OPINIÃO: Alimentação escolar

Há umas décadas atrás, não se falava em roda dos alimentos, alimentação saudável e equilibrada. A palavra era racionamento alimentar, tanto nas escolas como dentro de casa da maioria das famílias.

Muitos dos adultos de hoje sabem como isto é verídico, como se passava fome. A muitas das crianças daquele tempo o que lhes valia era a sopa escolar. O tempo da ditadura não foi de todo um período fácil para grande parte da população portuguesa.

Hoje vivemos numa democracia, contudo, devido à taxa de desemprego há muita fome e miséria escondida, envergonhada. Durante a ditadura, os pobres ajudavam-se como podiam, repartindo o pouco que tinham. Hoje, na presente democracia, felizmente que existem os bancos alimentares que, mesmo assim, duvido que tenham capacidade para fazer face a tanta necessidade no panorama atual.

As prioridades nas escolas, no tempo de Salazar, era sabermos de cor o nome dos políticos no governo, o que de maneira alguma era difícil de aprender, como é fácil de entender. Só havia uma figura em destaque e outra, General Carmona, e, mais tarde, Américo Tomás e, no meio, o crucifixo. Para além do mais, tínhamos que nos levantar aquando da entrada da professora e da freirinha, para procedermos à respetiva oração, e isto, todos os dias.

Os tempos vão passando, vão melhorando e piorando também, parece um contrassenso, mas não é, de todo. Senão vejamos: na atualidade, fala-se muito, nas escolas e nos centros de saúde, da necessidade de todos termos uma alimentação saudável. Na escola, as crianças aprendem cedo a roda da alimentação, os alimentos que devem ingerir e em que porções, para que haja equilíbrio alimentar e mais saúde.

Em casa abastada, as pessoas que valorizem uma alimentação saudável, acredito que a cumpram a rigor, outras haverá que nem tanto e ainda outras, pela falta de dinheiro, não conseguirão cumprir o estabelecido pela roda dos alimentos.

Meus caros leitores, o que hoje em dia acontece, nas cantinas escolares, é inadmissível. A começar pela falta de higiene, alimentos mal cozinhados, com bichos e dejetos de ratos à mistura e, se a qualidade é péssima, a quantidade é absurda. Mercê a coragem de uns tantos alunos para denunciarem estas situações, em várias escolas, deste democrático país e continuaríamos a acreditar que aquilo que os professores ensinam sobre a tal roda de alimentos, pelo menos nas escolas, seria estritamente cumprido.

A intervenção da ASAE, junto destas escolas, espero que surta efeitos benéficos nas ditas cantinas e que, já agora, proceda à fiscalização de todas as cantinas escolares de norte a sul de Portugal e em todos os estabelecimentos de ensino. Nunca é demais lembrar que está em causa a saúde de crianças e jovens. Os nossos futuros sucessores que todos desejamos serem bem constituídos e saudáveis.

Muitos dirão que não existem recursos financeiros para melhorar as refeições escolares, uma vez que o preço das mesmas, para os alunos, é baixo. O Ministério da Educação terá que resolver esse pequeno pormenor, porque a prioridade é a saúde da população estudantil e os preços deverão continuar a ser muito acessíveis para os alunos.

Educação e saúde são bens demasiado preciosos para serem ignorados e postos à margem. Há solução para tudo, menos para a morte, não é assim que o povo diz? Então, baixando os salários dos políticos e seus secretários, sobra muito dinheiro para estas duas importantes áreas do nosso quotidiano.

A educação e a saúde devem ser, se não dispostos gratuitamente à população em geral, pelo menos, a preços acessíveis à maioria das famílias.

Desejo que os alunos que fotografaram as más refeições, tanto em qualidade como em quantidade, não sejam punidos, porque prestaram um serviço à comunidade escolar e não só, uma vez que alertaram o país para algo tão grave que se estava a passar nas suas escolas. As pessoas que devem ser punidas são os diretores dessas escolas, porque não estiveram atentos a uma situação vergonhosa e que estava a pôr em risco a saúde de muitas crianças e jovens estudantes.

Esta situação nas cantinas escolares já se arrasta há algum tempo. Nós, como pais, temos conhecimento que, a maior parte das vezes, os nossos filhos torcem o nariz às refeições escolares. Os pais que trabalham não têm tempo de fazer a refeição do almoço com seus filhos, daí as cantinas escolares fazerem parte do dia a dia de nossos filhos, porque os avós, em tempos idos, tinham uma importância vital, na vida dos netos e estes só em casos muito excecionais é que faziam a refeição na escola. Os avós não estavam em centros de dia, ou internados em lares, mas, sim, em suas casas ou em casa de seus filhos e ajudavam muito, fazendo as refeições aos seus netos, entre outras coisas.

Graças a Deus que muitos netos ainda contam com a ajuda dos avós, nos tempos que correm. Nem todos têm essa sorte e lá terão que fazer as refeições, de segunda a sexta, nas cantinas escolares.

Espero, sinceramente, que as refeições escolares melhorem, obedecendo às regras de higiene e à roda dos alimentos, depois deste alerta, dado por estes alunos, que quanto a mim, estão de parabéns. Sugeria que as refeições fossem feitas nas escolas por cozinheiras e auxiliares competentes, muitas, neste momento, desempregadas e que, desta forma, substituíssem as refeições confecionadas por empresas, que só visam o seu lucro, passando as refeições escolares a terem um sabor caseiro e não industrializado.

Lembremo-nos que os alunos despendem muita energia enquanto estudam, praticam desporto e nas suas brincadeiras de recreio, daí que, quando chega a hora de se alimentarem, o façam com prazer e que tenham nos respetivos pratos alimentos em quantidade e qualidade para que, dessa forma, reponham as energias gastas e cheguem às suas casas com a informação, aos pais, que o almoço da cantina estava delicioso e cumpria todos os requisitos de uma excelente roda dos alimentos.

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