EM TELA: De volta às trevas

Imagem: Joana Aleixo

De todos os super-heróis que a DC trouxe para o seu universo cinematográfico, talvez o Batman seja aquele que conseguiu mais adaptações ao longo do tempo. Desde o clássico Michael Keaton até Ben Affleck, passando por Christian Bale. Todos estes actores, e também os realizadores dos respectivos filmes, deram o seu cunho pessoal à narrativa do cavaleiro das trevas. E eis que chega Matt Reeves, que reinventa a história deste cavaleiro sombrio, e Robert Pattinson, que lhe dá vida, mostrando a toda a gente que ele é muito mais do que o vampiro que toda a gente conhece da saga “Twilight”. Cada olhar, cada gesto, e mesmo cada silêncio definem a personagem. E sim, falo de silêncio, porque o filme tem muitos. Não sendo spoiler, há uma valente carga de subtexto no filme.

Mas isso testemunham por vocês. A trama do filme coloca este Batman numa espiral de morte e detetivismo, se assim o quisermos. E é esse aspecto no herói, o de ser detective, que cativa nesta versão de Reeves. Não vemos tanta porrada e acção estonteante como na trilogia de Nolan, mas Pattinson é aqui um investigador vindo das trevas à procura de um assassino que aterroriza Gotham. Esta caça ao assassino faz lembrar Seven, por isso, quem gosta de adrenalina, de mortes, de serial killers e de detectives tem aqui neste Batman, quase três horas de satisfação.

O filme conta também com interpretações de Zoe Kravitz (como Selina Kyle /Catwoman), Jeffrey Wright (como James Gordon), Andy Serkis (como Alfred), e ainda Colin Farrell (como Oz/Penguin), aqui irreconhecível devido a uma incrível caracterização, e Paul Dano (como The Riddler), oferecendo uma performance tanto assustadora como macabra.

A fotografia é lindíssima, vendo os nossos olhos uma paleta de cores, desde amarelos a vermelhos intensos, passando por tons como cinzentos e pretos, e a banda-sonora é, na minha opinião, das melhores bandas sonoras que um filme do Batman alguma vez teve. Aconselho a ouvirem “Sonata in Darkness”. Michael Giacchino é um mestre nas melodias.

Este Batman é cru, é duro, pesado, denso, mas realista. Voltamos às trevas e das trevas saímos, um pouco doridos de estar tanto tempo sentados, talvez. Mas compensa. Se esta adaptação de Batman é a melhor adaptação que já se fez? Se calhar não, mas é um forte contributo de Reeves para a história do cavaleiro das trevas, que poderá abrir caminho a possíveis sequelas.

Votação final: 9 em 10 estrelas.

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta