EM TELA: “Sex Education”, um serviço público fundamental

“Sex Education” foi uma das séries mais revolucionárias, provocadoras e progressistas com que a Netflix nos presenteou. Recentemente estreou a quarta, e última temporada, da série que, já desde 2019 tem quebrado preconceitos e estereótipos associados ao que é, e ao que deve ser, a sexualidade.

Com um toque humorístico a acompanhar toda a trama, a narrativa desenvolve-se em torno da escola secundária de Moordale que, como todas, nos presenteia adolescentes cheios de hormonas, dúvidas, erros e precipitações. Esta é uma série importante, com um elenco jovem e inovador, que procura explicar o sexo e o prazer sexual como este deve ser explicado – de forma inclusiva e para toda a gente. Para além dos inerentes dramas adolescentes que adoramos, a série presta uma serviço público fundamental e que deveria ser acessível em qualquer Escola.

Qualquer um de nós se identifica, em determinado ponto da série, com o que está a acontecer. Toda a gente já foi um adolescente desconfortável com as descargas hormonais, já nos tentamos soltar das amarras e dos vícios do que é quotidiano numa escola secundária. Não é só em Moordale que o bullying é diário, que o machismo é estrutural, que a homofobia traumatiza e segrega, que as desigualdades económicas e sociais se refletem no percurso académico dos jovens e limitam as suas perspectivas do presente e do futuro.

Com tons quentes e uma vibrante fotografia vintage nostálgica dos anos 80, “Sex Education” acompanha o autodescobrimento de Otis e seus colegas. Maeve, Eric, Aimee, Ruby, Adam, Jackson, Lily, Ola, Viv, Cal são alguns dos nomes que nos trazem sensações boas, com quem nos identificamos e que, mesmo em adultos, também nos fazem crescer. A construção individual de cada uma destas personagens reflete num dos aspetos mais bonitos da série – a criação de personagens imperfeitas como nós.

A educação sexual, na série, transcende a educação formal da sexualidade que está institucionalmente prevista e acontece, naturalmente, de jovens para jovens, de forma contemporânea e progressista, num hino à inclusão social e cultural, em tom de luta pelos direitos humanos.

Estrelas: 9 em 10

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