EM TELA: “O Rapaz e a Garça” – O (suposto) fim de uma narrativa singularmente única

Hoje o artigo é sobre um filme bastante especial que se encontra neste momento em cartaz nos cinemas: “O Rapaz e a Garça”, de Hayao Miyazaki, produzido pelo Studio Ghibli. Não posso começar de outra forma se não a afirmar que sou há bastantes anos fã dos filmes produzidos pelo Studio Ghibli. Nesse sentido, não podia perder a oportunidade de ver este conteúdo no cinema que, supostamente, poderá ser o último filme de Hayao Miyazaki. Apesar de existirem algumas especulações que desmentem a informação, a verdade é que foi anunciado como tal. E por ter sido anunciado como tal, deve também ser visto e apreciado como tal.

Não acho obrigatório, mas sim importante que as pessoas que irão ver este filme tenham visto mais filmes do autor. Não porque não vão perceber a história, mas porque há todo um contexto que ganha um significado especial quando já conhecemos a sua narrativa. Existe uma ligação simbólica de momentos, personagens e características. Visto que, ao longo de “O Rapaz e a Garça”, podemos ver diversos momentos que são característicos da narrativa que Hayao Miyazaki nos habituou ao longo da sua carreira. Como é o exemplo de “A Viagem de Chihiro” (um dos meus filmes favoritos), mas também de “Totóro”, “Castelo Andante”, “Ponyo”, “Kiki”, entre outros.

De uma forma resumida, este filme conta-nos a história de um pai e um filho que perdem a mãe (e esposa) durante uma guerra. Após ficar viúvo, Natsuko decide casar com a irmã mais nova da falecida mulher e viaja para uma pequena cidade. Importante referir que, em termos de contexto histórico, a narrativa desenrola-se durante 1943 quando Tóquio é bombardeado pelo exército dos Estados Unidos da América. Com alguma dificuldade em adaptar-se, o filho Mahito encontra uma companhia bastante especial: uma Garça. Num misto de emoções e numa relação de medo e de amizade, Mahito tenta descobrir a mensagem enigmática que a Garça lhe quer transmitir. É nesse seguimento que o menino acaba por descobrir uma torre abandonada perto da sua casa que foi construída pelo seu tio-avô, um famoso arquiteto já há muito tempo desaparecido.

A Garça tem um papel muito importante durante todo o filme, visto que atua como um guia espiritual que ajuda Mahito a travar as mais diversas batalhas. A Garça afirma que a mãe de Mahito está viva e que para a encontrar ele tem de entrar na torre e aí começa a verdadeira aventura. A torre abandonada e mágica acaba por ser uma porta de entrada para um mundo paralelo onde outros animais vivem. Esta referência é importante porque é aqui conseguimos cruzar diversos dados simbólicos com vários elementos que existem nos outros filmes deste autor como, por exemplo: o conceito de tempo, o conceito de espaço, de viagem, de portal do tempo, a entreajuda, a singularidade de cada personagem, a batalha que é vencida através do confronto e do amor, os elementos gráficos únicos e os pormenores não só das falas, mas das ações que nos fazem embarcar numa miscelânea de características que são comuns.

Devo confessar que é bastante complexa a descrição e review deste conteúdo cinematográfico porque os filmes de Hayao Miyazaki têm uma subjetividade muito grande e uma magia muito própria. Não posso dizer-vos que este tipo de conteúdo irá agradar a todos, pois eu acho que é um conteúdo singular, até porque espelha uma cultura que nos é muito distante.

Não posso deixar de referir também, a originalidade gráfica das personagens e a qualidade da sonoplastia e banda sonora. Acho que por mais que escreva, não consigo transmitir a real mensagem deste filme porque só quem vê e quem sente é que consegue perceber a magnitude desta que é uma obra de arte.

Em suma, diversas são as palavras que podem descrever este filme, entre elas: Magia, viagem, fluidez, desespero e arte. Espero que tirem um pouco do vosso tempo para ver este filme que poderá ser o último de Hayao Miyazaki, mas que espero, ansiosamente, que não seja.

Gostar de cinema é também desafiarmo-nos a sair da nossa zona de conforto e ver conteúdos que muitas vezes tomamos como ponto partida que não iremos gostar. Se acharem que este não é o vosso género de filme, vejam na mesma, porque todos podemos aprender a gostar de algo que é diferente e que é tão rico culturalmente.

Nota de agradecimento a Hayo Myiasaki: Obrigada por me permitires a mim e a outros fãs viajar pelos sonhos que são comuns a todos. Obrigada por me ensinares que no fim, o amor e o respeito, são a nossa conquista mais importante.

Estrelas: 9 em 10

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