Jovem do Porto na lista da Forbes “30 Under 30” com software que conecta dispositivos sem internet

Foto: DR

Esta quinta-feira, dia 25 de novembro, assinala-se o Dia Nacional do Empresário e o Jornal Referência trouxe entrevistas feitas a dois jovens empresários aquando a nomeação para a lista de 2021 da Forbes “30 Under 30”.

Carlos Lei Santos é cofundador da HypeLabs, que desenvolve um software “que permite dispositivos comunicarem mesmo sem internet, ou seja, identifica nos dispositivos (que podem ser dois telemóveis, dispositivos de IoT – Internet das Coisas -, ou até desktop), quais os canais de transporte que existem – por exemplo, antena Bluetooth, Wi-fi, etc. – e escolhe os melhores, em tempo real, de forma a ligar essas antenas a antenas que estão próximas”, explicou ao Jornal Referência, em abril deste ano.

Foi com este negócio que foi distinguido na área da Tecnologia por esta revista norte-americana, que destaca os maiores e mais promissores jovens talentos a nível mundial. “É bom, de tempos em tempos, receber esse tipo de reconhecimentos. Acho que motiva toda a gente, é sinal que o nosso trabalho está a ser feito e que tem o seu devido valor”, acrescentou, esperando que este “seja o primeiro grande reconhecimento de muitos”.

A empresa nasceu em 2016, no Porto, e a ideia “começou como uma brincadeira na faculdade” entre Carlos Lei Santos e o sócio, André Francisco, que desenvolveram uma aplicação (Hype), que “era uma espécie de WhatsApp sem internet”. Num ano em que participaram na Web Summit, em Dublin, a certa altura em que não tinham internet, aperceberam-se que eram “as únicas pessoas que estavam a mandar fotos e a falar uns com os outros”. “Tivemos várias empresas a perguntar se podiam usar essa tecnologia nas aplicações deles para poderem mostrar às pessoas durante a conferência. Então, aí apercebemo-nos que, se calhar, mais ninguém quer uma aplicação de comunicação, já todos temos o WhatsApp e outras, mas a tecnologia em si tem o seu valor e começámos a apostar mais nisso”, lembrou.

Mais tarde, foram convidados para se mudarem para um centro de inovação da “maior operadora europeia e quiçá mundial”, na Polónia, que, meses depois, quis investir na empresa. Ao mesmo tempo, foram também convidados a juntar-se ao programa de aceleração de startups número um dos EUA e “começa aí a história”. Carlos Lei Santos mudou-se para o outro lado do oceano juntamente com o sócio, durante cerca de um ano, e, quando regressaram, contrataram pessoas cá e “tem sido a crescer desde aí”.

Contam com uma sede americana, onde têm alguns colaboradores contratados e as equipas de venda e, em Portugal, no edifício do UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto, têm a engenharia e a parte da gestão.

Este ano, refere que o foco tem sido ajudar empresas de terminais de pagamento, ligando-os “uns aos outros de forma aos pagamentos serem processados mesmo sem internet” e também já auxiliaram vilas em África a ligarem-se à internet, “desta forma que é muito mais benéfica – com apenas um dispositivo que tinha capacidade de se ligar à internet, conseguiu-se fazer com que todos os outros nas redondezas o fizessem”.

Entretanto, aperceberam-se que esta tecnologia podia servir para “contact tracing” e criaram um produto à parte chamado “OkDetect”, que “tem tido bastante sucesso até” e consiste num sistema de rastreamento de contactos privado e anónimo que trabalha em conjunto com hospitais e governos.

Carlos Lei Santos e André Francisco estudaram Ciência dos Computadores na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e tornaram-se “bastante amigos”, tendo depois avançado com o desenvolvimento da empresa, mas não chegaram a terminar o curso por estarem tão entusiasmados e determinados com o que estavam a criar. “Mas pretendemos fazê-lo”, confessou o jovem portuense, revelando que as ambições agora passam também por fazer “crescer a empresa e levá-la ao próximo passo”.

“Acreditamos que esta tecnologia tem potencial para ter um impacto forte não só na indústria das comunicações, mas mesmo na vida das pessoas e o nosso objetivo é fazer com que a tecnologia toque mais vidas, mais dispositivos e chegue ao Estado. Acreditamos, desde o dia um, que pode chegar, basicamente, ser uma tecnologia muito forte na área das comunicações. Não estamos aqui a tentar criar uma nova internet, queremos é fazer com que a internet chegue a mais dispositivos e de forma mais inteligente e de forma automática. Então, o nosso objetivo é ligar todos os dispositivos do mundo, se possível”, afirmou o cofundador da HypeLabs.

Sobre encorajar outros jovens a arriscar no desenvolvimento do próprio negócio, Carlos Lei Santos aconselha a “não deixarem de ser curiosos e a continuarem, todos os dias, a tentar aprender ou algo novo ou algo mais” e, “simplesmente, ir falar com pessoas” e partilhar as suas ideias, ouvindo outras opiniões e percebendo as próprias falhas.

“Nunca vi nenhuma ideia da forma como foi idealizada foi trazida ao mercado e tenha funcionado só por ser iterações, por isso, quanto mais rápido uma pessoa receber feedback e fizer essas iterações, melhor e maiores se tornam as chances de sucesso, por isso, continuar a aprender, pôr ideias cá para fora e falar com pessoas. E outra coisa é: toda a gente, hoje em dia, no mundo, é contactável; é não ter vergonha de contactar, toda a gente começou por algum lado”, concluiu, recordando que existem “muitas plataformas de apoio”, como a UPTEC, centros de inovação e centros de incubação que “existem para ajudar quem quiser começar algo”.

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