EM TELA: “Leave The World Behind”, da nostalgia à eminência

Com o ano a terminar e as resoluções para 2024 todas em andamento, nada melhor do que um filme apocalíptico sobre o fim da espécie humana, para acabarmos o ano rejuvenescidos. “Leave The World Behind” é um dos mais recentes sucessos da Netflix, marcando lugar no ranking dos filmes mais vistos da plataforma em diversos países.

A cronologia de eventos que acompanha o filme não comporta nenhuma novidade para as já habituais narrativas sobre guerras nucleares, químicas e biológicas ou o potencial fim da humanidade. Um dos principais enfoques da longa metragem é a fragilidade humana – não há heróis com uma resposta certa para tudo e um espírito de sobrevivência que transpareça o quão fácil (ou mesmo, empolgante) seria sobreviver.

O ‘inicio do fim’ começa com o corte no acesso a tecnologias, internet e redes de comunicação, entroncando daqui a dependência do ser humano destas e em como, sem este acesso, ficamos desamparados e frágeis na nossa essência. O mesmo mostra-nos como esta dependência está intimamente interligada com a nossa forma de ser e interagir hoje em dia.

O filme tem início com a família a arrendar uma casa de férias, longe da cidade, para passar o fim de semana longe do stress e da ansiedade do quotidiano. A mãe (interpretada por Julia Roberts) reserva um Airbnb à última hora para evitar que a família adie ou cancele as férias e neste rumo saem de Brooklyn, com direção a um meio mais rural e longe da azáfama que são as suas vidas.

Ao longo da narrativa, começam-se a desencadear uma data de acontecimentos e fenómenos que, notoriamente, começam a preocupar a família e que fazem crescer uma sensação de inevitável tragédia. Como plano de fundo, temos uma inquietante e constante presença de animais, aparentemente assustados, que parecem observar a família.

Eventualmente, durante o fim de semana, batem à porta um pai e a sua filha, que se dizem ser donos da propriedade, à procura de um sítio para se refugiarem. Tudo se demonstra bastante eminente e confuso e este não é um sentimento que se clareia com o desenrolar do filme – o que pode ser interpretado como uma visão em aberto sem respostas certas ou erradas ou como uma crítica pois este promete abordar diversos temas mas, por insuficiência, não aprofunda nenhum. Um complexo de ansiedades começam a florescer de forma gradual. Sucessivos ataques cibernéticos e diversos fluxos de informação que assolam as personagens ao longo da metragem, intensificando o medo e a paranoia nestas.

Em suma, “Leave the World Behind” não é uma das melhores criações de Sam Esmail (produtor de “Mr. Robot”) mas é um interessante filme que transmite ao espetador a eminência e a inevitabilidade de que algo está prestes a acontecer, sempre com um tom e imagem nostálgica, de algo que já não volta.

O filme está disponível na plataforma da Netflix.

Estrelas: 7 em 10

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