OPINIÃO: A Gratidão

O passado dia 11, para mim, foi surpreendente por ser o Dia Internacional do “Obrigado”.

Então, pensei: “O quê!? As pessoas deixaram de mostrar gratidão pelo que recebem dos outros, nem que seja apenas a atenção que estes lhes dispensam?!”

Claro que estou a ironizar! Já há muito que observo que o “Obrigado”, só faz parte do vocabulário de algumas pessoas.

Para os mais jovens, é uma palavra que caiu em desuso na sua linguagem, acredito que muitos tenham aprendido isso desde pequenos, contudo, no meio de seus pares, isso é tudo menos adequado ou comum, é até “retro”.

Porém, há pessoas menos jovens que também se esquecem com frequência de dizer “Obrigado”, talvez porque ser educado e ser grato, nesta sociedade, cada vez mais voltada para o interesse individual, não seja necessário.

Certo dia, numa aula sobre Inteligência Emocional, falava-se sobre gratidão e um aluno já com uma certa idade disse não usar no seu dia a dia a palavra “Obrigado”, justificando que não estava habituado a pronunciá-la, mas que não era por mal. Contudo, quando lhe perguntaram se o contrário não o incomodava, disse prontamente que gostava que lhe agradecessem pelos serviços que prestava aos outros.

Enfim, difícil entender estes paradoxos, pelo menos, para mim. Acrescento, entretanto, que aquela formação contribuiu, para que ele se habituasse a dizer a palavra difícil da sua vida.

Ingratidão é para mim algo que tolero menos bem, porque sou grata pelo tempo que os outros me dispensam, pelo que a vida me dá, pelas oportunidades e pelo apoio que recebo dos que vão fazendo parte dos meus dias.

A ingratidão é algo que me magoa profundamente e quando ela chega da parte de quem mais amo, fico desanimada, com vontade de “atirar com a toalha ao chão”.

Quando damos aos outros o nosso melhor, quando somos prestativos, quando demos o nosso tempo em prol do crescimento do outro, porque não merecemos ouvir um simples “Obrigado”? É assim tão difícil ser simpático e reconhecer o bem que os outros nos proporcionam?

Infelizmente, vivemos numa sociedade em que a moral e os bons costumes são ridicularizados, diminuídos, e a falta de educação é permitida.

Hoje, os jovens não gostam de ser chamados à atenção, nem em casa, nem na escola, quando estão errados. Ouço, muitas vezes, os mais velhos desculparem faltas de educação, alegando que aqueles estão a atravessar uma fase difícil. E, por isso, vamos continuar a ser permissivos e a tolerar faltas de respeito e de gratidão?!

Nós também já fomos adolescentes, mas éramos instruídos a sermos gratos e a tratar condignamente os mais velhos e os nossos superiores, tanto na escola como no trabalho.

Um destes dias, agradeci o facto de uma pessoa me ter recomendado pelas minhas competências e qualidades profissionais e pessoais. Mostrei-lhe o quanto o seu gesto me tinha feito feliz. A pessoa ficou incrédula! Perguntou-me, inclusive, se eu estava a falar a sério, ao que eu respondi: “Porque duvida? Não estamos aqui, nesta vida, para nos ajudarmos uns aos outros?”. A pessoa respondeu-me que estava de acordo comigo, mas, no entanto, era a primeira vez que alguém se tinha mostrado tão grato.

Entretanto, perguntei-lhe: “ninguém precisa de ninguém?” Resposta do meu interlocutor: “Não sei… mas, normalmente, nem agradecem”

Quando digo: “Obrigada pela sua amizade”, ouço, de imediato: “Os sentimentos não se agradecem!”. Porquê? Pelo menos eu continuarei a mostrar gratidão pelos sentimentos, palavras e atitudes positivas de todas as pessoas para comigo.

Nunca é demais sermos gratos pelo que de bom recebemos dos outros e da vida. Mesmo quando somos confrontados com momentos menos bons, devemos agradecer, porque com eles chegam mensagens subtis e despertamos para as nossas realidades, que, nem sempre, são as mais justas para nós e é, desta forma, que vamos evoluindo como pessoas, olhando para nós e para os outros, de uma forma diferente, e com uma nova esperança.

No meu dia a dia, as palavras: “Obrigada”, e “Desculpa” são usadas com frequência, na minha relação com os outros, se eu não fosse assim, não me sentiria de bem comigo mesma.

Quando o meu trabalho é apreciado, eu, de imediato, agradeço, mesmo que o meu interlocutor não veja necessidade em que eu o faça. Ser grata é algo intrínseco a mim, mesmo quando a avaliação é menos positiva eu digo sempre: “Obrigada”.

Deixo-vos, esta semana, com duas frases sobre a gratidão, escritas e proferidas pelo pai da Inteligência Emocional.

Segundo as palavras de Daniel Goleman: “Agradeça cada «Não», que te fez olhar a vida por outra perspetiva e te fez buscar novos tantos caminhos”.

“Gratidão. Estar ciente das boas coisas que acontecem na vida. Ter o hábito de agradecer às pessoas e à vida.”

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