OPINIÃO: Inúmeros Picos e ainda faltam alguns

Romão Rodrigues, 20 anos, Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

A alma que preze e carregue o circunspecto da frase “não ter nada para fazer”, cairá no erro de ler esta mensagem. Em minha defesa, afirmo que não me encontro embriagado ou nas seringas de substâncias ilícitas.

A predisposição que possuo para entrar em modinhas atingiu, nos últimos dias, o pico. Ao que parece, o termo utilizado na frase anterior com a pretensão de classificar a tal predisposição está em voga. Com jeitinho, citando o Bruno Nogueira só para adornar o texto com uma (tentativa) de chalaça, estou “mesmo naquela” de comprar um casaco de inverno fashion. Vai a ver-se e esta conversa não passa do habitual pergaminho de entrada na Moda Milão.

Não se assustem. “Pico” é a segunda palavra do ano nos trâmites da Porto Editora. Até provas em contrário, é considerada por mais três pessoas, excluindo-me da contagem. Não me venham refutar ou apresentar argumentos válidos relativos a outros vocábulos. De 1 de janeiro de 2021 a 31 de dezembro do mesmo ano, efetuei a reprodução – em papel – do relato em telejornais, conversas de café, conversas de hospital, conversas de rua, bebedeiras, em todo o lado. Porém, o programa eleitoral dos partidos políticos não a inclui.

Porquê? É a pergunta à qual ainda não existe resposta, no seio do meu diminuto conhecimento.

Repare-se: o programa eleitoral do Partido Comunista Português (PCP) atinge o pico em cada Eleição Legislativa: aumento dos salários mínimos nacionais, a gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde, o combate de situações de pobreza e de exclusão social, assentar o foco nas práticas culturais, fomentar a Educação Pública, o direito à mobilidade e à habitação, a retenção das taxas de emigração dos mais jovens. Até aqui tudo bem. Uma pessoa entusiasma-se, mas acaba por falecer. Olhamos para a reprovação do Orçamento de Estado por crendices ideológicas (o socialismo não é uma e  a mesma coisa) e percebemos que existe a possibilidade de cair ao Rio. Sou adepto da redação de um novo capítulo denominado “O Pico da Bizarria”. A partícula que se segue ao “da” varia consoante os pareceres face ao paradigma da Venezuela…

O BE, por outras palavras e métodos – tipo gráficos e tal – apresentam ideias que (pasme-se!) afunilam no lado esquerdo da vida política. As propostas são giras, bem arranjadinhas. Não contesto, porque nos trabalhos académicos propostos a realização também abuso do uso do copypaste. Mas reparam sempre…

Livre, PAN e PS – ?*

Polariza, filho, polariza…

O individuo que escreveu o programa eleitoral do CDS-PP é a típica criança adolescente que diz “não sou mais teu amigo se não me deres o cromo ausente da minha caderneta e que tens repetido”. Se a Iniciativa Liberal (IL) não parar com “as concessões à esquerda”, pode esquecer a amizade. Urge um partido forte, capaz de se coligar com o Partido Social Democrático (PSD); no entanto, quanto ao complemento de pensão de inverno para os idosos, ou se permuta o cromo, ou a caderneta fica nua. Sugeria uma nova entrada designada por “O Pico do Centro-Direita, com um bocadinho de esquerda” e propunha o nome de Adolfo Mesquita Nunes para cunhar o depoimento.

Quanto ao programa eleitoral do Partido Social Democrata, a página 31 é clara e incisiva: “Não prometer o que não pode, não dar o que não tem”, pois ao fim de um ano de governo, os ministros laranjas deixam de “invocar os governos anteriores como os responsáveis por algo que não tenha sido feito ou que tenha corrido mal”. Bem, se assim for, os portugueses podem relaxar e comprovar que a noção de Partido nunca virá em primeiro lugar, como bem se apregoa… “O Pico da Decência” atracaria, finalmente, em Belém!

Por último, e não menos importante, sobra o CHEGA!. Até ao Preâmbulo, tudo em conformidade. Ultrapassando, só com ajuda divina… Esse é o Pico!

*Nota: o autor não leu os programas eleitorais dos respetivos partidos pelo facto de necessitar de passar às cadeiras académicas.

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