OPINIÃO: Porque é que este cigarro sabe a cigarro?

Crónicas Avulso

No que toca ao acto de fumar ainda sou muito conservador. Das duas uma, ou compro um maço de tabaco, bato-o, viro um cigarro para dar sorte fumando-o em último lugar, acendo-os com o típico isqueiro BIC preto ou branco (ou “achado”) … ou então enrolo os meus cigarros. Compro uma onça, as mortalhas e os filtros, enrolo e uso o mesmo isqueiro. Tenho três ou quatro marcas de preferência e nunca me aventuro fora desse campo.

Sei de umas eventuais novidades cuja logística me estranha. Os cigarros electrónicos, por exemplo, que para mim aparecem no filme “O Turista” (2010) protagonizado pelo Johnny Depp e Angelina Jolie. De repente a personagem está dentro de um comboio a fumar e num breve discurso explica que aquilo é só vapor de água e não há problema. Ainda ponderei em fumar algum desses cigarros, já que me aventurei a fumar Lucky Strike pela primeira vez também por causa do Johnny Depp num filme do Roman Polanski, mas rapidamente deixei essa ideia.

Pelos vistos também há uma caneta que aquece o tabaco sem provocar combustão, geralmente coagido nas esplanadas de cafés apinhados numa qualquer explicação que eu nunca compreendi bem. Uma vez provei e assim como os cigarros electrónicos detestei. Não faz sentido nenhuma das duas modalidades exóticas que se espelham como uma rivalidade ao velho cigarro e aos seus isqueiros. Será possível que isto seja algum tipo de batalha ou afronta às empresas de isqueiros?

Já uma outra modalidade que vingou muito bem no meio dos fumadores (e por sinal os iniciantes ou mais novos) eram os famosos cigarros de menta com cápsula no filtro que a dada altura o fumador explode entre os seus dedos, prometendo aos seus pulmões o refresco do mentol. Também nunca fui grande adepto deste estilo, mas deve confessar que fazia mais sentido dentro da minha mente que as restantes tentativas de despojar os isqueiros. Pelo menos nesta há lume, chama, fogo… alguma coisa de real.

Como o leitor deve saber (especialmente aqueles fumadores ou atentos), os cigarros com cápsulas de menta foram proibidos em Portugal. Contudo, esta semana descobri que a malta não se resigna facilmente, desistindo da explosão entre dedos e de sabor a menta, mas já lá vamos. Ainda tentaram, tristemente, colocar filtros com sabor a menta, mas pelos vistos os fumadores continuaram com o desgosto de “isto sabe demasiado a tabaco!” … vá-se lá entender porquê… ora, fizeram-se cigarros com um buraco no local do filtro para que numa modificação barata se colocasse um filtro de 6mm com uma pequenina cápsula pronta a explodir de sabor e a ceder às tentações excêntricas do fumador português que se viu limitado aos cigarros que sabem a cigarro.

Um bem-haja a esta genialidade (que às minhas pausas do cigarro nada muda, isto porque sou demasiado conservador e ainda gosto dos meus cigarros com sabor a cigarro).

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