As tradições e os símbolos do Natal

Natal, presentes

O Natal é uma data celebrada por muitos, mas tem uma forte ligação à religião, já que celebra o nascimento de Jesus. Certo é que é uma época repleta de tradições e o Jornal Referência pesquisou sobre as origens e alguns símbolos natalícios.

De acordo com a Bíblia, Jesus nasceu em Belém, na Galileia. Quando Maria, mãe de Jesus, estava para casar com um carpinteiro de nome José, um anjo chamado Gabriel visitou-a em Nazaré e anunciou-lhe que ia ser mãe do Filho de Deus, concebido sem pecado.

José e Maria viviam em Nazaré, mas, na altura, tinham ido a Belém, na Judeia, para realizar os seus registos de habitantes do Império Romano. Enquanto lá estavam, Maria acabou por dar à luz, mas, como não havia espaço na hospedaria, enrolou o seu Menino em panos e deitou-o numa manjedoura.

Naquela região havia pastores que passavam a noite no campo a tomar conta dos seus rebanhos. Um anjo apareceu aos pastores e deu-lhes a boa notícia do nascimento de Jesus, descrevendo onde encontrariam o Menino. A este primeiro anjo juntou-se uma multidão de outros anjos que louvaram a Deus dizendo: “Glória a Deus nas alturas! E paz na terra aos homens por ele amados”. Assim, os pastores foram ao encontro de Maria, José e do Menino Jesus e espalharam, depois, a mensagem que receberam.

A verdadeira data do nascimento de Jesus permaneceu desconhecida durante muito tempo. Os cristãos dos primeiros séculos não festejavam o Natal, pois davam mais importância à Páscoa.

O Natal tem a sua origem ligada às festas e rituais dos Romanos por ocasião do solstício de inverno, que ocorre por volta do dia 21 de dezembro no hemisfério sul e a 22 de dezembro no hemisfério norte e marca o início do inverno. Em 354, o papa Libério instituiu o dia 25 de dezembro como dia do nascimento de Jesus, de forma a tornar cristãs as festas pagãs.

Presépio

O presépio ilustra a cena do nascimento de Jesus e tem, no mínimo, três figuras: José, Maria e o Menino recém-nascido. Outras figuras podem ser acrescentadas, como por exemplo um burro, uma vaca e várias ovelhas; os três Reis Magos; pastores; o anjo Gabriel; etc. Os animais estariam ao seu redor para poderem aquecer o Menino.

A tradição de criar presépios teve início com São Francisco de Assis em 1224, numa representação ao vivo que pretendia explicar às pessoas que não sabiam ler como tinha sido o nascimento do filho de Deus. Muitos conventos franciscanos começaram a repetir a iniciativa de Santo de Assis e depois outras casas da Igreja, mas apenas no século XIX é que o presépio se popularizou.

Em Portugal, em várias localidades há também criações de presépios vivos.

Os Três Reis Magos

Estas três personagens são mencionadas de forma resumida no Evangelho de São Mateus como os Magos (homens sábios) do Oriente que foram guiados por uma estrela para adorar o Menino Jesus. Apesar de não haver uma referência ao número nem ao nome dos magos, acredita-se que, por serem mencionados três presentes oferecidos ao Menino Jesus, seriam três magos.

Conhecidos como Reis Magos, pensa-se que seriam sacerdotes de uma religião persa cuja aprendizagem estaria ligada à astrologia, o estudo das posições e características dos astros no sentido de perceber a sua influência no destino e comportamento das pessoas e em fenómenos naturais, pode ler-se num apontamento da Porto Editora.

Segundo a tradição cristã, durante as suas observações dos corpos celestes, estes homens, que viviam em diferentes zonas da Terra (Europa, África e Ásia), viram uma estrela muito brilhante, a Estrela de Belém, e decidiram segui-la, atravessando grandes desertos e enfrentando vários perigos até chegarem à Judeia.

Quando chegaram ao seu destino, cada um deles ofereceu um presente ao Menino Jesus: Baltasar ofereceu ouro, Gaspar incenso e Melchior ofereceu mirra. Desta forma, os Reis Magos homenagearam Jesus como rei (ouro), como deus (incenso) e como homem (mirra). É por causa destas oferendas que, tradicionalmente, são trocados presentes no dia de Natal com familiares e amigos.

Em diversos países da Europa e em toda a América Latina, o Dia de Reis comemora-se a 6 de janeiro e é então que nesses países se oferecem os presentes de Natal. Em Portugal, o dia 6 de janeiro marca o fim das celebrações natalícias e geralmente as famílias comem as últimas fatias de bolo-rei.

No início de janeiro, na rua ou em monumentos e igrejas, ouvem-se as “Janeiras”, cantos tradicionais que desejam votos de um Bom Ano.

Árvore de Natal

Durante a época do Natal, em vários países, as pessoas levam para dentro das suas casas um pequeno pinheiro e decoram-no com fitas, laços, bolas, luzes, doces e outros enfeites. No topo do pinheiro ou árvore de Natal coloca-se sempre uma estrela, a Estrela de Belém, que terá anunciado o nascimento de Jesus.

Julga-se que quem deu início à tradição de enfeitar a casa com um pinheiro de Natal foi um padre alemão chamado Martinho Lutero, em 1530. Certa noite, ao passear pela floresta, Martinho Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve e decidiu reproduzi-la em casa para os seus familiares, decorando um pequeno pinheiro de Natal com pequenas velas.

Em Portugal, a tradição refere que se decore a casa com um presépio e uma árvore de Natal no dia 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, a padroeira de Portugal.

Pai Natal

Esta personagem foi inspirada num bispo chamado Nicolau que nasceu na Turquia em 280 d.C. e que era muito generoso e costumava ajudar as pessoas mais pobres, deixando saquinhos de moedas de ouro nas chaminés das suas casas.

Em 1866, um ilustrador americano chamado Thomas Nast desenhou aquela que é a imagem atual do Pai Natal: um velhinho, de barbas brancas, vestido com uma fatiota vermelha.

A figura do Pai Natal foi, depois, popularizada nos anos 30 do século XX pela Coca-Cola, que criou anúncios publicitários com o mesmo velhinho de barba branca e a roupa das cores da marca, vermelho e branco.

Atualmente, as famílias portuguesas trocam presentes entre si e os adultos dizem às crianças que é o Pai Natal quem lhes oferece os brinquedos. Contudo, há duas ou três gerações, apenas as crianças recebiam presentes. No dia antes do nascimento do Menino Jesus, os membros mais novos da família colocavam um sapatinho ou uma meia à lareira ou chaminé e, quando se levantavam na manhã do dia seguinte, encontravam-no recheado de doces e brinquedos. Os adultos diziam às crianças que era o Menino Jesus quem lhes oferecia aquelas prendas.

Missa do Galo

Em algumas zonas de Portugal é comum as famílias irem à missa à meia-noite do dia 24 de dezembro para celebrarem o nascimento de Jesus.

Durante esta missa especial, aprecia-se o presépio e, após a comunhão, as pessoas dirigem-se ao altar para o ato do “beijar do Menino Jesus, por vezes acompanhado por cantares litúrgicos. O presépio costuma permanecer coberto até à altura do cântico, que simboliza o nascimento do Menino.

A expressão “Missa do Galo” é usada nos países latinos e deriva da lenda ancestral que aponta ter sido a única vez que um galo cantou, refere a Agência Ecclesia. Uma lenda espanhola indica ainda que, antes de baterem as 12 badaladas da meia noite de 24 de Dezembro, cada lavrador da província de Toledo, em Espanha, matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte.

Antigamente, era hábito a ave ser levada para a Igreja para ser oferecida aos mais pobres. Em algumas aldeias espanholas e portuguesas, era costume levar o galo para dentro da Igreja para que cantasse durante a missa, o que seria um prenúncio de boas colheitas.

Ceia

Antes do dia de Natal, a Igreja Católica aconselha o jejum mas, após a Missa do Galo, a mesa é repleta para a ceia em família, a Noite da Consoada.

Nos primeiros séculos, as vigílias festivas eram dias de jejum, que conduziria ao desprendimento e contemplação do mistério religioso. Na ceia de Natal, era costume comer peixe, tradição esta que ainda perdura nos dias de hoje.

A palavra “Consoada”, que surgiu no século XVII, significa uma pequena refeição que se toma ao fim de um dia de jejum e deriva do latim “consolare” (reconfortar).

No Natal, as famílias portuguesas reúnem-se à volta da mesa para comerem várias iguarias, entre elas: rabanadas, filhós, sonhos, azevias, bolo-rei e bolo-rainha. Tradicionalmente, na ceia de Natal, ou consoada, as famílias portuguesas comem bacalhau cozido, peru assado, ou ainda polvo assado no forno.

Entre as celebrações do Natal e o Ano Novo, realiza-se em muitas cidades uma corrida que foi batizada com o nome de um papa que viveu entre 314 e 355 d. C. e que, devido ao importante papel que desempenhou na promoção e divulgação do catolicismo, foi canonizado, tornado santo. São Silvestre foi também o promotor da construção da Basílica de São Pedro.

Em localidades como Bragança, Guarda, Castelo Branco e nalgumas aldeias, ainda se queima um madeiro (peça ou tronco grosso de madeira) durante a noite de 24 de dezembro, numa grande fogueira no adro da igreja.

Em relação aos mercados de Natal, são uma tradição crescente em Portugal, oferecendo uma experiência que combina compras, gastronomia e entretenimento.

Foto: Karola G/Pexels

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