EM TELA: A Hora do Vampiro (“Nosferatu”)

Em Tela, Nosferatu

No ano de 2024, Robert Eggers apresentou ao público a sua mais recente criação, um remate do clássico de 1922, “Nosferatu, A Symphony of Horror” (de F.W. Murnau) com pinceladas da história de Bram Stoker, “Drácula”. O filme conta com a participação de estrelas como Lily-Rose Depp, Nicholas Hoult, Aaron Taylor-Johnson, Emma Corrin, Willem Dafoe e ainda Bill Skarsgård como Conde Orlok, entre outros actores.

Esta releitura de “Nosferatu”, ambientada num tom gótico, em 1800, segue uma obsessão de uma mulher jovem que é alvo de interesse romântico pelo misterioso e arrepiante Conde Orlok e dos acontecimentos de horror que se seguem.

Para começar, tenho a dizer que gosto imenso de Robert Eggers. Os seus trabalhos anteriores, “The Witch” (2015), The Lighthouse” (2019) e “The Northman” (2022) apresentam uma cinematografia irrepreensível, em que cada cor conta uma história e cada paisagem é um quadro digno de museu. Claro que “Nosferatu” não lhe fica atrás. Carregado de muitas tonalidades sombrias, mas também cores claras, somos absorvidos pela intensidade das imagens e dos frames. A direcção artística está muito bem conseguida e é um dos pontos a favor sempre que vejo um novo trabalho de Eggers. Por muito boa que possa ser a narrativa, sei que tem sempre uma bela cinematografia que a sustenta.

A narrativa em si toca no puro terror, principalmente quando somos apresentados à figura inquietante do Conde Orlok, o vampiro, brilhantemente interpretado por Bill Skarsgård, que treinou com uma cantora de ópera para conseguir chegar à voz da personagem. Outro ponto a favor nesta actuação é a respiração do Conde, quase cortante e assustadora. Lily-Rose Depp também esteve impecável como Ellen Hutter, a jovem por quem o vampiro se perde de amores e que tem várias sequências de possessão ao longo do filme, factor esse que a actriz agarrou com unhas e dentes e é chocante de ver, tal é a intensidade com que Lily o faz. Willem Dafoe também esteve bem como um professor especialista nas artes do oculto e misticismo. Não é a primeira vez que Dafoe trabalha com Eggers, tendo os seus caminhos se cruzado em “The Lighthouse” e “The Northman”. Nicholas Hoult, como marido de Ellen, capturou o medo principalmente diante do Conde Orlok, Emma Corrin e Aaron Taylor-Johnson igualmente desempenharam um bom trabalho.

“Nosferatu” esteve nomeado para quatro Óscares da academia de Hollywood. Melhor Cinematografia, Melhor Figurino, Melhor Design de Produção e Melhor Maquilhagem e Cabelos.

Não ganhou nenhum, mas ficou a consideração por um grande trabalho desempenhado.

Os figurinos adequavam-se à época em questão, a maquilhagem, principalmente do Conde, estava soberba, tendo Skarsgård usado maquilhagem em todo o corpo, o que contribuiu para o aspecto horrendo da personagem. A banda sonora também ajudou, com temas sombrios para fazer jus à trama.

“Nosferatu” constitui um dos grandes trabalhos de Eggers, em conjunto com os outros três filmes do realizador, e é sem dúvida uma obra-prima a considerar para todos os grandes cinéfilos, e que, não tenho dúvidas, deixaria tanto Bram Stoker como F.W. Murnau contentíssimos.

Estrelas: 10/10

Este autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Imagem: DR/Jornal Referência

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