A passagem para um novo ano é celebrada de diferentes formas em todo o mundo e também é um momento assinalado de forma muito pessoal.
Celebrações de Ano Novo
Em 47 a. C., o imperador Júlio César decidiu que o ano novo deveria ser festejado no primeiro dia do mês de janeiro. Este mês era dedicado ao deus Jano e é daí que vem a palavra “janeiro”. Jano era o deus que protegia as entradas das casas ou portões e tinha duas caras: uma virada para a frente, para ver o futuro, e outra virada para trás para ver o passado.
A tradição de celebrar o ano novo a 1 de janeiro manteve-se no calendário definido pelo Papa Gregório XIII, que ficou conhecido como calendário gregoriano, adotado pela grande maioria dos países católicos europeus (incluindo Portugal) em 1582. Hoje em dia, a maior parte dos países rege-se por este calendário solar que reformulou o calendário juliano.
Na passagem do ano, é celebrado um novo início e, por isso, as festas costumam ser sempre repletas de alegria. Muitas culturas acreditam que se devem afastar os espíritos maus fazendo muito barulho. Os chineses inventaram o fogo de artifício com este objetivo e a tradição de mandar foguetes ou realizar espetáculos de fogo de artifício nas primeiras horas do novo ano ou em outras ocasiões festivas estendeu-se a outras culturas e países.
Em Portugal, o fogo de artifício faz parte das comemorações da passagem de ano por todo o país. Em algumas zonas, na noite de fim de ano, as pessoas vão para a rua fazer barulho, batendo em tachos e panelas, mas também há pessoas que, no primeiro dia do ano, gostam de ir tomar um banho de mar. Outra tradição que os portugueses gostam de manter viva na noite de fim de ano é a de comer 12 uvas passas, que deveriam ser comidas ao mesmo ritmo das 12 badaladas da meia-noite, pensando num desejo a ser realizado no ano que vai começar.
Cantar as janeiras
Em diversos países da Europa e em toda a América Latina, o Dia de Reis comemora-se a 6 de janeiro e é então que nesses países se oferecem os presentes de Natal. Em Portugal, o dia 6 de janeiro marca o fim das celebrações natalícias e geralmente as famílias comem as últimas fatias de bolo-rei.
No início de janeiro, na rua ou em monumentos e igrejas, desde tempos muito antigos, ouvem-se as “Janeiras”, que são cantos tradicionais realizados por um grupo de pessoas que se juntam para ir, de casa em casa, anunciar o nascimento de Jesus e fazer votos de bom ano novo. Quando os autores das letras conhecem as pessoas para quem irão cantar, escrevem quadras em que incluem os seus nomes ou fazem referência a acontecimentos ou situações diretamente relacionados com os seus ouvintes.
Geralmente, as pessoas levam consigo instrumentos tradicionais para poderem tocar e cantar em frente das casas dos seus vizinhos, amigos e familiares. Quando terminam, muitas vezes, os donos da casa convidam-nos para entrar e petiscar o que sobrou da ceia de Natal em agradecimento pelo espetáculo que proporcionaram. Hoje em dia, em vez das sobras ou restos, os donos da casa oferecem chocolates e até dinheiro.
Superstições/tradições
O Ano Novo é sempre altura para algumas superstições e há várias tradições que muitos portugueses mantêm durante a passagem de ano, sendo que algumas delas podem ser semelhantes ao que é feito também noutros países.
- Roupa interior azul e nova
Acredita-se que roupa interior azul e nova traz saúde e boa sorte, mas a origem da superstição é desconhecida. - Comer 12 passas
Os portugueses geralmente gostam de comer uvas secas pequenas e castanhas porque diz-se que traz boa sorte e essa é uma forma de garantir que os seus sonhos vão tornar-se realidade. Por cada passa que se come, pode-se pedir um desejo e são 12 passas porque é uma por cada mês do novo ano. - Subir para uma cadeira com o pé direito
A ideia é atrair boa sorte, mas a subida deve ser sempre feita com o pé direito e, se possível, com dinheiro na mão, no bolso ou no pé. - Saltar de uma cadeira com o pé direito
Acredita-se que, quando chega o novo ano, devemos estar em cima de uma cadeira, saltando para o chão com o pé direito. O salto simboliza a entrada no novo ano com o pé direito, ou seja, com boa sorte. - Fazer barulho com tachos e panelas
Acredita-se que, ao fazer barulho com tachos e panelas, estamos a afastar espíritos malignos do ano anterior. - Brindar com champanhe
O vinho espumante tem acompanhado as celebrações durante séculos e é associado a momentos de alegria. É uma tradição que veio da Europa, que exigia a presença de champanhe ao celebrar qualquer grande feito na vida, mas não há registo de quando começou a tradição de brindar no Ano Novo em Portugal. - Primeiro banho do ano
Recentemente, há muitas pessoas a aderir ao primeiro mergulho do ano no mar, que já é um ritual do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. - Ter dinheiro na mão, no bolso ou no sapato
Para os mais supersticiosos, deve-se entrar no novo ano com dinheiro na mão, no bolso ou no sapato para atrair abundância de dinheiro durante todo o ano. - Ver o fogo de artifício
Em locais especiais, à janela de casa ou até através da televisão, ver o fogo de artifício é hábito comum nesta celebração. De norte a sul do país, e sem esquecer as ilhas, são várias as cidades com espetáculos pirotécnicos, tal como noutros países pelo mundo fora. - Deixar o passado com a Queima do Velho
Na véspera de Ano Novo, em algumas regiões do país, realiza-se a “Queima do Velho”, um ritual de passagem de ano simbólico para despedir o ano que está prestes a terminar. As pessoas costumam escrever em pedaços de papel os eventos, desafios ou pensamentos negativos do ano anterior que querem deixar para trás. Os papéis são, depois, queimados à meia noite, numa representação da libertação do passado e do acolhimento de novas oportunidades.
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