ESTÁDIOS DE ALMA: Romantismo algarvio testa frieza da Invicta equipa azul e branca

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Eduardo Carvalho, 28 anos, Analista de estratégia em futebol

Porto, 17 de Novembro de 2017

É dia de Taça de Portugal! O Futebol Clube do Porto recebe o Portimonense Sporting Clube em jogo a contar para os 16-avos de final da prova-rainha do futebol nacional.

Nas bancadas, 20 mil indefectíveis adeptos não se deixam inibir pelo frio que faz nesta noite de sexta-feira e acorrem ao Estádio do Dragão para um encontro entre primodivisionários.

O FCP entrou forte no jogo: logo aos 2 minutos, uma combinação entre Danilo, André André e Hernâni encontra Corona à esquerda, com o mexicano a cruzar de trivela “redondinha” para Vincent Aboubakar, mas o ponta-de-lança estava em fora-de-jogo.

Aos 5 minutos, canto da direita cobrado por Alex Telles encontra Danilo Pereira e Aboubakar completamente isolados na pequena área, com o português a empurrar para o fundo da baliza portimonense. Estes cantos sucediam-se, com os algarvios a falharem invariavelmente no capítulo da marcação.

Os visitantes tentavam libertar-se um pouco através do seu futebol apoiado, com a equipa a desdobrar-se bem para o ataque em combinações bem idealizadas e com velocidade na posse.

Ao minuto 17, novamente Danilo – desta vez, de cabeça – a fazer parceria com o brasileiro para quase aumentar a contagem. O FC Porto tinha, em Alex Telles, o principal “empreendedor”, com os seus cruzamentos a saírem sempre perigosos, ao contrário do que tem sido habitual, apesar das várias assistências para golo que tem protagonizado.

Aos 23 e 24 minutos de jogo, Jesús Corona – desta vez, partindo flanco esquerdo do ataque, aquele em que parece render mais – quase faz o 2-0: primeiro, consegue corrigir um passe que deveria ser “para o espaço” e “sentar” Rúben Fernandes, mas Felipe Macedo impede o golo; depois, na sequência de um lançamento longo da direita, que a defesa adversária não consegue aliviar, o mexicano remata de primeira, com o guarda-redes Carlos aparentemente batido, mas a bola sai ao lado.

Aos 28 minutos, Ricardo Pereira – mais errante do que o costume – perde para Bruno Tabata (esteve muito forte na pressão e cobertura defensiva), que espera a subida dos colegas para iniciar uma triangulação que chega aos pés de Shoya Nakajima: o japonês aproveita o espaço concedido para tentar o remate, mas a bola ressalta na defesa portista, que permanece passiva e permite a “entrada” de Wellington para o golo do empate. A 5 minutos do fim do primeiro tempo, um livre “do meio da rua” de – sempre ele – Alex Telles passa a rasar a trave dos algarvios.

A etapa complementar começa com o Portimonense mais atrevido, beneficiando de alguma displicência da equipa do FC Porto. Aos 68 minutos, um lançamento de linha lateral dá a bola a Nakajima, com a grande figura dos que equiparam de cor-de-laranja a iniciar uma combinação que sobraria para Pedro Sá, que desfere um pontapé soberbo, de trivela, ainda antes da meia-lua, e só acaba nas redes à guarda de Casillas. Estava operada a reviravolta em pleno Estádio do Dragão!

O FC Porto, comandado por Óliver e já com Brahimi no lugar do “desinspirado” Hernâni – falhara a definição em ataque rápido, no tipo de jogada que costuma evidenciar-se -, estava melhor na circulação de bola, mas continuava sem criar oportunidades flagrantes de golo.

Os algarvios recuaram o bloco, mas subiram em pressão para condicionar a construção portista e desdobravam-se com critério sempre que tinham a veleidade da posse do esférico.

Aos 78 minutos, Felipe Macedo trava em falta uma incursão ofensiva de Danilo, expulsando-se desnecessariamente e prejudicando o até então muito bom controlo do jogo por parte da equipa de Portimão.

A partir daí, o FCP “caiu em cima” do Portimonense, com um crescente volume ofensivo que ia fazendo “tremer” a organização defensiva adversária. A entrada de Miguel Layún – ultimamente menos – especialista no cruzamento, muito contribuiu para esse “inclinar” do terreno de jogo.

Já em tempo de descontos e após a expulsão do treinador Sérgio Conceição, os dragões reporiam a igualdade: mais uma vez, Alex Telles faz um passe a “rasgar” a defesa visitante, com o camaronês Aboubakar a concretizar, com classe e muita frieza. Estava feito o 2-2, dramático!

Entretanto chamado a jogo, o jovem estreante André Pereira – revelou bons pormenores, a confirmar no futuro – aproveita um mau alívio de Lumor e coloca simples para Aboubakar que, aparentemente falha a recepção e isso “engana” Jadson, que não consegue evitar que a bola sobre para Yacine Brahimi, com o argelino a rematar colocado para o 3-2 final. O FC Porto sobrevivia à eliminatória e evitava – preciosamente, pois tem jogo na terça-feira – o prolongamento!

Os azuis e brancos conseguem, pelas incidências do jogo, uma moralizadora vitória, mas os comandados de Vítor Oliveira merecem o maior dos elogios: em dois jogos na casa do FCP, alcançaram uns inacreditáveis quatro golos, mas, mais do que isso, há que parabenizar esta equipa pela atitude positiva e pelo futebol envolvente que exibe em qualquer estádio de Portugal!

Estadio_do_Dragao_20050805

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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