogo.

Era o “empurrão” que faltava aos leixonenses.

Sucederam-se, a partir de então, as oportunidades para os anfitriões. O francês Belly deu o “aviso”, num belo remate em arco – fora da área – que bateu na trave; mas foi Breiner – ex-União da Madeira – de livre, a arrumar a bola “na gaveta”!

Com um futebol simples e objectivo, o Leixões encostou o adversário “às cordas”. Depois de duas ameaças, os leixonenses tiram partido de uma saída em falso de Ricardo Janota, na sequência de um livre, com o inevitável Kukula a antecipar-se de cabeça e a levar o jogo para prolongamento!

No tempo extra, os comandados de João Henriques mantiveram a toada, com o brasileiro Bruno Lamas a tabelar com um companheiro para depois finalizar de “canhota”! Os adeptos beirões já “pediam a cabeça” do seu guardião, mas neste lance pareceu existir, sobretudo, mérito do jovem capitão leixonense.

Como se não bastasse, os tondelenses trocavam de campo para a segunda metade do prolongamento com apenas nove elementos: Joca lesionara-se e estavam esgotadas as substituições.

Pepa consciencializava-se, cada vez mais, que se tratava de uma sequela do “filme” da época passada: na edição anterior da prova-rainha do futebol português, o Tondela foi eliminado contra este opositor, neste mesmo recinto.

Não obstante, há que salientar a bravura destes Bebés do Mar, ultrapassando a superior qualidade individual de uma equipa da Liga NOS e uma desvantagem de dois golos, para se manter numa prova outrora conquistada pelo clube!

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Foto: Estádio do Mar, Senhora da Hora; Eduardo Carvalho

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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