ESTÁDIOS DE ALMA: Dragões à caça de castores na Mata Real

Foto: Ana Regina Ramos
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Eduardo Carvalho, 28 anos, Analista de estratégia em futebol

Mais de 5200 adeptos deslocaram-se ao Estádio Capital do Móvel para presenciar um habitualmente equilibrado duelo entre equipas do distrito do Porto.

Num encontro em que ambas as equipas – tal como Rio Ave e Leixões, que jogavam à mesma hora – tinham possibilidades de passar à próxima fase da Taça da Liga, o Paços de Ferreira fez muitas alterações (sete) em relação ao jogo anterior, ao contrário do FC Porto que, sem poder contar com o castigado Danilo Pereira, apenas fez entrar Casillas, Maxi Pereira, André André e Tiquinho Soares em relação à equipa mais costumeira. Sérgio Conceição cumpria a promessa de valorizar uma competição tantas vezes descurada pelo clube.

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Foto: Eduardo Carvalho

Antes do início da partida, uma bonita homenagem ao malogrado Edu Ferreira, jovem jogador do Boavista recentemente falecido.

Cedo o FCP mostrou ao que vinha, com um futebol agressivo e à procura do golo cedo. À passagem do quarto de hora, brilhante jogada individual de Yacine Brahimi pelo corredor central, pegando na bola bem perto do grande círculo e aproveitando algum espaço concedido para encetar uma arrancada e, após passar por três jogadores, largar, no momento certo, para Tiquinho Soares, com o ressalto a sobrar para o brasileiro. Mas o guarda-redes, Rafael Defendi, sai rapidamente e faz a mancha, desviando para canto.

Do canto resultaria o golo inaugural: Alex Telles centra na perfeição, com Diego Reyes a ganhar nas alturas e a cabecear para a baliza pacense, com a bola a sofrer um ligeiro desvio antes de entrar.

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Foto: Eduardo Carvalho

Aos 20 minutos de jogo, de um lance defensivo resulta uma excelente transição dos azuis e brancos, com o alívio de Iván Marcano a ser recepcionado por Moussa Marega que, de peito, amortece para Brahimi e o argelino enceta mais uma incursão em velocidade, tira partido da incerteza sobre a definição do lance por parte da defesa adversária para flectir para o meio e disparar um tiro indefensável para Defendi. O magrebino está num momento de forma excepcional, sendo um jogador muito mais assertivo do que nas épocas anteriores.

Cinco minutos depois, de um lançamento lateral de Alex Telles resulta uma combinação entre este, Héctor Herrera e – sempre ele – Brahimi, que vê a desmarcação de André André e lhe endossa o esférico, para um típico cruzamento/passe atrasado do português, que encontrou Ricardo Pereira: o – desta vez – extremo portista só não factura porque Miguel Vieira desvia para canto. Na sequência da bola parada, o mesmo Ricardo remata outra vez, mas, desta feita, muito por alto e longe do alvo.

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Foto: Eduardo Carvalho

Só em cima da meia hora os anfitriões lograram uma jogada com princípio, meio e fim, revelando uma eficácia superlativa: passe longo do central Ricardo a encontrar Diogo Medeiros, que deixa em André Leal, com o médio formado nas escolas do clube a cruzar para Luiz Phellype dominar e, perante a passividade de Reyes, rodar e atirar para reduzir a diferença no marcador.

O FC Porto continuava a pressionar alto e a ameaçar em ataque rápido, primeiro, em mais uma arrancada de Brahimi e, depois, numa grande jogada combinativa a começar bem perto da grande área portista, com um lançamento de Maxi Pereira e tabela entre este e Herrera; com o mexicano a soltar no jogador menos marcado no momento, Brahimi, e o argelino a fazer um cada vez mais habitual grande passe em profundidade para a corrida de Marega, o maliano passa pelos defesas em grande velocidade, mas perde o enquadramento com a baliza quando contorna Rafael Defendi, com o guardião pacense a defender o remate do avançado visitante. Logo de seguida, cruzamento longo de Maxi Pereira, Marega falha o remate à meia volta, com Soares a copiar o movimento, desta vez, conseguido, mas o remate de pé esquerdo é agarrado pelo guarda-redes dos castores.

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Foto: Eduardo Carvalho

Mesmo ao cair do pano da etapa inicial, grande lance pela esquerda do ataque dos amarelos e verdes, com Quiñones – “ex-FCP” – a encontrar Hendrio, que cruza muito bem para o ponta-de-lança Luiz Phellype bisar e empatar a contenda. Iker Casillas nada podia fazer perante o excelente remate do brasileiro.

No reatamento, os dragões voltaram a ser avassaladores, com André André a fazer uma boa abertura na direita, com Ricardo Pereira a deixar curto em Corona, que vê a deslocação de Aboubakar e cruza no espaço, o camaronês foge à marcação do central Ricardo e cabeceia em contrapé para o redes do Paços, para o golo da vitória.

A toada começou a ser, a partir daí, mais morna, com o FC Porto a baixar o ritmo e a controlar melhor defensivamente. Para isso, muito contribuiu o recuo de Herrera para a posição 6, com André André a ter mais liberdade para fazer o jogo de apoios e recuperação alta de que é especialista. Na primeira parte, o português não fez – defensivamente – esquecer Danilo, em tudo o resto, cumpriu.

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Foto: Eduardo Carvalho

Marega, Brahimi e Alex Telles continuavam a criar perigo, mas a defensiva dos da casa ia resolvendo os problemas. No lance em que terá estado mais próximo de golo da tranquilidade, Aboubakar recebe o centro de Marega e remata para boa defesa de Defendi. O camaronês, à excepção do… golo decisivo, não esteve muito feliz neste jogo, quer a finalizar, quer a combinar com os colegas.

Do lado oposto, aos 87 minutos, André Leal – também conhecido por Andrezinho -, tentou um remate de meia distância, mas o guardião espanhol esticou a luva e controlou a trajectória da bola, sem lhe tocar.

Na jogada seguinte, o capitão do FC Porto haveria de ser expulso, por responder com uma cotovelada a um agarrão ostensivo de André Leal. Os líderes do campeonato não contarão com Herrera, pelo menos, no próximo jogo.

O jogo terminaria pouco depois, com a confirmação da vitória portista e consequente apuramento para as meias-finais da Taça CTT, em Braga, juntando-se a UD Oliveirense, Vitória de Setúbal e Sporting. Os leões serão mesmo o obstáculo dos dragões numa das semi-finais, naquele que promete ser um jogo apaixonante!

O Paços de Ferreira procura que o novo ano traga melhorias numa época que tem sido frustrante, mas a julgar pelo rendimento de algumas das alternativas lançadas por Petit, o técnico parece ter matéria-prima para olhar com optimismo a luta pela manutenção na Liga NOS!

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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