EM TELA: “Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom”

Imagem: Joana Aleixo

Recentemente o mundo parou com a escalada de violência que a Ucrânia enfrenta, trazendo para cima da mesa o dogma morto da possibilidade de uma guerra na Europa. Já ultrapassamos a barreira dessa possibilidade quando Putin, içando erroneamente a bandeira do “combate à nazificação”, subverteu e violou os princípios basilares do direito internacional e do direito humanitário internacional, invadindo um país, pondo em causa toda a unidade territorial e soberania nacional do mesmo. Um ato de guerra tão arcaico e desprovido de humanismo que não é suscetível de qualquer relativismo moral ou narrativa ideológica.

24 de fevereiro de 2022 ficou para a história. Mas não é sobre esta data, que permanecerá, inevitavelmente, nas intermitências das nossas memórias, que fala o documentário, mas, sim, da progressão e intensidade dos comportamentos e investidas agressivas que a Ucrânia tem sofrido. A data que também não queremos deixar esquecer é 21 de novembro de 2021 e o local é Maidan. Aqui dá-se o início dos protestos do povo ucraniano pela sua liberdade, por uma integração europeia e um desvincular da esfera de influência russa.

“Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom” é um documentário, original da Netflix, que melhor reflete a luta por liberdade que o povo ucraniano tem enfrentado na última década. É, o mesmo, o resultado da luta pelos direitos humanos na Ucrânia e tem como pilares os protestos, que se prolongaram por mais de 90 dias, provocados pelos constantes abusos de poder políticos e a perceção de corrupção generalizada por parte do governo.

É percetível, no mesmo, a clara influência russa no país e foi contra esta influência que se desencadearam as revoltas que culminaram na fuga do presidente Viktor Yanukovytch, a 22 de fevereiro de 2014, dada a pressão desencadeada pelos protestos. Curiosamente, recebeu asilo na Rússia. Após estes momentos iniciais, desencadeou-se a guerra civil na Ucrânia e a anexação da Crimeia por parte da Rússia, uma clara afronta, não tida devidamente em conta, para com o Direito e Protocolos Internacionais.

“A Ucrânia faz parte da Europa” é a frase que, unindo artistas, advogados, médicos, varredores de rua, comerciantes de todas as áreas, que içam bandeiras ucranianas e da União Europeia em conjunto, ecoa em Maidan, numa vontade generalizada, por entre as vozes do povo ao longo de todo o documentário. A luta contra o medo nunca parou na Ucrânia e, citando os manifestantes, “estávamos com medo, mas se não o queremos amanhã, temos que sair à rua e defender as nossas posições hoje”, pois “já nem é por causa da integração europeia, as pessoas já só querem a sua liberdade”.

Para entender o presente tem que se entender a história ucraniana e a opressão que a Rússia tem, gradualmente, lhe proporcionado.

Vejam o trailer do documentário:

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