OPINIÃO: Estudaram? Hoje há avaliação surpresa! Preparem as esferográficas!

Desinteresso-me até certo ponto

Se pensarem bem, aquilo que é vulgar e desinteressante pode suscitar curiosidade.

– “Uau!” – exclamam vocês impressionados com a genialidade.

Todos rimos muito, antes de alguém me acertar com um pau de marmeleiro nas costas.

O moliceiro passeia pela ria poluída, a uma velocidade que de estonteante tem pouco ou nada. Os turistas, alapados aos bancos de madeira, fotografam a zona envolvente, posam para a captura daquele momento inesquecível e futuramente tido como um dos mais excelsos. “Excelso” foi um termo celebrado na missa do Padre Matos que retive aquando de uma belíssima leitura do livro de Isaías (12:4). Suado e esbaforido, o indivíduo que remava – por inaptidão minha, não o sei denominar – realiza um movimento de braços superior ao de muitos fisiculturistas e aficionados do mundo do ginásio porque, no fundo da embarcação, habitavam seis americanos com mais de 130 quilos cada.

Insere-se o desfecho do discurso de Cristiano Ronaldo, após a vitória numa das edições da FIFA Ballon D’Or. Coloque-o como som de fundo enquanto lê o terceiro parágrafo.

Reparem nos índices de motivação e de autoestima após a leitura do primeiro parágrafo. Bem, isso é que foi galgar terreno. Acreditar em nós é o primeiro passo para que acreditem em nós. Afastar as más energias e absorver somente as que nos transportam para mares e rios de felicidade. Não há maior alegria do que viver a vida, a nossa vida. Não ligar às críticas que nos ferem o ego e esquecer aquilo que nos rodeia e que parece querer intrometer-se nos profundezas do nosso âmago. A vida é um mar de rosas, se quisermos que ela assim seja. Importa, realmente, tirar o melhor proveito de tudo, especialmente do pior.

Se pensavam que estavam perante uma parte do primeiro fascículo de uma obra literária vindoura, desenganem-se. Sinto que abusei do nonsense – e ninguém está a versar o humor ou a anedota porque gosto de deixar essa parte para quem sabe – e que não dei aos dois primeiros períodos do parágrafo anterior a devida importância. Apesar de as duas proposições não responderem à erudição e ao engenho característicos das diferentes correntes que vestem a Literatura, podiam perfeitamente desaguar num best-seller. Os coaches fartam-se de o conseguir. O Jordan Peterson idem. É só pedir um ano sabático e pronto.

Quem é que nunca pisou cocó, entranhou o odor no calçado – não discrimino os/as corajosos/as que usam sabrinas – e o espalhou por espaços fechados? Acusem-se!

Não se esqueçam que é mais difícil apanhar um mentiroso que um coxo! Aliás, um mentiroso que coxeie não precisa de se dar ao trabalho de fugir. O que mais me chateia é o facto de o acontecimento entrou na minha vida como fenómeno, envolto até em alguma graça, e nunca mais saiu. A casualidade transformou-se em assiduidade. Volta e meia, piso cocó. Às vezes, volta e piso, o que ainda é mais gravoso. Nunca tenho a agilidade e a destreza para fintar o chão porque não o contemplo enquanto caminho. Gostava de ter aulas com o Paulo Futre e aprender aquela técnica de mexer as pernas: ele corria cabisbaixo, eu só quero andar. Mais fácil é de certeza. Contudo, há uma vantagem que se ergue e que urge captar: a minha cabeça segue erguida e os meus pensamentos acompanham o passo que tende para o célere. Não há tempo para embirrações, eu vejo o sapato meio limpo.

O seu corpo cheira pior do que uma latrina? É dia 21 de fevereiro, não tem o que comer e já gastou o plafond todo que tinha para se aguentar durante o mês? Não consegue pagar a renda, mesmo que divida um T3 com 10 pessoas? Não consegue projetar o futuro em Portugal? Tenha calma. Inspire fundo e expire. Isso mesmo. Outra vez, outra vez. Isso. Já pensou que, por vezes, toda a gente – toda, sem exceção – quer espirrar e não consegue? Há uma espécie de sarna no nariz, sabe-se que a vontade aponta para o espirro e… nada. Ainda arreganhamos o semblante a ver se o espirro decide embarcar naquela aventura de segundos, mas nada feito. Perdemos espirros com uma facilidade tremenda. Ricos e pobres. Altos e baixos. Gordos e magros. Rapazes e raparigas. Católicos e agnósticos. E restantes oposições. Espero que este pequeno desabafo tenha servido para mudar mentalidades e aniquilar dúvidas quanto à maior falha humana.

Nem todos somos iguais e cada um é como cada qual. Podia fazer uma breve referência aos fechos encravados e à força exercida para desencravá-los, mas não vou mastigar mais os tons cor-de-rosa embelezam as relações humanas. O catastrofista é a pior das espécies. Tudo é um drama, tudo é uma conspiração contra si, que é tão bonzinho e que merece o brinde, ao invés da fava. Mas eu respeito tudo e todos. Interessa-me a minha vida, apenas. Divergências são saudáveis. Não perco tempo com eles, não me dou ao trabalho. Quero é viver, até quando eu não sei.

Após a leitura do texto, assinale com (x) a opção que traduz o estado de espírito do autor e a razão que o motiva a expressá-lo:

a) Com esperança num mundo melhor, uma vez que esta crónica foi a razão principal pela qual ele penetrou no universo do coaching e do bem-estar emocional.

b) Combalido e um pouco zonzo, uma vez que já sofreu quatro derrames cerebrais e saiu do coma há pouco mais de 20 minutos.

c) Inquieto e revolucionário, uma vez que escutou a introdução feita pelo Paquete de Oliveira pertencente ao álbum “Divergências” (Ama Romanta, 1986).

d) Não aplicável, tendo em conta a sua imbecilidade e escassa credibilidade.

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