OPINIÃO: 2019

Romão Rodrigues, 20 anos, Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

2019 lá vai, lá vai. Parece mentira, mas passaram três anos. E que súmula fazer deste tempo que já não volta e que nem permissão pediu para passar?

Peço mil desculpas. A verborreia enformada nos bordões que a sociedade conhece saiu da boca ritmada num disparo de bala que dói quando o corpo é atingido. Tenho somente saudades do copo de whiskey que acompanhou estes balbucios poéticos.

Poesia à luz de uma vela desidratada
Melódica ou lírica, no peito cravada
Com espasmos pardacentos inscritos no céu
Para demonstrar que a inspiração se dissipou no breu

A metáfora de uma vida que não escolhi
A reencarnação num corpo volátil
Disparada numa pólvora seca de segundos
Irrequietos, vis e moribundos

Serenatas conectadas com espinhos de rosas
Arquétipos de pedras soerguidos em prosas
Movidos a óleo de palavras ténues
Bradando às cáusticas ondas
Se os ventos empurram a embarcação
Do Amor e da Rebelião!

Por um fio te contemplo
À sombra de uma azinheira
O tempo cessa, acende-se a luz
E as nossas almas apagam a fogueira
De um tempo ausente

Na cálida mensagem segredada pelo presente

Escutam-se vozes e gritos mudos
A surdez flutua no pântano do descobrimento
Os restos mortais depositados nos sete mares
A cólera estendida na extensa praia
E nós quedados, sem eira nem beira
Enrolados na magia do firmamento

Desprendam-se as raízes das árvores
Colham-se os frutos putrefactos
Plantam-se as sementes da saudade
Emergem ramificações, floresce o mundo
Paira o pólen da flama ardente
E o relógio transfigura-se num segundo.

O título está afixado em cartazes que vestem troncos de árvores. Mencionar qualquer poeta como referência para este desabafo seria insultuoso para o visado. Não me atrevi a colocar-me em patamares tão longínquos. Maldito seja o tempo livre passado num bar.

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