EM TELA: Quando Shakespeare se mistura com GTA (“Grand Theft Hamlet”)

Em Tela, Grand Theft Hamlet

Esta história começa com dois actores desempregados, Sam e Mark, que, durante a pandemia, com os teatros encerrados e não certos do futuro, refugiam-se no videojogo “Grand Theft Auto Online”, ou simplesmente GTA, e recriam a famosa peça shakespeariana “Hamlet”, usando personagens avatares, desde a preparação destas, audições, ensaios, culminando na apresentação final ao público, e num documentário do passado ano, realizado por Sam Crane e Pinny Grylls.

Destaque para o imenso potencial criativo dos realizadores, apostando num universo em que personagens/avatares encarnam personagens da peça “Hamlet”, com a aparência de um npc (non-playable character) de um videojogo, com as paisagens do jogo, dentro do jogo, entre mortes violentas e tiroteios que fazem GTA ser GTA, fazendo com que este documentário seja o melhor dos dois mundos. De um lado, o conhecimento da obra de Shakespeare e do outro, a violência deste videojogo em específico. A imersão é grande, como se o próprio espectador estivesse também ele dentro do jogo a testemunhar as aventuras dos avatares/personagens no dia-a-dia de preparação da peça e das suas vidas dentro do jogo fora dos horários dos ensaios.

A cada nova entrada de um avatar no mundo do jogo, apercebemo-nos da sua personalidade idiossincrática, mas que, de algum modo, se encaixa nesta festa/encenação que é este documentário.

Quem conhece a obra de Shakespeare ficará surpreendido tal a adaptação que fizeram neste documentário, quem conhece o videojogo não ficará surpreso pela violência. Para quem não conhece estes dois universos provavelmente este visionamento irá causar estranheza. Mas sem dúvida que o cruzamento entre teatro e videojogos foi bem engendrado.

Como fã dos dois mundos, adorei a experiência de poder rever as falas de “Hamlet”, no contexto deste videojogo e, apesar de não ter jogado muito GTA, sei bem das particularidades deste universo.

Entre todas as adaptações de “Hamlet”, nunca vi esta obra shakespeariana em contexto de videojogo, é criativa e inusitada e por isso uma surpresa agradável de se ver.

Estrelas: 09/10

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Imagem: DR/Jornal Referência

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