EM TELA: O resto é Silêncio (“Hamnet”)

Em Tela, Hamnet

“Ser ou não ser, eis a questão”. Esta frase está presente na peça de teatro “Hamlet”, de William Shakespeare, alvo das mais diversas adaptações, não só do meio cénico como do meio audiovisual também. “Hamnet”, que chegou às telas este mês de Fevereiro de 2026, narra a história de William Shakespeare e da sua esposa Agnes, do seu conhecimento mútuo, da paixão que daí brotou e da tragédia familiar que os consumiu e foi a razão pela qual o dramaturgo escreveu a famosa peça “Hamlet”.

“Hamnet” teve origem num livro com o mesmo nome, de Maggie O’Farrell, que, juntamente com Chloé Zhao, a realizadora, escreveu o argumento do filme. Produzido por dois grandes cineastas, Steven Spielberg e Sam Mendes, o filme tem interpretações de Paul Mescal, Jessie Buckley, Joe Alwyn, Emily Watson, Jacobi Jupe, entre outros.

Sou imensamente fã da peça “Hamlet”. Como actor e artista, foi um texto fundamental no meu percurso académico e profissional. Devorei o livro “Hamnet” quando o comprei, portanto, as minhas expectativas estavam bastante elevadas, não só pelo meu conhecimento da peça de teatro, mas também pelo facto de me ter arrepiado com o livro que deu origem ao filme. Por isso, quando este estreou na sessão de abertura do 9.º aniversário do Cinema Trindade, comprei logo bilhete. E não me desiludi. Até superou as minhas expectativas.

Preparem-se para um verdadeiro impacto emocional! O filme é um murro no estômago e funciona como um feixe de luz que perfura a nossa alma, deixando lá um buraco. Aconselho vivamente a irem ao cinema munidos de pacotes de lenços. Chloé Zhao criou um portento cinematográfico transcendental capaz de emocionar com a sua bonita história sobre o luto, o nascimento, a perda e a arte. Cada frame, cada palavra, cada discurso, cada cor tocou-me na alma. As palavras de Shakespeare perduram no tempo. A cinematografia, a banda sonora, os cenários, até os momentos de silêncio foram formidáveis. Paul Mescal esteve lindamente como Shakespeare, mas o destaque para mim vai para Jessie Buckley como Agnes. Aquela mulher é um furacão autêntico e merece todo o amor e todos os prémios. Uma menção também para Jacobi Jupe que interpreta Hamnet com uma densidade e uma força brutal.

Para todos os amantes de cinema e de arte em geral, recomendo passarem por um cinema e deixarem-se levar por este turbilhão de emoções. Vai fazer-vos bem à alma! Acima de tudo é um filme que me ficou na memória até hoje, muito depois de o ter visto. O filme tem um potencial curativo enorme, é capaz de sarar feridas e tem um poder reconfortante. Há beleza nesta tragédia e a sua crueza é a sua força motora. Não só considero este como um dos melhores filmes do ano (de 2025 neste caso, apesar de ter estreado só este ano), como também entrou para a lista dos meus filmes favoritos de sempre. Como dizia o Príncipe Hamlet no Acto V, Cena II da peça teatral, “o resto é silêncio”.

Estrelas: 5/5

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Imagem: DR/Jornal Referência

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