EM TELA: O Arqueólogo encontra o seu destino – “Indiana Jones e o Marcador do Destino”

O nome é Indiana. O apelido é Jones. Leva sempre consigo um chicote. Veste um casaco de couro e usa um chapéu. Tem medo de cobras. Conhece antigas civilizações e línguas. Professor de arqueologia e aventureiro. Criada por George Lucas e com o apoio da LucasFilm (produtora de George Lucas), “Indiana Jones” viveu quatro aventuras realizadas por Steven Spielberg, que acompanhou Lucas aquando do desenvolvimento dos filmes. Vimos o nosso herói derrotar nazis e recuperar a Arca da Aliança (no primeiro filme, “Raiders Of The Lost Ark”), vimos o nosso herói ir para um palácio sumptuoso nas Índias e a descobrir um culto maligno (no segundo filme, “Indiana Jones and the Temple Of Doom”), vimo-lo outra vez a derrotar nazis, desta feita em perseguição pelo Santo Graal e pelo segredo da imortalidade, uma jornada acompanhada pelo seu pai (no terceiro filme, “Indiana Jones and the Last Crusade”), vimos o herói a defrontar forças russas e a seguir o rasto de uma caveira de cristal (no quarto filme da saga, “Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull”). E o que se segue?

No presente ano, 2023, dá-se a ressurreição do arqueólogo. A Disney, que havia comprado a LucasFilm em 2012, junta-se na produção do quinto filme da saga, chamado “Indiana Jones and the Dial of Destiny”. Há coisas inexplicáveis, muitas perguntas no ar. Porquê? Será necessário um novo filme? Depois de uma épica trilogia e um quarto filme medíocre era isto que o público estava à espera? Depois da sua estreia no Festival de Cannes e após uma ovação a Harrison Ford (que garantiu que este era o seu último filme como Indiana Jones) e de este ter recebido a Palma de Ouro, não tardou que começasse a chuva de críticas ao filme, na sua maioria negativas. O filme entrou assim numa espiral de desilusão e muita gente se questionou se seria uma boa despedida para Harrison Ford e para a personagem que ajudou a definir a sua carreira como actor.

Este quinto filme, além de ter Harrison Ford no principal papel, ainda conta com Phoebe Waller-Bridge, Antonio Banderas, Boyd Holbrook, Toby Jones e Mads Mikkelsen, como vilão (mais um para a carreira do actor dinamarquês). Nesta aventura, o nosso herói defronta novamente as forças nazistas para recuperar um artefacto capaz de mudar o curso da história.

O filme foi realizado por James Mangold (que conhecemos de “Logan”, por exemplo). É a primeira vez que Spielberg sai do comando da realização. Mangold dá uma nova perspectiva a Indiana Jones, quase como um homem acabado e sem desejos de aventura, que está à beira da reforma. É aqui que entra Helena Shaw, a personagem interpretada por Waller-Bridge, a afilhada de Indiana Jones que serve como leme e o arranca de novo para a aventura. Mads Mikkelsen é Jürgen Voller, um cientista alemão contratado pela NASA que também procura o artefacto para outros fins. John Williams, mais uma vez, encarrega-se da banda sonora (como nos quatro anteriores) e não desilude.

O que sim, desilude, na minha opinião, é o filme. Apesar de ter muitos momentos nostálgicos que servem como easter eggs a outros filmes da saga, e de vermos Harrison Ford, que, no pico dos seus 80 anos, ainda defende a personagem como se fosse ainda jovem, o filme torna-se demasiado abrupto e parece que não respira, o argumento parece não avançar para algo específico e engonha, tudo isto multiplicado por mil e uma cenas de acção. A personagem de Phoebe Waller-Bridge é insossa, o alemão Voller devia ser melhor construído, apesar de algumas ideias interessantes e de Mads Mikkelsen ser bom em tudo o que faz, mas soube a pouco. O filme, o mais longo da saga, com quase duas horas e meia, vai fazendo o seu caminho, com personagens que se vão cruzando, umas que ajudam à trama e outras que sinceramente não sei o que estão lá a fazer, até que chega o último acto, e é tomada a decisão mais estranha e surpreendente de toda a saga.

Harrison Ford merecia um desfecho melhor para uma personagem que é tão querida do público. O filme tem nostalgia mas não tem sumo que o sustente. Adeus, Harrison. Foi bom ver-te neste papel. Mas não com este filme.

Estrelas: 4,5 em 10

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

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